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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

I Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas

Mesa debate sobre a consolidação da farmácia clínica no Brasil

Data: 18/11/2017

“Diferentes olhares para a consolidação da farmácia clínica no Brasil” foi o tema da mesa-redonda realizada na tarde de sábado, 18 de novembro, último dia do I Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas. Em sintonia com o foco do congresso – que foi pensado como marco divisor de águas entre o período de lutas pelas mudanças na profissão, nos últimos seis anos, e o tempo que está por vir, de sedimentação das conquistas obtidas –, a mesa reuniu representantes de vários segmentos para discutir como efetivar esse modelo de prática nas áreas representadas.

O primeiro a falar foi o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter da Silva Jorge João, que demonstrou todas as ações do CFF para promover a valorização dos farmacêuticos no Brasil. “Hoje, com o horizonte ampliado pela Lei nº 13.021/14 e respaldado pelo aparato regulamentar publicado pelo CFF, com ênfase nas resoluções das atribuições clínicas do farmacêutico e da prescrição farmacêutica, temos uma profissão plural e muito mais reconhecida e atuante na sociedade”, comentou ele, fazendo questão de frisar que o conselho pode muito, mas não pode tudo, pelo farmacêutico. “Há algo que somente o colega, no seu dia a dia, em sua rotina de trabalho, pode fazer, que é ocupar o lugar que lhe cabe. Ele deve se apoderar de sua autoridade técnica e exercê-la de fato”.

Emanuel Carneiro, representante do diretor do DAF/Ministério da Saúde, Renato Teixeira, citou que o órgão tem procurado incorporar o farmacêutico nos diferentes níveis de atenção à saúde. Um exemplo é a institucionalização do serviço de farmácia clínica nos 15 hospitais da Secretaria de Saúde do DF. O surto de superbactérias registrado em áreas críticas dos hospitais do Distrito Federal, no ano de 2015, levou o ministério a elaborar um plano de enfrentamento do problema, que envolvia o trabalho multiprofissional e interdisciplinar. Uma das recomendações do plano foi a inserção do farmacêutico clínico nas equipes que prestam assistência nas áreas críticas dos hospitais, como Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).

“De 2015 até hoje, com os indicadores que nós levantamos da atuação do farmacêutico clínico nas unidades de terapia intensiva, conseguimos demonstrar que a inserção desse profissional contribuiu para a reversão do quadro e para a manutenção de procedimentos mais seguros, principalmente aqueles relacionados ao uso racional de antibióticos nesses ambientes”, disse. Utilizando a metodologia de análise de Swot, ele citou como fortalezas para a consolidação da atuação clínica do farmacêutico o fato de que o serviço promove a qualificação da assistência e reduz custos. Como oportunidades para essa sedimentação, ele citou as parcerias com instituições de ensino superior e o Ministério da Saúde.

O professor Tarcisio Palhano, presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Clínica (SBFC) falou sobre a necessidade de mudanças na formação dos farmacêuticos, para estimular o desenvolvimento de competências e habilidades para a prática da Farmácia Clínica. Segundo pesquisa coordenada por ele, para ser apresentada na Escola de Inverno de Farmácia, em Portugal, e que foi citada em sua participação, 22,7% dos cursos de Farmácia ofertam apenas uma disciplina/estágio na área clínica; 44,3 dos cursos oferecem duas disciplinas/estágios. A porcentagem de cursos que oferecem 6, 7, 8 ou 9 disciplinas ou estágios na área clínica é muito pequena, não ultrapassando 1%, em cada caso. “Vejam que disparidade”, exclamou.
Segundo ele, a expectativa é a de que a formação dê um salto de qualidade neste quesito a partir da entrada em vigor das novas Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Farmácia (DCNs), publicadas em outubro. Entre as metas da SBFC, criada há menos de um ano, ele cita a tradução e a publicação de textos norteadores da Farmácia Clínica no mundo, com o objetivo de alinhar conceitos na área. “Ainda temos muita confusão a respeito do real conceito desse modelo de prática.”

Maely Retto, presidente da Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde (Sbrafh), apresentou resultados de pesquisa sobre fatores que dificultam a adesão dos farmacêuticos à prática do cuidado para a saúde. “O maior entrave, segundo os entrevistados, é a falta de formação e nós precisamos refletir sobre isso”, comentou.

Para Maely Retto, o farmacêutico precisa se engajar não apenas como provedor de medicamentos, mas como responsável pelo seu uso racional. Com o objetivo de estimular essa mudança, a Sbrafh tem investido na qualificação da titulação de especialistas e no lançamento de publicações periódicas sobre o tema. “É importante publicarmos os nossos dados em revistas científicas para divulgar a atuação do farmacêutico. Neste sentido, está à disposição dos colegas, a Revista Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde (RBFHSS)”, salientou.

A mesa foi mediada por Wallace Entringer Bottacin, professor em cursos de pós-graduação e Coordenador de Tutoria do curso "Farmacêuticos na Atenção Básica/Primária à Saúde, em substituição a Josélia Cintya Quintão Pena Frade (Foro Farmacéutico de las Américas/FFA). Após o debate final, a conclusão dos participantes da mesa é a de que a atuação clínica do farmacêutico é uma realidade sem volta. “Nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”, reiterou, citando a música, o professor Tarcisio Palhano. “A mudança nunca é fácil, mas o momento que vivemos, os 215 mil farmacêuticos em atividade no país, estão pedindo por ela”, concluiu o presidente do CFF.
 

Fonte: Comunicação do CFF

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