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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Mononitrato e dinitrato de isossorbida

Pergunta 7385/2012 e 7727/2012

Mononitrato e dinitrato de isossorbida são intercambiáveis? Existem diferenças farmacocinéticas e/ou farmacodinâmicas significativas?

Resposta:

Mononitrato e dinitrato de isossorbida são vasodilatadores com as propriedades gerais dos nitratos. A forma de mononitrato (comprimido para administração oral e solução injetável) é metabólito ativo da forma dinitrato (comprimido sublingual) (FTN, 2010).

Existem diferenças relevantes de farmacocinética entre os fármacos. A absorção gastrintestinal, tanto de ambos, em comprimidos, é rápida e completa, porém a formulação de dinitrato sofre intenso efeito metabólico de primeiro passo, com pequenas variações entre os pacientes. Com a administração crônica, ocorre acúmulo plasmático significante, provavelmente como resultado da saturação do processo de biotransformação intra-hepático. Já a formulação de mononitrato não sofre efeito de primeira passagem no fígado, o que leva à biodisponibilidade de praticamente 100%, a concentração sanguínea alcançada não apresenta diferença entre os pacientes, o que permite prever com segurança os níveis plasmáticos e os efeitos de acordo com a dose administrada (ANVISA, 2012).

Além disso, as concentrações plasmáticas dos sais foram comparadas após administração de comprimidos sublinguais e comprimidos orais em voluntários. A meia-vida do dinitrato foi de 12 minutos para comprimidos sublinguais e de 30 minutos para comprimidos orais. Para mononitrato a meia-vida de comprimidos sublinguais foi de 5 horas e 48 minutos, enquanto que para os comprimidos orais foi 4 horas e 30 minutos. Comparando os perfis farmacocinéticos, observa-se que devido à sua alta lipofilicidade o
dinitrato de isossorbida é bem absorvido por via sublingual e permite redução dos sintomas da crise de angina em aproximadamente 5 minutos(Rename, 2007).

Quanto às indicações, o mononitrato de isossorbida permite posologia mais adequada na profilaxia da angina, por via oral, devido meia-vida maior. Estudos de eficácia comparativa em pacientes com angina relataram progressiva melhoria dos sintomas no final de 2 a 4 semanas com o uso de ambos os fármacos, porém, aqueles tratados com mononitrato tiveram menos ataques de angina. Estudo multicêntrico reportou que o mononitrato foi a alternativa mais efetiva em relação ao dinitrato no tratamento de manutenção da angina estável (Rename, 2007).

Em outras condições patológicas como a aterosclerose coronária, estudos relataram aparente equipotência de ambos os fármacos nas mudanças hemodinâmicas após administração aguda, sendo a duração do efeito maior com o mononitrato de isossorbida. Na dose oral de 40 mg, mononitrato duas vezes ao dia foi mais eficaz que dinitrato no tratamento de pacientes com doença coronariana isquêmica. No enfarte do miocárdio, mononitrato reduziu mais a pressão arterial diastólica e sistólica, e ainda a pressão atrial direita e a pressão diastólica ventricular esquerda, quando comparado a dinitrato (Rename, 2007).

Considerando que, em profilaxia, o mononitrato de isossorbida pode ser administrado em dose única diária, recomenda-se seu uso na prevenção da angina pectoris. O comprimido sublingual de dinitrato de isossorbida é recomendado para o tratamento das crises (BNF, 2012).

Dois medicamentos só podem ser intercambiáveis se forem bioequivalentes (FTN, 2010). Monitrato de isossorbida e dinitrato de isossorbida não são bioequivalentes e portanto, não podem ser intercambiáveis. Há diferenças farmacocinéticas importantes entre estes dois nitratos.

BIBLIOGRAFIA

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010. 2a. edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2010. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/FTN_2010.pdf

2. Anvisa. Bula do medicamento Isordil. Disponível em: http://www4.anvisa.gov.br/BularioEletronico/. Acesso em: 03.09.2012.

3. Anvisa. Bula do medicamento Monocordil. Disponível em: http://www4.anvisa.gov.br/BularioEletronico/. Acesso em: 03.09.2012.

4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Relação Nacional de Medicamentos Essenciais: Rename. 4. ed. rev. Brasília: Ministério da Saúde, 2007.

5. BRITISH MEDICAL ASSOCIATION, ROYAL PHARMACEUTICAL SOCIETY OF GREAT BRITAIN. British National Formulary. 63 ed. London: BMJ Publishing Group, APS Publishing, 2012. Disponível em: http://www.medicinescomplete.com. Acesso em: 27.03.2012.
 

16.10.2012.

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