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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

ARTIGO: Medicamentos e orientação

Data: 25/09/2008

 

A imprensa, no Brasil e no mundo, vem falando sistematicamente do crescente número de problemas relacionados ao uso do medicamento. São intoxicações, interações com outros medicamentos e alimentos, além de outros efeitos negativos. O interesse dos órgãos de comunicação pelo assunto reflete a preocupação da humanidade com a gravidade da questão. Mas, agora, o enfoque dos noticiários traz uma novidade: o reconhecimento de autoridades de que a orientação prestada aos pacientes, nos locais onde se lida com medicamentos, é que pode levar a uma redução expressiva dos efeitos negativos dos produtos farmacêuticos.
 
O medicamento, mesmo os (aparentemente) "inofensivos" analgésicos e colírios, podem desencadear diferentes reações adversas - algumas graves -, principalmente efeitos colaterais. Essas reações são inerentes ao medicamento. Mas é possível controlá-las, ou diminuir a níveis baixíssimos a sua incidência, se o farmacêutico prestar aos pacientes os seus serviços, entre os quais a orientação sobre o uso coreto das substâncias. O farmacêutico é o profissional, técnica, científica e legalmente habilitado para esta prática.
 
Recentemente, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), órgão do Ministério da Saúde, fez um estudo sobre intoxicações por medicamentos, no Brasil. O resultado é alarmante. Em 2006, quase 33 mil pessoas foram intoxicadas por uso desses produtos            . As causas foram várias, como o uso acidental, erros na administração, efeitos adversos, interações medicamentosas ou entre medicamentos e alimentos, automedicação e uso irracional. Os medicamentos responsáveis por casos de intoxicação, em mais de 70% das vezes, foram adquiridos com receita médica, em farmácias. Pior: apenas 25% dos que adquiriram os produtos foram orientados.
 
Os efeitos negativos dos medicamentos, além dos cidadãos, mina, também, a saúde dos sistemas público e privado de saúde. Os hospitais gastam fábulas com esses problemas, inclusive com o retorno de pacientes (muitos precisam ser internados) em decorrência de complicações causadas pelo uso de fármacos. Nas emergências, 40% dos pacientes são atendidos em decorrência de problemas causados por essas substâncias.
 
A situação insustentável não é uma mancha apenas na saúde brasileira. Estatísticas revelam que, nos Estados Unidos, as reações indesejáveis a medicamentos são a quarta causa de morte. Matam mais que a Aids.
 
Portanto, os motivos são suficientes para que os governos, em todas as instâncias - e eu apelo especialmente aos prefeitos -, adotem medidas urgentes para reverter o quadro. Em 2007, o Ministério da Saúde, convencido pelo Conselho Federal de Farmácia, deu um passo decisivo neste sentido: criou o Núcleo de Apoio à Saúde da Família (NASF). Mais: no dia 24 de setembro, o Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, anunciou o programa "A informação é o melhor remédio".
 
Temporão declarou que, "por meio de políticas públicas, é preciso recolocar o uso de medicamento de maneira adequada, com mais informação e segurança à população, a partir da prescrição médica e do trabalho do profissional farmacêutico".
 
Sobre o NASF, cada núcleo está sendo implantado, nos Municípios que firmarem parcerias com o Ministério. Ali, irão atuar os farmacêuticos junto às equipes do PSF (Programa Saúde da Família). Isso teria mesmo que acontecer. Afinal, nos postos do PSF, lida-se com medicamentos. Deixar o paciente sem orientação sobre o medicamento é abandoná-lo à própria sorte, o que só agrava o seu quadro de saúde.
 
Em muitas farmácias e drogarias particulares, a situação é grave. Várias não mantêm o farmacêutico presente, deixando os balcões livres para a prática da "empurroterapia" por parte de alguns balconistas interesseiros, famintos por comissões sobre as vendas e pressionados para ampliar os lucros dos estabelecimentos.
 
Essas farmácias e drogarias perderam o sentido de saúde e assumiram a lógica do mercado. Elas se transformaram em mercearias e fizeram do medicamento uma mercadoria, quando este, em verdade, é um bem social a serviço da recuperação da saúde das pessoas. O medicamento, quando vendido sem a orientação farmacêutica, pode restringir-se apenas à condição de produto químico, que cura, ou mata com a mesma intensidade. O que faz a diferença é a orientação que deve ser agregada a ele.
 
Os estabelecimentos desconectados do sentido de saúde afirmam que faltam farmacêuticos, no mercado, e, por isso, não têm como contratá-los. Isso é uma balela. O Brasil tem 120.642 farmacêuticos para 71.885 farmácias e um menor número de outros estabelecimentos (laboratórios de análises clínicas, indústrias de medicamentos, de alimentos e de cosméticos, entre outras). E, por ano, é lançada, no mercado brasileiro, cerca de dez mil novos farmacêuticos.
 
Está claro que não basta o paciente ter o acesso ao medicamento, se ele não acessar, também, a orientação. Ela é o que dá segurança ao usuário do medicamento. As autoridades - eu insisto em me dirigir às municipais - precisam sensibilizar-se para isso. Do contrário, iremos expandir mais ainda as nossas estatísticas sobre os problemas relacionados ao uso dos medicamentos.

Fonte: CFF
Autor: Jaldo de Souza Santos - Presidente do CFF


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