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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

DIA DO FARMACÊUTICO:

Data: 21/01/2011

“Buscamos o conhecimento, para entendermos o tratamento do ser e o ser que tratamos”. (Jaldo de Souza Santos, Presidente do CFF)

A qualidade dos serviços prestados à população, a busca dos conhecimentos técnico-científicos e humanísticos e a consciência de que deve imprimir um sentido de responsabilidade social em cada ação foram a tônica da solenidade comemorativa ao Dia do Farmacêutico, realizada pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), ontem (20,01) à noite, no auditório do Memorial JK, em Brasília. O auditório ficou pequeno para o grande número de pessoas que foram participar da cerimônia cujo momento mais aguardado foi a entrega da Comenda do Mérito Farmacêutico pelo CFF a profissionais que contribuíram para o desenvolvimento da saúde e o engrandecimento da profissão farmacêutica, no Brasil.

Para o Presidente do CFF, Jaldo de Souza Santos, idealizador da solenidade e da Comenda do Mérito Farmacêutico, em 1998, em seu primeiro mandato – elas foram criadas por Resolução aprovada pelo Plenário do Órgão -, o conhecimento é a tradução da Farmácia. “Criamos, entre os profissionais e acadêmicos, a cultura da busca do conhecimento técnico-científico e humanístico, para entendermos o tratamento do ser e o ser que tratamos”, declarou Souza Santos, em discurso, durante a cerimônia. O seu pronunciamento foi interrompido, várias vezes, pelos aplausos da platéia. Para ele, a busca obstinada do farmacêutico pelo conhecimento está ajudando a compor o novo perfil dos profissionais.

Dr. Jaldo de Souza Santos enfatizou que a profissão farmacêutica, embora milenar, passa por provações: “Ainda temos que provar às autoridades e a parte da população – como se isso fosse necessário – que somos importantes à saúde”. Mas observou que grandes conquistas, frutos de lutas renhidas, estão chegando e trazendo novos eixos de perspectivas à profissão (ver o discurso do Presidente do CFF, na íntegra).

FALANDO PELOS HOMENAGEADOS - Outro discurso que comoveu os convidados foi o da farmacêutica Nara Luiza de Oliveira, Conselheira Federal de Farmácia Suplente pelo Estado de Goiás. Ela falou pelos homenageados. Com a voz embargada, disse que escolheu ser farmacêutica por acreditar que é possível dedicar-se ao ser humano.

Nara Luiza enfatizou que, apesar dos avanços conquistados pela profissão, há muito a ser feito. “Em nosso País, a Farmácia vem sendo, há muitos anos, vilipendiada, ofendida e abusada. Para nós, farmacêuticos, é muito difícil admitir, por dados concretos, que o cidadão brasileiro não tem acesso ao medicamento. E mais triste, ainda, é saber que essa situação dá-se pela ausência do profissional nos serviços público e privado de saúde”, declarou a farmacêutica.

Ela tocou, ainda, em pontos nevrálgicos da “desassistência” farmacêutica. Citou que o Judiciário é acusado de judicializar o medicamento, ou de usurpar competências administrativas. “Mas a realidade é bem diversa. O que existe é o descaso com a profissão farmacêutica e a invasão de prerrogativas profissionais, com a usurpação, por outros profissionais de saúde, de prerrogativas do processo de assistência farmacêutica. Ou seja, há outros profissionais de saúde não qualificados exercendo indevidamente atividades farmacêuticas, causando prejuízos ao Estado, pois não entendem dos processos de armazenamento, guarda, distribuição e dispensação do medicamento. A Corregedoria Geral da União e o Tribunal de Contas da União tem exigido a presença de profissionais farmacêuticos nos setores de saúde, mas as vozes, ainda, são isoladas”, declarou a Dra. Nara Luiza de Oliveira.

Ela alertou que a ausência de farmacêuticos gera prejuízo econômico aos serviços de saúde, com o desperdício, falta de controle, gastos exacerbados nas compras desnecessárias e a utilização indevida de medicamentos.

O EXEMPLO DO PROVISIONADO - Singelo, mas não menos emocionante, foi o breve pronunciamento do oficial de farmácia (provisionado) João José de Oliveira. “Feliz é o homem que recebe, mesmo sem merecer”, ressaltou, referindo-se à Comenda que lhe fora outorgada pelo CFF. Disse que jamais conseguiria retribuir a homenagem que tanto o deixou emocionado.

A homenagem ao Sr. João José de Oliveira foi o reconhecimento do Conselho Federal de Farmácia a todos os provisionados. Sobre eles, disse o Presidente do CFF: “Os provisionados são valorosos homens que, pela natural dificuldade de acesso ao ensino superior, não se formaram farmacêuticos, mas são da farmácia; não passaram pela Universidade, mas foram preparados pela vida, pela prática e pela necessidade para servir, num tempo em que, principalmente, nos interiores mais longínquos, o acesso à saúde era um sonho igualmente distante. Os provisionados foram bravos e únicos soldados da saúde, no seu tempo, em muitas comunidades”.

Muitos provisionados fizeram de suas farmácias reservas de solidariedade, de amizade e de manutenção da qualidade de vida das populações, em um tempo que não havia nenhum outro profissional da saúde, no lugar. Eram verdadeiros centros de convivência das sociedades.

Nascido em 1925, no sertão baiano, João José de Oliveira descobriu, cedo (aos 14 anos), a sua vocação para o mundo dos medicamentos, ao atuar como auxiliar na Farmácia do Povo, no Município de Santa Luzia, hoje, Santa Luz, na Bahia. Em 1941, em Salvador, obteve o título de prático farmacêutico ou oficial de farmácia junto ao Departamento de Saúde da Secretaria de Educação e Saúde da Bahia. Um ano depois, criou a sua Farmácia Socorro, em Valente (BA), a primeira do lugar. Era o único referencial de saúde de toda aquela região pobre do Estado, desprovida de assistências médica, hospitalar e odontológica.

Mas se não teve a oportunidade de estudar Farmácia, João José esmerou-se em proporcionar o estudo aos filhos. Um deles, Aroldo Cedraz de Oliveira, é Ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), e estava presente à solenidade do Dia do Farmacêutico.

João José de Oliveira fez a seguinte revelação: “Em defesa da vida, realizei até o que não devia: procedimentos cirúrgicos e odontológicos, partos, atendimentos emergenciais, além da manipulação de medicamentos”. Lembra-se, como um dos momentos mais marcantes de sua lida, a chegada da penicilina, em Valente. A idade não lhe subtraiu o desejo de continuar a servir os conterrâneos. Aos 85 anos, lá, está ele, diariamente, de sol a sol, ao balcão de sua Farmácia Socorro, que completou 70 anos de fundada.
 

Fonte: CFF
Autor: Pelo jornalista Aloísio Brandão, Assessor de Imprensa do CFF.

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