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Risco cardíaco relacionado ao uso de ondansetrona

 

Risco cardíaco relacionado ao uso de ondansetrona

Tradução, adaptação e edição: Marco Sant' Anna e Cyro Caldeira
Revisão: Rogério Hoefler e Rebeca Gomes

Ondansetrona é um antagonista do receptor 5-HT3 da serotonina, usado na prevenção de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia e radioterapia em pacientes com câncer. Geralmente, a ondansetrona é administrada por via intravenosa, no início da quimioterapia, e nas consecutivas exposições aos antineoplásicos, durante os ciclos de tratamento. Por via oral, é usada na profilaxia de náuseas e vômitos causados por radioterapia em adultos. Também é empregada como profilático de náusea e vômito pós-operatórios, por via intravenosa.1

Recentemente, a agência regulatória dos Estados Unidos - FDA (FoodDrug Administration) divulgou alerta, aos profissionais de saúde daquele país, sobre o risco cardíaco associado ao uso de ondansetrona. A administração de 32 mg de ondansetrona, em dose única intravenosa, pode afetar a atividade elétrica do coração, prolongando o intervalo QTc; isto predispõe pacientes ao desenvolvimento de ritmo cardíaco anormal e potencialmente letal, conhecido como Torsades de Pointes.2-4

Nos Estados Unidos, a companhia farmacêutica Glaxo SmithKline removeu da bula do medicamento Zofran®, cujo princípio ativo é ondansetrona, a indicação de dose única intravenosa de 32 mg. Naquela bula permanece a indicação de uso da ondansetrona para prevenção de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia, em adultos e crianças, em três doses diárias de 0,15 mg/kg, com intervalo de quatro horas entre elas; contudo, cada uma das doses intravenosas não deverá exceder a 16 mg.2,3

A nova informação não altera os regimes posológicos orais recomendados para a ondansetrona, incluindo a dose única oral de 24 mg, para prevenção de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia.2,3
 

A bula brasileira do medicamento de referência Zofran® (Glaxo SmithKline), disponível no bulário eletrônico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ainda não foi atualizada (2004) e não menciona o risco de arritmias potencialmente letais; nela consta:5

“Têm-se relatado muito raramente e predominantemente com ondansetrona intravenosa, alterações passageiras do ECG, incluindo prolongamento do intervalo QT”.

A bula do mesmo medicamento disponível no site da Glaxo SmithKline é mais atual (2009), e apresenta a seguinte informação:6

“São raros os relatos de alterações transitórias no ECG (que incluem o prolongamento do intervalo QT) em pacientes recebendo ondansetrona. Além disso, casos pós-comercialização de Torsades de Pointes tem sido relatados em pacientes usando ondansetrona. Zofran® deve ser administrado com precaução em pacientes que possuem ou podem desenvolver prolongamento do QTc. Essas condições incluem pacientes com distúrbios eletrolíticos, pacientes com a síndrome do QT longo congênito, ou pacientes que tomam outros medicamentos que levam ao prolongamento QT”.

A monografia da ondansetrona, disponível no Formulário Terapêutico Nacional (FTN 2010),1 na seção “Efeitos Adversos”, menciona:

“Efeitos graves, inferior a 1%, dentre estes os destaques para arritmia cardíaca, parada cardíaca, hipotensão, bradicardia, angina, broncoespasmo, laringoespasmo, anafilaxia.”

É importante salientar, contudo, que o prolongamento do intervalo QTc é efeito potencialmente associado também a outros antagonistas dos receptores 5-HT3 (ex.: granisetrona e dolasetrona).7

Os prescritores devem estar atentos a pacientes que apresentam fatores de risco para prolongamento do intervalo QTc, tais como história clínica de prolongamento de intervalos da condução cardíaca (em especial o QTc), alterações eletrolíticas significantes e uso concomitante de outros fármacos que promovem prolongamento do intervalo QTc (ex.: bromoprida, metoclopramida, granisetrona, indapamida, claritromicina, eritromicina, sulfametoxazol, trimetoprima, clorpromazina, droperidol, haloperidol, pimozida, amitriptilina, clomipramina, doxepina, mianserina, cloroquina, halofantrina, difenidramina, dimenidrinato, prometazina, pentamidina, tacrolimo).8

 Referências Bibliográficas (clique e acesse)

1. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos. Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Formulário Terapêutico Nacional 2010: Rename 2010. 2a. edição. Brasília: Ministério da Saúde, 2010, p. 173, 582. Disponível em: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/FTN_2010.pdf

2. U. S. FoodDrug Administration (FDA). Ondansetron (Zofran) IV: Drug Safety Communication - QT prolongation. Disponível em: http://www.fda.gov/Safety/MedWatch/SafetyInformation/SafetyAlertsforHumanMedicalProducts/ucm310219.htm. Acesso em: 03.07.2012.

3. Nelson R. FDA Issues on QT Prolongation Risk With Ondansetron. Medscape News Pharmacists, 29.06.2012. Disponível em: www.medscape.com/viewarticle/766693. Acesso em: 03.07.2012.

4. Matthew JH, Namdar R, Seibold GE, Page RL. Effect of intravenous ondansetron on QT interval prolongation in patients with cardiovascular diseaseadditional risk factors for torsades: a prospective, observational study. PMC, PMCID: PMC3202761, 03.10.2011. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3202761/?tool=pubmed. Acesso em: 03.07.2012.

5. Glaxo SmithKline. Bula do medicamento Zofran®. In: Bulário eletrônico Anvisa. Disponível em: http://www4.anvisa.gov.br/base/visadoc/BM/BM[25713-1-0].PDF. Acesso em: 03.07.2012.

6. GlaxoSmithKline. Bula do medicamento Zofran®. Disponível em: http://www.gskpacientes.com.br/detalhes/140/.aspx. Acesso em: 03.07.2012.

7. Keller GA, Ponte ML, Di Girolamo G. Other drugs acting on nervous system associated with QT-interval prolongation. PubMed 05.01.2010, PMID:20210727. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20210727. Acesso em: 03.07.2012.

8. De Bruin ML, Langendijk PN, Koopmans RP, Wilde AA, Leufkens HGM, Hoes AW. In-hospital cardiac arrest is associated with use of non-antiarrhythmic QTc-prolonging drugs. British Journal of Clinical Pharmacology 2007; 63: 216–223.
 

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