03/02/2014 - Ministério prevê impacto positivo em até 30 anos

O secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, afirma que a vacina contra o HPV terá um impacto da prevenção de mortes que será observada "daqui a 20, 30 anos".

"É verdade que falta evidência, mas, por outro lado, é difícil dizer que isso não vá ocorrer, já que a vacina previne grande parte das infecções causadas pelo HPV."

Ele continua. "Esse argumento dos médicos de família de que ela não previne mortalidade não faz sentido. Se o HPV é responsável pelo câncer de útero, por que eu devo espera três décadas para começar a usar a vacina que já pode estar protegendo essas meninas? Não seria eticamente aceitável."

Outro benefício da vacinação contra o HPV observada em países que já a adotam há mais tempo é o chamado "efeito rebanho de imunidade coletiva". "Ela está reduzindo a prevalência do vírus entre meninos e meninas mais velhas", diz ele.

Barbosa afirma que não há nenhum relato comprovado de morte ou de sequelas graves relacionadas à vacina.

Nem no Japão, que deixou de recomendá-la após o registro de efeitos adversos graves, foi possível comprovar a relação deles com a imunização, segundo ele.

"Pode ter sido um lote ou algo que circulou naquele momento da vacinação. Outros países, com sistemas rigorosos de vigilância, não registraram nada grave", diz.

Segundo ele, o desafio é estabelecer uma relação causal entre esses eventos e a vacina.

"Quando você vacina milhões de pessoas, na semana seguinte, muitas vão parar no hospital ou até morrer por razões que nada tem a ver com a vacina. Mas é preciso notificar e investigar cada um desses casos", afirma.

IMPACTO

Mauro Romero Passos, chefe do setor de DST (Doença Sexualmente Transmissíveis) da Universidade Federal Fluminense, lembra que as doenças causadas por HPV vão além do câncer de colo e que a vacina terá um grande impacto sobre elas também.

Verrugas genitais, cânceres de cabeça e pescoço, de vulva, de vagina, de pênis, de ânus e de esôfago também estão associados ao HPV.

Segundo Jarbas Barbosa, secretário de vigilância em saúde do ministério, o início exato da vacinação em cada cidade vai depender do calendário estabelecido localmente.

O município de São Paulo, por exemplo, ainda não definiu quando e como será a vacinação, segundo a Secretaria Municipal de Saúde.

Barbosa afirma que o esquema vacinal adotado no país será o "estendido", em que a segunda dose é dada seis meses após a primeira, e a terceira dose é aplicada cinco anos após a primeira.

Na rede privada, a segunda dose é dada dois meses após a primeira.

O secretário explica que a estratégia brasileira é nova e já adotada por outros países, como a Suíça, como forma de estender a imunidade.

Fonte: Folha de S. Paulo

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