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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

Atuação do farmacêutico pode auxiliar no combate ao glaucoma

Data: 26/05/2020

Neste 26 de maio é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Glaucoma, uma doença crônica, silenciosa e responsável por acometer a visão devido ao aumento da pressão ocular, caso não seja tratada adequadamente pode levar a cegueira. A data busca chamar a atenção quanto aos cuidados com a doença, pois caso não haja diagnóstico precoce o glaucoma afeta o nervo óptico ocasionando danos irreversíveis à visão. O Conselho Federal de Farmácia (CFF) alerta sobre atenção aos sintomas da doença e reforça a importância do farmacêutico na orientação ao paciente e encaminhamento ao especialista médico.

Segundo dados do Ministério da Saúde a doença pode se desenvolver durante meses ou anos sem necessariamente apresentar sintomas. Além dos fatores de risco, como glaucoma hereditário na família, pessoas com alto grau de miopia ou idade acima dos 40 anos e diabéticos são mais propensos a desenvolver a doença. A organização Mundial da Saúde (OMS) estima que globalmente, 2,2 bilhões de pessoas têm uma deficiência visual ou cegueira e, 1 bilhão delas tenha deficiência visual que poderia ter sido evitada ou ainda não foi tratada.

A prevenção de doenças dos olhos também faz parte do escopo de atuação do farmacêutico, e em meio à pandemia de Covid-19, cuidar dos olhos é tão importante quanto lavar as mãos para evitar o contágio pelo novo coronavírus. “Diante da crise epidemiológica, hábitos higiênicos salvam vidas. Evitar levar as mãos à mucosa dos olhos, boca e nariz é essencial para prevenir qualquer tipo de infecção, o distanciamento social apenas não basta. Pacientes adeptos ao uso de lente de contato ou óculos devem redobrar os cuidados tanto no manuseio de ambos quanto no procedimento de higienização para preservar a saúde oftálmica”, afirma Angelita Cristine de Melo, doutora em Saúde Pública.

A farmacêutica alerta os colegas que atuam em farmácia comunitária que estejam atentos também a outras doenças dos olhos, em pacientes que recorrem frequentemente às farmácias. “Ao receber um paciente com queixas oftalmológicas, que solicita colírios ou pomadas sem prescrição médica, ou ainda pedindo soluções para lentes de contato o farmacêutico tem o dever de realizar anamnese e a partir da abordagem extrair informações essenciais que possam guiar a melhor conduta terapêutica”, ressalta Angelita Melo. Ela alerta que muitas vezes a solicitação pode ser atendida na farmácia com medicamentos isentos de prescrição médica e com educação do paciente para a correção uso inadequado dos produtos, mas frequentemente o atendimento oftalmológico é obrigatório e deve ocorrer o mais breve possível.

“O olho seco é uma condição comum e que pode ser tratada com medicamentos que são chamados de lágrimas artificiais. Estes fazem a lubrificação dos olhos ressecados por longos períodos na frente do computador, ambientes secos por baixa umidade relativa do ar ou por ar condicionado, dentre outras causas. Contudo, uma avaliação criteriosa deve ocorrer para descartar outras condições que podem ter sintomas semelhantes, bem como o acompanhamento da evolução do paciente é essencial. Neste caso, a ausência de melhora indica necessidade de encaminhamento para avaliação médica”, aponta a docente da UFSJ.

“Situações que são corriqueiramente avaliadas como simples e tratadas de forma caseira, por exemplo, a ardência ou coceira em pessoas que usam lentes de contato, a retirada de objetos estranhos dos olhos como insetos, areia, à exposição solar excessiva em decorrência de visita à uma piscina, cachoeira ou praia representam situações que devem ter avaliação médica imediata. Nestes casos a avaliação farmacêutica impedirá que o paciente se automedique incorretamente e atrase o diagnóstico e o tratamento necessários, e portanto, previne desfechos negativos ao encaminhar ao oftalmologista”, conclui a Angelita Cristine de Melo.

Angelita Melo destaca que o olho humano é repleto de particularidades, uma delas é a retina, uma camada fina de tecido nervoso localizada no interior do órgão que possui mais de 100 milhões de células fotossensíveis. “É importante ir ao médico oftalmologista uma vez por ano para acompanhar a saúde dos olhos e poder diagnosticar precocemente doenças como astigmatismo, catarata, miopia, presbiopia (vista cansada), glaucoma e hipermetropia. Pacientes diabéticos ou em uso de medicamentos que reduzem a produção de lágrimas precisam procurar o oftalmologista a cada 6 meses. Geralmente as pessoas procuram ajuda oftalmológica apenas quando apresentam sintomas de vista embaçada, incômodo nos olhos, ardência ou coceira e dor de cabeça”, explica a farmacêutica.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o Brasil possui cerca de 1,2 milhão de cegos, sendo que 700 mil ou 60% dos casos poderiam ter esta condição clínica evitada ou revertida se porventura tivessem o diagnóstico precoce e recebessem o devido tratamento antes do agravamento. O diagnóstico tardio associado à negligência do paciente a incômodos e sintomas percebidos por ele como corriqueiros, a automedicação com colírios e pomadas oftálmicos e uso incorreto de lentes e suas soluções são parte importante das causas de danos na visão da população, como explica a docente da Universidade Federal de São João Del-Rei, Angelita Melo.

“Muitas vezes o paciente que sofre com alguma irritação ocular, na ânsia de sanar seu problema, acaba buscando com conselho de leigos algum colírio ou produto que alivie seu desconforto. O papel do profissional farmacêutico é de extrema relevância no matriciamento destes pacientes atendendo as demandas que são simples como o olho seco ou encaminhando ao oftalmologista situações que parecem não serem complicadas, em análise leiga, mas que representam riscos à saúde ocular”, esclarece.

Fonte: Comunicação do CFF

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