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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

CFF alerta sobre risco do uso hidroxicloroquina para tratar a Covid-19

Data: 20/03/2020

Um pronunciamento feito pelo presidente dos EUA na quinta-feira (19) sobre a possível eficácia dos fármacos hidroxicloroquina e cloroquina contra o coronavírus, fez com que muitas pessoas, inclusive profissionais da saúde, corressem às farmácias e drogarias para comprá-los, mesmo sem evidências científicas robustas de que funcionem para tratamento da COVID-19. O estoque de medicamentos contendo esses fármacos acabou em diversas cidades. A situação alertou autoridades de saúde e pacientes que fazem tratamento com o produto no Brasil. É o caso da carioca Patrícia Cantero, que faz utilização contínua da hidroxicloroquina há dois anos para o tratamento de Lúpus.

Patrícia é parte de um grupo de pacientes com a doença crônica, que se comunicam e se apoiam por meio de uma rede social. Na comunidade virtual, muitos demonstraram grande preocupação com o desabastecimento de hidroxicloroquina e cloroquina. “Essa ‘medicação’ é de suma importância para nós e para os pacientes com doenças reumáticas. Então, por favor, não compre. Vai faltar para quem realmente precisa. Já é muito difícil encontrar porque a distribuição é pouca, e em outros Estados já está faltando.”

A farmacêutica do Centro de Informação sobre Medicamentos (Cebrim) do Conselho Federal de Farmácia, Pamela Saavedra, ressalta que, até o momento, não existem estudos conclusivos que comprovem o benefício do uso e hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento ou prevenção da Covid-19. Ela explica os riscos que as pessoas correm ao usá-las para esse fim.

“O uso indiscriminado desses fármacos pode aumentar o risco de oftalmopatias graves, discrasias sanguíneas/redução da imunidade, psicoses/irritabilidade, distúrbios auditivos e de equilíbrio, miopatias, diarreias e vômitos além da possibilidade de síndrome de Stevens-Johnson. Outro evento adverso que merece destaque é a hipoglicemia grave, que põe em risco a vida do paciente. São produtos de uso crônico em pacientes com doenças reumáticas como artrite e lúpus. Esses pacientes fazem uso por longos períodos, muitas vezes, por mais de dez anos, pois eles não podem ficar sem o tratamento nem um dia, pois é o que mantem a sua doença controlada”.

Thiago Melo, farmacêutico, educador e pesquisador da Universidade Vila Velha (UVV) e Instituto Federal do Espírito Santo (IFES) destaca que a história da infectologia já registrou diversas outras pandemias – a de Gripe Espanhola (H1N1), em 1918; a de Gripe asiática (H2N2), em 1957; a de Gripe de Hong Kong (H3N2), em 1968; a de Gripe Russa (H1N1), em 1977 e a de Gripe Suína (H1N1), em 2009. “Mas a atual, por COVID-19, apresenta um caráter peculiar, sem precedentes: a robusta capilaridade das mídias sociais entre a população mundial associada a amplitude das possibilidades farmacoterapêuticas”, observa ele.

Thiago Melo reforça que, apesar da indiscutível vantagem dessa inovadora forma de comunicação, muitas informações de caráter médico e científico ou duvidosas são compartilhadas tanto entre os profissionais de saúde como ao público leigo. “Isso se reflete diretamente em atitudes como o episódio da busca desenfreada pela cloroquina e hidroxicloroquina, pelos pacientes e profissionais da saúde vivenciado nos últimos dias. Esse episódio foi apenas um reflexo desse novo tipo de comportamento que merece e merecerá sempre uma pronta resposta das agências reguladoras e dos Conselhos Federais, conforme ocorrido, visando a plena proteção da população brasileira.”

Além dos aspectos apresentados, Thiago Melo alerta para as potenciais interações medicamentosas já que a cloroquina ou a hidroxicloroquina podem potencializar a ação dos digitálicos, bem como a ação da insulina, intensificar a ação de diversos imunossupressores (metotrexato, ciclosporina) e até comprometer a ação de anticonvulsivantes. Ele ainda reforça que tanto a hidroxicloroquina quanto a cloroquina, por possuírem elevado tempo de meia-vida, apresentam lento washout, ou seja, a depuração completa pelo organismo pode demorar aproximadamente 40 e 50 dias respectivamente, até mesmo em indivíduos saudáveis. “Dessa forma, o consumo pode implicar em possíveis danos mesmo após o uso por um curto período e a suspensão imediata”

Josélia Frade, assessora da Presidência do CFF, destaca ainda que a recomendação para a não utilização e devolução ou doação desses fármacos deve se estender aos profissionais da saúde que os adquiriram. “O que menos precisamos na conjuntura atual é de profissionais manifestando danos pelo uso irracional de medicamentos. Hospitais também adquiriram nos últimos dias esses medicamentos para implantarem protocolos específicos de tratamento e pesquisa clínica”.

Pâmela Saavedra reforça que é importante ouvir o que paciente tem a dizer em um momento como este que estamos vivendo e não apenas aqueles pacientes que têm Covid-19 ou estão em risco de contrair essa nova doença. “Temos muitos outros pacientes que também estavam doentes, continuam doentes, e que estão cuidando da sua saúde. Nós do Conselho Federal de Farmácia e dos Conselhos Regionais convocamos todos os farmacêuticos a praticarem o uso racional dos medicamentos. Estamos num momento de enfrentamento à pandemia da Covid-19 em que a população mais precisa de orientação, informação baseada em fatos e que ajude a identificar as suas reais necessidades em saúde”. Ela lembra que a equipe do Cebrim disponibiliza, para profissionais da saúde, informações seguras sobre medicamentos, baseadas em evidência científica, PARA ACESSAR, CLIQUE AQUI. 

A procura pela hidroxicloroquina e cloroquina levou a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, nesta sexta-feira, 20 de março, a enquadrar as substâncias como produtos de controle especial (CLIQUE AQUI PARA SABER MAIS). A medida é para evitar que pessoas que não têm indicação para usá-las provoquem um desabastecimento no mercado.

Os pacientes que já fazem uso poderão continuar utilizando sua receita simples para comprar o produto durante o prazo de 30 dias. A receita será registrada pelo farmacêutico, que já está obrigado a fazer o controle no momento da venda. A entrega só pode ocorrer mediante apresentação do receituário branco especial em duas vias.

Médicos que fazem a prescrição de hidroxicloquina ou cloroquina já devem começar a utilizar este formato. O produto já estava sujeito à prescrição médica. Com a nova categoria, a venda irregular pelas farmácias é considerada infração grave.

VEJA TAMBÉM:

Em resposta à sociedade, uma equipe técnica de farmacêuticos de todo o Brasil (professores/pesquisadores) se prontificaram a emitir rapidamente pareceres a fim de mitigar a aquisição desmedida dessas substâncias. Confira algumas publicações de entidades farmacêuticas sobre o tema: 

Conselho Regional de Farmácia do Espírito Santo (CRF-ES)

Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica (SBFFC)

Centros de informação sobre Medicamentos - CIM/UNIVASF, CIMUFS-LAG, CIM/CRF-BA, CIM/UFC E CEMED

 

 

Fonte: Comunicação do CFF

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