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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Cebrim Informa: 13.06.2013

 

 

Óleo de coco e emagrecimento: mito ou verdade?  

Elaboração: Alessandra Russo de Freitas.
Revisão: equipe de farmacêuticos do Cebrim/CFF.

O óleo de coco é uma mistura de 6 a 20 carbonos de cadeia saturada, principalmente ácidos graxos, como o ácido láurico e o ácido mirístico. É comumente usado como base para cremes e pomadas, em supositórios retais e vaginais, em algumas formas farmacêuticas sólidas e como plastificante(1).

Óleo de coco (Cocos nucifera L.) contém uma grande proporção de ácidos graxos de cadeia média, principalmente o ácido graxo saturado ácido láurico, este, em proporção na faixa de 45% a 50%(2).

A possível associação entre a ingestão de uma dieta com óleo de coco e a incidência de doença cardiovascular foi sugerida há quatro décadas, seguida por estudos conduzidos pela indústria de alimentos e envolvendo hidrogenação do óleo e modificação de alguns ácidos graxos insaturados presentes, particularmente o ácido oleico e linoleico. A base para alegação de efeitos deletérios do óleo de coco observada em experimentos com animais resultaram da hidrogenação dos ácidos graxos insaturados. Profissionais da saúde começaram a recomendar a substituição do óleo de coco por óleo de soja, também rico em ácidos graxos saturados. No entanto, estudos envolvendo populações Africanas e do Pacífico Sul, cujas dietas contêm grandes proporções de óleo de coco (80% da ingestão diária de lipídios) mostraram que não havia associação entre a ingestão de óleo de coco e a ocorrência de obesidade ou dislipidemia. Adicionalmente, o óleo de coco é frequentemente utilizado no tratamento da obesidade em virtude de seu alto teor de ácidos graxos de cadeia média, uma vez que os lipídios são facilmente oxidados e não são normalmente estocados no tecido adiposo, portanto, diminuindo a taxa de metabolismo basal. Contudo, o uso do óleo de coco na dieta ainda provoca controvérsia acerca dos possíveis efeitos dos ácidos graxos saturados e sua associação com dislipidemia e obesidade(2).

Ensaio clínico controlado, aleatório e com duplo-cego, realizado com 40 mulheres do estado de Alagoas, no Brasil, concluiu que o óleo de coco não produziu alterações indesejáveis no perfil lipídico de mulheres que apresentavam obesidade abdominal. Por outro lado, a ingestão de óleo de coco pareceu induzir um aumento da resistência periférica à insulina. O estudo concluiu que não apenas os ácidos graxos saturados possuem relação com obesidade, dislipidemia, ou são, sozinhos, fator de risco para as doenças cardiovasculares; mas que há a participação de múltiplos fatores: composição da dieta como um todo, bem como o estilo de vida individual. Concluiu então que seria importante avaliar os efeitos do óleo de coco em um período prolongado (o estudo foi realizado durante doze semanas)(2).

Estudo de coorte realizado com população de mulheres nas Filipinas mostrou que o óleo de coco aumentou significantemente os níveis do colesterol HDL em comparação com o grupo em que houve baixa ingestão de óleo de coco. Porém, os autores afirmam ser necessário mais estudos em outras populações para que se possa de fato comprovar se há associação benéfica no tocante ao uso do óleo de coco e se de fato o mesmo não traz prejuízos para a saúde(3).

Não foi encontrada evidência científica de bom nível (ensaios clínicos aleatórios, revisão sistemática com metanalise) que mostrasse ação terapêutica do óleo de coco para o tratamento da obesidade ou na diminuição do colesterol. Além disso, os dois artigos citados relatam que o óleo de coco não era usado na forma pura como suplemento à dieta, mas sim, para cozinhar os alimentos no dia a dia. Apesar de um dos estudos citados ser um ensaio clínico aleatório, o mesmo não conseguiu mostrar benefício quanto à diminuição de gordura abdominal ou mudanças positivas no perfil lipídico dos pacientes.

 

Referências:

1. Klasco RK. Martindale [Internet]. Estados Unidos: Thomson MICROMEDEX; Disponível em: http://www.thomsonhc.com/home/dispatch.
2. Assunção ML, Ferreira HS, Dos Santos AF, Cabral CR, Florêncio TMMT. Effects of dietary coconut oil on the biochemicalanthropometric profiles of women presenting abdominal obesity. Lipids. 2009;44(7):593–601.
3. Feranil AB, Duazo PL, Kuzawa CW, Adair LS. Coconut oil predicts a beneficial lipid profile in pre-menopausal women in the Philippines. Asia Pac J Clin Nutr. 2011;20(2):190–5.

 

 

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