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Estudo revela coinfecção de Leishmaniose com HIV em quatro regiões

Data: 26/05/2021

 

A Leishmaniose-HIV resulta da associação das infecções causadas pelo protozoário Leishmania spp. e pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV). Esta coinfecção é considerada doença emergente de alta gravidade e um importante problema de saúde pública em várias regiões do mundo. No Brasil, a maior incidência está concentrada na capital maranhense São Luís, com 92% dos casos diagnosticados no país.  Casos raros também foram identificados nas regiões Sudeste (4%), Norte (3%) e Centro Oeste (1%). Uma possível causa do avanço da doença, apontada no estudo, é a urbanização da Leishmaniose visceral, fenômeno que vem ocorrendo paralelo à interiorização do vírus causador da Aids.

Os dados são de estudo que resultou em artigo científico publicado, dia 29 de março, no portal Research, SocietyDevelopment. O texto descreve pesquisa realizada para defesa de conclusão do curso de Farmácia da Universidade Federal do Piaui (UFPI) e reuniu pesquisadores, estudantes e professores desta universidade e de outras instituições. A formanda, Renata Kelly Espindola, é a primeira a assinar autoria do artigo Coinfecção Leshmaniose visceral e Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV): perfil epidemiológico dos casos notificados em São Luís (MA).

Historicamente, a Leishmaniose visceral acomete crianças de até dez anos de idade. Mas, os dados do estudo colhidos de 2010 a 2019 apontam para um aumento do número de casos da Leishmaniose visceral em pacientes adultos da faixa de 20 a 49 anos. Renata Kelly relata que a coinfecção da Leishmaniose com o HIV ocorre principalmente em populações de baixa renda e baixo nível de escolaridade. “São pessoas que têm a falta de informação como fator de risco. Quando a população é bem informada sobre a doença e possui uma boa estrutura de saúde, esta população consegue se prevenir melhor dessa patologia”, explica.

Febre, aumento do tamanho do fígado, palidez na pele e nas mucosas e, em alguns casos, tosse e diarreia, são alguns dos sintomas mais característicos da Leishmaniose-HIV. O diagnóstico é realizado por meio de exames diretos, procura do parasita em lesões em tecidos infectados, e indiretos, quando é feita cultura do material infectado, e também por exames parasitológicos, nos quais se pesquisa a presença desses protozoários nas fezes.

Renata Kelly explica que embora seja uma doença infecciosa, a Leishmaniose visceral não é contagiosa. Ela é causada por um parasita do gênero da leishmaniose e é uma doença sistêmica que acomete vários órgãos internos como fígado, baço e medula óssea. “Uma das características marcantes da doença é a famosa barriga d`água, como é popularmente conhecida. Ela também é conhecida como calazar e acomete principalmente crianças com até 10 anos de idade, mas hoje em dia a gente vê ocorrências em pessoas adultas que já possuem outra doença como o HIV”.

A autora do estudo alerta que a Leishmaniose visceral se torna uma doença oportunista para as pessoas que possuem o HIV. De acordo com Renata Kelly, essas duas infecções juntas aceleram o surgimento da Aids, fase da doença em que surgem os sinais e sintomas do HIV. “Isso leva o paciente à imunossupressão cumulativa, que é uma debilitação no sistema imunológico. E isso também aumenta a replicação do vírus HIV, além dessa coinfecção ser, muitas vezes, letal para pacientes com HIV”.

O graduando em Farmácia da UFPI, Elison Costa Holanda, que também assina o artigo, acrescenta que a coinfecção da Leishmaniose e HIV ocorre principalmente naquelas populações mais pobres e cujas condições de nutrição, nível de escolaridade e sanidade são precários. “A Leishmania, uma doença eminentemente rural, mais recentemente, tem se expandido para áreas urbanas de médio e grande porte, atingindo principalmente populações de baixa renda.

A associação das duas doenças é considerada doença emergente, de alta gravidade, em várias regiões do mundo. “Ela está em 69 países distribuídos por todos os continentes, com exceção da Oceania, sendo notificados anualmente, em sua maioria, dos novos casos, principalmente, na Índia, Sudão, Etiópia e, também, entre os principais países, está o Brasil. No Brasil, ela já foi identificada em 17 estados da Federação e atinge principalmente quatro das cinco regiões brasileiras: Nordeste, Sudeste, Norte e Centro-Oeste”, afirma Elison Holanda.

O conselheiro federal de Farmácia pelo Maranhão, Marcelo Rosa, demonstrou preocupação com o avanço da coinfecção em seu Estado. Ele disse que é urgente que os resultados dessa pesquisa cheguem ao conhecimento dos agentes de saúde pública para que sejam adotadas medidas socioeducativas que auxiliem essas populações mais vulneráveis de São Luís com informações sobre prevenção para controle da doença. “Eu fiquei surpreso com a qualidade desse estudo, cujos resultados podem ajudar no direcionamento das políticas públicas de prevenção, assim como a auxiliar profissionais da atenção primária, como nós farmacêuticos, a identificar sinais e encaminhar casos suspeitos ao serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequado”.

Além da formanda Renata Kelly Espindola da Costa e do graduando Elison Costa Holanda, assinam o artigo a farmacêutica formada pelo Centro Universitário Santo Agostinho, Sâmia Moreira de Andrade; a professora Doutora do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Goiás, Maria do Socorro Viana do Nascimento; o professor Doutor do Centro Universitário Uniesp, Leonardo Ferreira Soares; e o professor Doutor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Evaldo Hipólito de Oliveira.

Autores:

 Renata Kelly Espindola da Costa

Renata Kelly Espindola da Costa 

 

Elison Costa Holanda.

 

Sâmia Moreira de Andrade. 

Dra.Maria do Socorro Viana do Nascimento.

 

Dr. Leonardo Ferreira Soares.

 

Dr. Evaldo Hipólito de Oliveira.

Fonte: Comunicação do CFF
Autor: Murilo Caldas

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