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Domperidona: risco de arritmia ventricular e morte cardíaca súbita

 

Domperidona: risco de arritmia ventricular e morte cardíaca súbita

 

Tradução, adaptação e edição: Cyro Caldeira e Rogério Hoefler
Revisão: Marco Sant' Anna e Rogério Hoefler

Domperidona (Domperix® - Eurofarma; Motilium®- Janssen-Cilag) é antagonista de dopamina com propriedades antieméticas, empregada no tratamento de náuseas, vômitos, desconforto epigástrico e abdominal, e regurgitação (motivo pela qual é utilizada nos tratamentos de doença do refluxo gastresofágico [DRGE]).1

Alguns estudos epidemiológicos2-5 demonstraram que a domperidona está associada a um aumento no risco de arritmia ventricular grave e morte cardíaca súbita. Esses riscos podem ser mais significantes em pacientes com idade superior a 60 anos3 e em pacientes que recebem doses orais diárias superiores a 30 mg.2

Embora a domperidona seja muito prescrita para o tratamento de DRGE, tal abordagem terapêutica tem fundamento em limitadas evidências científicas; nestes casos, recomenda-se o uso de um inibidor da bomba de prótons (ex.: omeprazol, lanzoprazol, pantoprazol, etc) e/ou antagonista do receptor H2 (ex.: ranitidina, famotidina, etc.).6

De acordo com La Revue Prescrire, uma revista francesa independente de renome internacional, é inaceitável expor pacientes com simples refluxo gastresofágico ou náusea e vômito a um risco de arritmia ventricular grave e morte súbita, por isso, o uso de domperidona deveria ser evitado. Se medidas de estilo de vida forem insuficientes para controlar refluxo gastresofágico, os pacientes podem ser tratados com antiácido ou inibidor da bomba de prótons. Também não se justifica o uso de domperidona como indutor de lactação (uso off-label). 7

Um alerta divulgado pela Health Canada (agência reguladora canadense), em março de 2012, advertiu sobre riscos cardíacos associados ao uso de domperidona. No alerta, os fabricantes deste medicamento informaram os profissionais da saúde daquele país sobre os riscos e recomendaram início do tratamento com a menor dose possível em adultos, incluindo aqueles com doença de Parkinson. Se necessário, a dose pode ser aumentada com cautela até alcançar o efeito esperaso, conquanto que o benefício do aumento da dose supere os potenciais riscos ao paciente. O alerta também ressaltou o aumento do risco de prolongamento do intervalo QT quando a domperidona é associada a inibidores da CYP3A4 (ex.: fluconazol, cetoconazol, eritromicina, etc) em razão do aumento da concentração plasmática do antiemético.8

Com base nas evidências trazidas à tona pelos estudos e alertas analisados, é importante que os profissionais da saúde e os pacientes sejam advertidos sobre os riscos associados ao uso de domperidona, visando sempre o uso racional do medicamento. Entre as medidas de segurança que devem ser levadas em consideração, estão:

• Evitar o uso de domperidona em situações clínicas para as quais sua eficácia e segurança não foram devidamente demonstradas, tais como doença de refluxo gastresofágico e como indutor de lactação.

• Os prescritores devem estar atentos a pacientes que apresentam fatores de risco como:

- prolongamento de intervalos da condução cardíaca (em especial o QT);
- alterações eletrolíticas significantes;
- problemas cardíacos como insuficiência cardíaca congestiva e que recebem medicamento para tais condições, particularmente aqueles com idade superior a 60 anos e que recebem dose oral de domperidona superior a 30 mg/dia.
- A domperidona deve ser evitada em pacientes que já usam fármacos que promovem prolongamento do intervalo QT, tais como:5
- Antieméticos: bromoprida, granisetrona, metoclopramida, ondansetrona.
- Cardiovascular: indapamida.
- Antibacterianos: claritromicina, eritromicina, sulfametoxazol, trimetoprima.
- Antipsicóticos: clorpromazina, droperidol, haloperidol, pimozida.
- Antidepressivos: amitriptilina, clomipramina, doxepina, mianserina.
- Antimaláricos: cloroquina, halofantrina.
- Anti-histamínicos: difenidramina, dimenidrinato, prometazina.
- Outros: pentamidina, tacrolimo.
- Os pacientes devem ser advertidos a procurar cuidado médico imediato caso surjam sintomas como síncope ou taquicardia durante o tratamento.

Traduzido e adaptado de: MHRA. Domperidone: small risk of serious ventricular arrhythmiasudden cardiac death. Drug Safety May 2012, vol 5 issue 10: A2. Disoponível em: http://www.mhra.gov.uk/Safetyinformation/DrugSafety/CON152725. Acesso em: 06.07.2012.

 


Referências:
1. British Medical Association, Royal Pharmaceutical Society of Great Britain. British National Formulary. 63th ed. London: BMJ Publishing Group, APS Publishing, 2012. Disponível em: http://www.medicinescomplete.com Acesso em: 06.07.2012.
2. van Noord C, Dieleman JP, van Herpen G, Verhamme K, Sturkenboom MC. Domperidoneventricular arrhythmiasudden cardiac death: a population-based case-control study in the Netherlands. Drug Safety 2010; 33: 1003–1014.
3. Johannes CB, Varas-Lorenzo C, McQuay LJ, Midkiff KD, Fife D. Risk of serious ventricular arrhythmiasudden cardiac death in a cohort of users of domperidone: a nested case-control study. PharmacoepidemiologyDrug Safety 2010; 19: 881–888.
4. Straus SM, Sturkenboom MCJM, Blemink GS, Dieleman JP, van der Lei J, de Graeff PA, et al. Non-cardiac QTc-prolonging drugsthe risk of sudden cardiac death. European Heart Journal 2005; 19: 2007–2012.
5. De Bruin ML, Langendijk PN, Koopmans RP, Wilde AA, Leufkens HGM, Hoes AW. In-hospital cardiac arrest is associated with use of non-antiarrhythmic QTc-prolonging drugs. British Journal of Clinical Pharmacology 2007; 63: 216–223.
6. Moayyedi P, Delaney B. GORD in adults. ClinicalEvidence 2008; 06: 403.
7. Prescrire International. Domperidone: ventricular arrhythmiasudden death (continued). Rev. Prescrire 2012; 32(341): 196-197.
8. World Health Organization. Domperidone: Association with serious ventricular arrhythmiassudden cardiac death. WHO Pharmaceuticals Newsletter 2012; 2: 7.

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