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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

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Oficina debate serviços profissionais - inclusive prescrição farmacêutica - em farmácias comunitárias

Data: 19/06/2012

Em uma ação inédita - e considerada “complexa e ousada” por representantes do setor -, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) está reunindo, hoje (19.05.12) e amanhã, no auditório do San Marco Hotel, em Brasília, 40 excelências da profissão farmacêutica, entre docentes da área clínica de cursos de Farmácia e representes de instituições científicas, em torno de um amplo debate sobre os serviços farmacêuticos, em farmácias comunitárias. O que o CFF pretende com o evento é produzir um pensamento comum acerca dos cuidados profissionais, inserindo neles a prescrição farmacêutica.

 

O Presidente do CFF, Walter Jorge João, ao abrir o evento, que leva o nome de 1ª Oficina Sobre Serviços Farmacêuticos em Farmácias Comunitárias, ressaltou que, ali, estão ilustres colegas renomados, nacional e internacionalmente, “com o objetivo de buscarem, de forma consensual, respostas para a Farmácia e para o farmacêutico que queremos”.

Walter Jorge lembrou o ineditismo do feito – o de reunir a academia para debater serviços farmacêuticos, nas farmácias comunitárias, à luz da clínica farmacêutica. “Aqui, vamos discutir um assunto que está no âmago de nossa profissão, que é a prescrição farmacêutica”, adiantou o Presidente do CFF.

O dirigente do Conselho Federal de Farmácia esboçou um quadro bastante cinza da Farmácia, em decorrência das investidas que a profissão farmacêutica vem sofrendo, ao longo dos anos, por parte de outras profissões e mesmo de órgãos de todas as esferas de Governo e de outros poderes. Lembrou, a título de exemplo, que, recentemente, um deputado (Sandro Mabel - PMDB-GO) incluiu numa Medida Provisória, originalmente de grande alcance social, um artigo que autorizava a venda de medicamentos, em supermercados, armazéns e lojas de conveniência.

Segundo o dirigente do CFF, se a Presidenta Dilma não tivesse vetado essa MP, a população brasileira, que já figura entre as que mais se automedicam, no mundo, correria um grande risco, devido ao decorrente aumento do uso irracional de medicamentos com a venda sem controle sanitário, em um ambiente completamente alheio à saúde e sem poder contar com os serviços prestados pelos farmacêuticos, como a orientação, no ato da dispensação desses produtos.

O Presidente do Conselho Federal de Farmácia surpreendeu a todos, ao dizer que, no dia 28 deste mês, pouco tempo após o veto presidencial à venda de medicamentos, em supermercados, a Anvisa (Agência Nacional de Medicamentos) realizará uma audiência pública para discutir a exposição dos medicamentos, nas farmácias e drogarias. Ele lembrou que a mesma Agência havia retirado esses produtos do acesso da população, nos estabelecimentos farmacêuticos.

Citou, ainda como responsáveis pela cor cinza do quadro que ele apresentou, as permanentes “invasões” e a série de desrespeitos perpetrados contra a profissão. “Nós temos que ficar, o tempo todo, correndo atrás do prejuízo. Agora, é hora de nos unirmos, para tomarmos posições mais agressivas e dianteiras em favor dos nossos direitos”, conclamou Walter Jorge. Fez questão de salientar que “posições agressivas” não têm relação alguma com violência, mas com determinação e com vontade política.

Foi incisivo, ao apelar aos farmacêuticos para que defendam, unidos e em todas as instâncias, os seus direitos. “Se não lutarem, os farmacêuticos não conseguirão regulamentar a prescrição farmacêutica (de medicamentos isentos de prescrição - MIPs) tão necessária à sociedade, deixando que esse serviço vá para as mãos de outros profissionais não qualificados para executá-lo, o que seria um risco para a população. E, se isto acontecer, não seremos acusados de não termos lutado em defesa dos nossos direitos consagrados”, frisou o Presidente do CFF.

A união, enfatizou Walter Jorge em tom de conclamação, é o caminho que poderá levar às mudanças reclamadas pela categoria farmacêutica. Disse, ainda, que a profissão está fragmentando-se e que não se pode aceitar essa situação. “A Farmácia é uma e tem que andar coesa e unida”, acrescentou.

Para Dr. Walter Jorge, é preciso saber que instrumentos legais respaldam a prescrição por outros profissionais. “Ninguém questiona a prescrição realizada por outros profissionais, mas questiona a prescrição feita por aquele que é a autoridade máxima em medicamentos e em terapia medicamentosa: o farmacêutico. Por que? Daqui a pouco, outros irão assumir a prescrição de MIPs”, alertou.

O Presidente do CFF fez questão de salientar que o Órgão está realizando a de 1ª Oficina Sobre Serviços Farmacêuticos em Farmácias Comunitárias sem ter nenhum documento pronto. “Queremos exatamente que os senhores, que são as cabeças pensantes da profissão farmacêutica, ajudem-nos a trazer as respostas a todas as perguntas que gritam no coração da profissão”, concluiu, dirigindo-se aos participantes.

TEMAS – De temário rico e diverso, a oficina, coordenada pelo Assessor da Presidência do CFF, professor Tarcísio Palhano, e executada pela Assessoria Técnica do Conselho, iniciou-se com uma exposição da farmacêutica Pamela Alejandra, da equipe do Cebrim (Centro Brasileiro de Informações sobre Medicamentos)/CFF, sobre o panorama internacional sobre prescrição farmacêutica.

A Dra. Pamela Alejandra Saavedra lembrou que países da Europa, Estados Unidos e Canadá encontraram na prescrição farmacêutica a alternativa segura para resolver problemas nos seus sistemas de saúde. Ressaltou a prescrição farmacêutica admitida por esses países é reflexo direto do contexto social e sanitário que eles viviam. Ali, a população passou a envelhecer e as decorrentes doenças crônicas causaram um enorme impacto nos sistemas de saúde, como o descontrolado crescimento dos gastos com a farmacoterapia. O controle da situação veio, quando os governos desses países autorizaram a prescrição farmacêutica.

A exposição seguinte ficou a cargo do assessor técnico do CFF, José Luiz Maldonado, que abordou o contexto nacional da regulamentação dos serviços farmacêuticos e da prescrição por enfermeiros e nutricionistas. A professora e assessora do Conselho Federal, Zilamar Fernandes, foi outra expositora. Ela traçou um panorama da educação farmacêutica, no Brasil, sob a perspectiva da relação ensino/serviços farmacêuticos com vistas aos sistemas de saúde. Já a farmacêutica Josélia Frade, que também integra a Assessoria Técnica do CFF, discorreu sobre as ações do Conselho Federal de Farmácia relacionadas aos serviços farmacêuticos. Josélia Frade observou que o Órgão, nos últimos dez anos, produziu ações e elaborou normas importantes focalizadas nos serviços farmacêuticos.

Agora à tarde, a oficina está abrindo espaço para relatos voluntários de experiências de seus participantes relacionadas à prática de serviços farmacêuticos. A última atividade desta terça-feira será um trabalho de grupos. Amanhã, os grupos voltam a se reunir, para discutir temas a serem propostos. A oficina chegará ao seu ponto máximo, quando se formará uma plenária em que os grupos apresentarão suas conclusões sobre os estudos realizados.

CLÍNICA FARMACÊUTICA – O Coordenador da oficina, Tarcísio Palhano, enfatizou que um dos méritos do evento é reunir alguns dos mais experientes professores de farmácia clínica do Brasil para que deem suas contribuições aos debates sobre o tema. Os cuidados têm na clínica a sua alma.

“A clínica é o que move os cuidados farmacêuticos”, explica o professor Tarcísio Palhano, responsável pela implantação do primeiro Serviço de Farmácia Clínica, no Brasil, em 1979, no Hospital Universitário Onofre Lopes (da UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte), em Natal. É professor de Farmácia Clínica e foi orientador do Estágio Supervisionado Farmacêutico do curso de Farmácia da mesma Universidade. Foi Diretor da Farmácia do Hospital Universitário Onofre Lopes/UFRN.

Ele informou que o CFF quer, por meio da oficina, amplificar os debates sobre cuidados farmacêuticos, inserindo neles a prescrição farmacêutica. O evento, explicou o professor, está subsidiando o Conselho e, por conseguinte, todos os farmacêuticos brasileiros, de informações sobre serviços à luz da prescrição realizada, no mundo; da legislação pertinente, no Brasil, emanada do Legislativo, do CFF e da Anvisa; do conjunto normativo que dá sustentação a que outras profissionais (enfermeiros e nutricionistas) realizem a prescrição de medicamentos. “Queremos saber por que outros profissionais podem prescrever, e os farmacêuticos, não”, concluiu Tarcísio Palhano.

 

Fonte: CFF
Autor: Pelo jornalista Aloísio Brandão, Assessor de Imprensa do CFF.

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