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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

Medicamento genérico não é empurroterapia

Data: 20/05/2021

 Recentemente o programa Fantástico, da Rede Globo, divulgou reportagem que expôs, ainda que por meio de casos isolados, o problema da chamada “empurroterapia”, que seria a prática de incentivar o consumidor a comprar produtos, como medicamentos e vitaminas, em troca de comissões dos fornecedores. Como sustentou em nota o Conselho Federal de Farmácia, esse tipo de prática é totalmente condenado pela entidade, pois incentiva outro hábito bastante preocupante: a automedicação, ou melhor, o consumo abusivo e irracional de medicamentos. Esse comportamento é avaliado pelo CFF como um risco à saúde do paciente, já que de acordo com a entidade, qualquer medicamento pode causar efeitos adversos e o uso sem diagnóstico ainda pode mascarar doenças graves. Por outro lado, a instituição faz uma ressalva: o farmacêutico é autorizado a fazer a chamada intercambiabilidade, ou seja, sugerir a troca do medicamento de referência por um genérico.

20 de maio é o Dia Mundial dos Medicamentos Genéricos. E o conselheiro federal de Farmácia por Minas Gerais e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Gerson Pianetti falou, em entrevista, sobre a troca de medicamentos de referência por genéricos. Pianetti, que é doutor em Controle de Qualidade de Medicamentos e bastante conceituado nesta área, afirmou que a intercambiabilidade quando feita pelo farmacêutico é um ato legal, ético e importante para o paciente.

 

Farmacêutico Gerson Pianetti, conselheiro federal de Farmácia por Minas Gerais

 

1 - Dr Pianetti, o senhor pode explicar melhor esse o que é correto e o que não é nessa substituição?

PIANETTI: “Intercambiabilidade é um ato mais do que legal. Ele é ético e é super importante e é pra isso que nós temos profissionais tão bem informados e qualificados, como é o farmacêutico. Então já está definida em lei essa questão da intercambialidade, não há porque se discutir isso mais. Intercambiar medicamento é um ato privativo do farmacêutico e ele está apto a realizar isso dentro do seu estabelecimento, na farmácia. Então, não podemos confundir as coisas, intercambiar o medicamento é legal, está na lei e o farmacêutico está apto a realizar. Não há problema quanto a isso.

2 – Então, podemos dizer que empurroterapia não, mas intercambiabilidade sim. Como identificar a diferença?

PIANETTI “Empurroterapia é um termo que não entra na farmácia séria. Em farmácias éticas esse termo não existe. Não podemos jamais confundir a orientação do farmacêutico ao paciente no ato da dispensação. A intercambiabilidade do medicamento é legal e o farmacêutico está apto a realizar. Agora não vou dizer que não haja essa famosa história de indicação de medicamentos, quando o cliente vai comprar um e lhe oferecem outro. Um farmacêutico que realizar isso pode sofrer processo ético. Já o balconista estará cometendo um crime e deve ser punido por isso. Por isso que nós precisamos urgentemente discutir no Conselho Federal de Farmácia a legalização o técnico de farmácia, aquele profissional que vai estar preparado para trabalhar com o farmacêutico e que vai responder eticamente por alguma coisa que ele não realizar de acordo com a ética profissional.

3 - Então atendente ou balconista não pode sugerir essa troca, como o senhor disse, esse é um ato privativo do farmacêutico?

PIANETTI “Balconista, atendente, não pode sugerir troca. Se ele for solicitado pelo paciente para realizar alguma troca, ou se ele tem alguma dúvida, a obrigação dele é imediatamente convocar o farmacêutico porque é esse profissional que está habilitado para indicar troca uma dar uma solução adequada à solicitação do paciente. O atendente está no balcão para atender a pedidos de receitas escritas e, mesmo assim, a partir da receita do que ele vai dispensar ele tem que solicitar a orientação do farmacêutico que deve estar presente no ambiente de trabalho. Então o atendente ele tem a sua especificidade, ele tem que ser um técnico de farmácia e nós temos que prepara-lo para tal, com capacidade e, principalmente, responsabilidade ética sobre o que ele está fazendo.

4 - Professor Pianetti, já são 22 anos da política nacional dos medicamentos genéricos, mas ainda existem pessoas que duvidam da eficácia desses produtos. Muitos não acreditam que eles possam ter o mesmo efeito do medicamento de referência. Há motivos pra isso?

PIANETTI “Existem pessoas que não dão o devido crédito ao medicamento genérico. Mas essas pessoas nem sempre são leigos não. Nós temos colegas farmacêuticos, médicos e outros profissionais da área da saúde que ainda colocam dúvidas sobre a questão da qualidade do medicamento genérico. Por ser farmacêutico, professor de uma universidade e por estar num laboratório de controle de qualidade de medicamentos, eu posso garantir que o medicamento genérico passou por todos os estudos de equivalência e demonstrou eficácia idêntica ao medicamento de referência. Então não há motivos para alegar que o medicamento não é bom.

5 - Segundo uma pesquisa do Ibope, quase 60% da população não sabe a diferença entre medicamentos de referência, genéricos e similares. O senhor poderia nos esclarecer melhor ao nosso ouvinte essa questão?

PIANETTI “ Realmente 22 anos depois esperava que essa pesquisa do Ibope apontasse um número menor da população que não conhece a diferença entre medicamentos de referência, genéricos e similares. Mas, será que a população precisa mesmo ter bem aprofundado o conhecimento sobre essas diferenças? Ou será que ela pode ir até à farmácia e buscar no farmacêutico essa orientação? Eu creio que o segundo caso é o mais lógico porque nós sabemos que o nível social, econômico e de escolaridade do povo brasileiro é muito amplo. Muita gente não tem ainda uma formação adequada para entender essas especificidades.

 



6 – Como reforça a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos, o dia 20 de maio é uma data a ser comemorada por todo brasileiro. A entidade justifica que a chegada dos medicamentos genéricos no país, há 22 anos, representou uma importante conquista. Desde que chegaram ao Brasil, em 1999, os medicamentos genéricos já proporcionaram uma economia de mais de R$ 180 bilhões para o consumidor. Afinal, eles são, no mínimo, 35% mais baratos que os medicamentos de referência. Mas esse não é o único motivo. Feitos com o mesmo princípio ativo dos medicamentos de que desenvolveram a fórmula, os genéricos são seguros e eficazes. Tanto que 79% dos brasileiros compram ou já compraram medicamentos genéricos. As vantagens claras, mas o que falta Dr Piannet, para acabar com esse mito de que genérico não tem a mesma eficácia?

PIANETTI “Quem tem mais um pouquinho de estrada aí na questão do medicamento e conheceu o arsenal e o cenário medicamentoso desse país entende que foi uma grande conquista a política dos medicamentos genéricos. Houve uma mudança de comportamento a partir do momento que essa lei foi promulgada. 22 anos é pouco, já poderíamos ter avançado mais. Tem países nos quais a política de genérico já tem 35 e 40 anos e com uma população muito mais esclarecida. Existe também uma questão política. Vários países fazem o ressarcimento do gasto com medicamento da população, aqueles que têm a sua previdência privada, e que fazem isso muito mais rápido e com maior vantagem para aqueles que adquirem o genérico. O genérico tem que ter o melhor e menor preço. Não basta mostrar que o medicamento genérico é tão bom quanto.

7 - Doutor, quando se fala de genéricos que orientação devemos dar aos farmacêuticos e aos pacientes? Por exemplo, como garantir uma intercambiabilidade segura e satisfatória para o paciente?

PIANETTI Acho muito importante Murilo que essa orientação que damos ao paciente seja única. Não há por que diferenciar entre uma orientação para o medicamento de referência, genérico ou similar. O cidadão tem liberdade de escolher o que ele quer. O cidadão está com uma indicação terapêutica e uma indicação em mãos e não há essa necessidade de dizer ao paciente que o medicamento é genérico. Há não ser que ele pergunte. O que nós precisamos ter é informações importantíssimas sobre ações terapêuticas que o medicamento vai provocar nele, os efeitos secundários que ele poderá ter, pra ele não se apavorar. Por exemplo, se puder causar diarreia, e isso acontecer, o que ele deve fazer. Esse é o papel do farmacêutico, garantir a intercambiabildiade, quando for o caso, e garantir que a satisfação do cliente esteja presente. Ele tem que sair da farmácia seguro, confiante da informação e do produto que ele está levando, seja ele qual for.

8 - Vale lembrar que, antes de 1999, os preços dos medicamentos de marca estavam subindo muito e, embora já existissem os similares, não havia garantia sobre sua qualidade. O que restava era pagar pelos altos preços ou deixar de tratar um sintoma ou até uma doença. Quando a Lei dos Medicamentos Genéricos (nº 9.787, de 10 de fevereiro de 1999) entrou em vigor, um marco histórico se estabeleceu na saúde pública do país. A lei vinha como principal agente da política nacional dos medicamentos genéricos, que tinha como objetivos: estimular a concorrência e a variedade de oferta no mercado de medicamentos; investir na qualidade dos medicamentos disponíveis; reduzir os preços; facilitar o acesso e a adesão da população brasileira ao tratamento de doenças. E agora professor quais são os desafios que precisam ser superados para que os genéricos possam cumprir o papel social para o qual foram criados?

PIANETTI Eu entendo que um dos maiores desafios que temos pela frente é em relação ao preconceito. Nós temos ainda pessoas com preconceito e que mais atrapalham do que ajudam no caso de se ter uma política mais séria. O medicamento genérico cumpriu e cumpre um papel social sim porque ele pode chegar até camadas da população menos favorecidas, devido a um preço melhor, mas é necessário que se trabalhe com o prescritor a quebra do preconceito para que ele não só prescreva o medicamento, mas também oriente o paciente. Tenho a impressão que, a cada dia, é um passo, que vamos dando. Entendo que a Anvisa precisa investir um pouco mais no acompanhamento da qualidade de todos os medicamentos, não só dos genéricos, é a famosa inspeção pós-registro, e não apenas avaliar um medicamento quando se tem um problema ou uma denúncia, isso é pouco, temos que ir adiante. Nós temos análises de orientação que as faculdades de Farmácia estão preparadas para fazer parte de um programa. Esse seria um programa sper interessante no qual a Anvisa poderia sublocar a esses laboratórios a análise de orientação e aquelas que dessem problema cairiam nas mãos da vigilância sanitária para fazer uma análise fiscal. Isso ajudaria bastante, porque nós temos no país mais de 50 laboratórios universitários que poderiam fazer esse tipo trabalho. Mensagem final: a questão do preconceito tem que cair. Se nós acreditamos temos que vender a imagem. Não existe nenhum elemento que possa garantir que o genérico do laboratório A é melhor do que o B. Temos que ter muito cuidado porque se os laboratórios encontram pessoas menos preparadas elas são facilmente manipuláveis. Esse é o nosso trabalho. Não podemos deixar que haja manipulação de informação. Essas informações da área da saúde têm que sair das faculdades, das universidades, dos conselhos Federal e regionais de Farmácia. E hoje temos também a Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil, que é mais uma entidade pró-saúde e pró-sociedade que está voltada para o bem-estar da população e para o bem que o medicamento venha a fazer ao paciente.

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Fonte: Comunicação do CFF

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