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Acesso a vacinas pode ter influenciado baixa nas vendas do kit covid

Data: 02/08/2021

 As vendas de medicamentos aos quais são atribuídas propriedades de cura ou prevenção à Covid-19, ainda que sem nenhuma evidência científica, registraram queda entre janeiro e maio deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado, quando começou a pandemia. É o que mostram dados apurados pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF) a partir do banco de dados da consultoria IQVIA. A maior redução foi nas vendas de vitamina C (63%) e é surpreendente. O medicamento chegou a fechar o primeiro trimestre de 2020, após o advento do coronavírus no Brasil, com alta de 180%. No caso da hidroxicloroquina e da ivermectina, as reduções foram de 34% e 31%, respectivamente. Também foram pesquisados os dados referentes a analgésicos e antitérmicos (veja quadro abaixo). Essa oscilação nas vendas dos medicamentos tem ocorrido com frequência desde o início da pandemia. Desta vez, a queda coincide com a ampliação do acesso às vacinas.

“É possível que a chegada da vacina aos braços dos brasileiros tenha neutralizado, em parte, a histeria que desencadeou uma verdadeira epidemia de uso irracional de medicamentos no país”, avalia o farmacêutico Wellington Barros, consultor do Conselho Federal de Farmácia (CFF). A redução ocorre num período em que, no ano passado, esses medicamentos surfavam na onda da pandemia. Na época, as vendas de ivermectina registraram aumento de 560% em comparação com igual período de 2019. As de hidroxicloroquina, 111%, e as de vitamina D, 83%.

Oscilação - Essa oscilação nas vendas dos medicamentos tem ocorrido desde o início da pandemia. Os altos e baixos são visíveis na sequência de gráficos - PARA CONFERIR, CLIQUE AQUI. No caso de alguns medicamentos, no ano de 2020, foi possível constatar que essa variação foi influenciada pela rigidez ou afrouxamento das normas sanitárias que disciplinam a prescrição e a dispensação. Houve época em que a nitazoxanida e a ivermectina permaneceram sob controle especial, por exemplo. Nesses períodos, notamos certa redução. Importante destacar que as mudanças na legislação normalmente não têm efeito instantâneo sobre os números porque medicamentos em estoque não são imediatamente incluídos no controle quando as normas são baixadas, vez que o lançamento no SNGPC, que é o sistema da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para esse tipo de registro, é vinculado às notas fiscais.

Crescimento - Apesar da redução verificada nos primeiros cinco meses de 2021, as vendas se mantêm em alta. Os números dos 15 meses de pandemia mostram um aumento de 763% nas vendas de Ivermectina, comparando-se a igual período anterior. A segunda colocada no ranking é a hidroxicloroquina, com 167%. Em seguida vêm a vitamina D, com 119%, e o antimicrobiano azitromicina, com 96% (ver quadro abaixo). Esses índices se tornam ainda mais surpreendentes quando os comparamos com aqueles verificados nos 15 meses que antecederam a chegada do coronavírus no Brasil e igual período imediatamente anterior a este. Todos os medicamentos da lista registraram aumento importante nas vendas. Nos quinze meses anteriores à pandemia, a única que registrou aumento atípico de vendas foi a nitazoxanida, de 41% contra 15% em relação ao comparativo dos dois períodos seguintes. Um caso à parte é o ibuprofeno, que tem observado queda nas vendas desde quando, por um breve período, foi relacionado ao agravamento de casos de Covid-19.

Desde que começou a pandemia, o CFF tem procurado alertar sobre os riscos do uso indiscriminado de medicamentos. Duas campanhas já foram realizadas na tentativa de conscientizar a população, ambas em alusão ao Dia Nacional do Uso Racional de Medicamentos, 5 de maio. A segunda ocorreu esse ano e será permanente, visando estimular o descarte correto. O conselho criou um site que faz a ponte entre quem precisa descartar e as farmácias que coletam medicamentos vencidos ou em desuso - https://descarteaqui.cff.org.br. Os farmacêuticos de estabelecimentos que já fazem a coleta podem inscrever esses pontos para que a população possa pesquisar onde realizar essa destinação final.

Com base no levantamento feito pelo CFF do número de unidades vendidas, e considerando a dosagem de princípio ativo contida em cada uma, estima-se que foram parar na casa dos brasileiros, neste período, 259,4 toneladas de medicamentos de alguma forma relacionados à Covid-19: 44 toneladas de vitamina C; quase 26 toneladas do antibacteriano azitromicina; 6,6 toneladas do vermífugo nitazoxanida; 2 toneladas e meia de vitamina D; 1,2 tonelada do antimalárico hidroxicloroquina e mais de meia tonelada do também antiparasitário ivermectina (veja tabelas abaixo).

 

 

 

 

“O CFF ressalta que todos os medicamentos podem gerar efeitos adversos e que os riscos são ainda maiores para os medicamentos tarjados (aqueles de venda sob prescrição médica). Esses riscos não podem nunca ser negligenciados, especialmente considerando uma doença tão desafiadora como a Covid-19. A automedicação nesses casos é fortemente desaconselhada”, observa Wellington Barros. Outro alerta importante é sobre o risco do descarte inadequado de medicamentos, no lixo comum, na pia ou no vaso sanitário. Pesquisa realizada pelo CFF, com o instituto Datafolha em 2019 apurou que 76% dos entrevistados indicaram maneiras incorretas para o descarte de medicamentos que sobraram ou venceram (lixo comum, pias, vasos sanitários e tanque). Esses hábitos contribuem para potencializar graves problemas de saúde pública, como a resistência bacteriana. Descartadas de forma inadequada, as substâncias se misturam ao lixo e voltam para a natureza ainda ativas, podendo contaminar o lençol freático e até mesmo a água que consumimos.

Fonte: Comunicação do CFF

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