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Notícias Gerais

Não é só mania de doença

Data: 02/01/2017

Esqueça a imagem da pessoa mais velha, com pensamento negativista e remédios sempre à mão. A hipocondria é uma doença mental que causa muito sofrimento a homens e mulheres em todas as faixas etárias, até mesmo na infância. Pacientes vivem a angústia de achar que estão sempre doentes, passar por vários médicos, ser submetido a uma série de exames, receber resultados negativos e, ainda assim, desacreditar de tudo e de todos. Há, portanto, um quadro no mínimo perturbador. Um tipo de transtorno de ansiedade que acomete um número de pessoas a se considerar.

Segundo Márcia Gonçalves, membro da Associação Brasileira de Psiquiatria e coordenadora de psiquiatria da Universidade de Taubaté, em São Paulo, a prevalência do problema em clínicas médicas varia entre 4% e 6%, sendo que a idade de surgimento da doença predomina dos 20 aos 30 anos. Psiquiatra especialista em infância e adolescência, Cláudio Costa lembra que essas pessoas têm dificuldades de serem atendidas em clínicas e hospitais. Um dos obstáculos é a resistência criada pelos funcionários devido às demandas constantes desses pacientes.

Outro é a forma como os profissionais de saúde lidam com as queixas emocionais trazidas pelos hipocondríacos, um dos assuntos predominantes nas consultas médicas. “Estudos apontam que representam algo em torno de 60%, mas que, por falta de paciência e tempo, o aspecto emocional é geralmente deixado de lado”, diz o também professor da pós-graduação em psiquiatria da Faculdade Ipemed de Minas Gerais.

Para Costa, a definição de hipocondria como “a doença que não existe” problematiza bem esse tipo de transtorno de ansiedade. Trata-se, sim, de uma doença, mas que não é facilmente percebida em consultas de rotina ou diagnosticada em exames laboratoriais. “Uma forma de conduta médica que considero perigosa e errônea é dizer ao paciente: ‘Fulano, você não tem nada’ ou ‘É psicológico. Procure um psiquiatra ou um psicólogo’”, alerta. “Vemos um profissional de saúde que desvaloriza o adoecimento mental. Diga que os exames não acusaram nenhuma inflamação ou infecção, mas não diga que a pessoa não tem nada”, sugere.

Diagnóstico

A descoberta de existência da perturbação nem sempre é simples. O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), por exemplo, pode ser confundido com a hipocondria. Segundo Gonçalves, há muitas semelhanças entre os dois problemas de saúde. “As obsessões sobre a possibilidade de ter uma doença são comuns no TOC. Na hipocondria, por outro lado, temos pensamentos persistentes, dúvidas e ruminações sobre a possibilidade de ter uma doença grave, preocupações com a saúde, hipervigilância sobre eventuais sintomas físicos, verificação frequente de pulso, pressão e temperatura — muitas vezes em situações em que existem variações normais, como na prática de exercícios físicos. Além disso, checagens repetidas do próprio corpo — do abdômen, do pescoço em busca de linfonodos, do pulso das carótidas — e, sobretudo, repetições de exames e de avaliações médicas”, diferencia a médica.

A forma como cada paciente encara uma doença ou a possibilidade de ser acometido por ela também é distinta. “Os hipocondríacos necessitam frequentemente de obter garantias com os profissionais de saúde de que não têm nenhuma complicação grave, sendo, muitas vezes, essa a única forma de se tranquilizar. No TOC também pode ocorrer uma preocupação com doenças, mas normalmente é com a possibilidade de ter se contaminado ou de vir a se contaminar, seguida de evitações e lavações excessivas”, explica Gonçalves. Segundo a psiquiatra, o diagnóstico de hipocondria é feito quando se observam excessivos pensamentos, sentimentos ou comportamentos relacionados a sintomas somáticos ou associados a preocupações com a saúde com duração de pelo menos seis meses. “Precisamos observar as manifestações no indivíduo e se elas apresentam-se desproporcionais, persistentes, com elevada ansiedade e preocupação com a saúde e com os sintomas que o paciente sofre”, diz.

Terapia

Há casos em que o hipocondríaco passa por tanto sofrimento e ansiedade que consegue, por si mesmo, procurar atendimento em saúde mental. É importante lembrar, no entanto, que nem sempre a pessoa que tem o transtorno consegue perceber sozinha que precisa de apoio adequado. Por isso, a importância da ajuda e do olhar atento de amigos e familiares. De acordo com Gonçalves, o primeiro passo é deixar claro ao hipocondríaco que ele não tem nenhuma doença física, mesmo que ele alegue o contrário. A psicoterapia de esclarecimento pode ser suficiente em alguns casos. Segundo a psicóloga Sara Lopes, quando o paciente reconhece sua condição, os riscos inerentes à doença podem ser minimizados. Por outro lado, quando o indivíduo não sabe do que sofre, o perigo mais comum é a automedicação com a finalidade de acabar com uma doença que ele acredita ter. “A ansiedade e a preocupação são emoções frequentes para quem tem hipocondria. Eles interpretam sensações fisiológicas habituais ou pequenas variações do corpo como um sintoma de um mal que está por vir”, enfatiza.

Nos casos de ansiedade alta, a intervenção indicada é com ansiolítico, antidepressivo que tem a vantagem de não causar dependência. “O uso desse medicamento deve ser prescrito por um médico”, lembra Gonçalves. Segundo a psiquiatra, alguns especialistas indicam a prática de atividades físicas e pequenos trabalhos voluntários, no caso de o problema afetar a vida do paciente a ponto de ele não conseguir mais trabalhar ou se relacionar socialmente.

Nova classificação

A última edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais, publicada em 2013 e elaborada pela Associação Americana de Psiquiatria, classifica dois tipos de hipocondria. Há o transtorno de ansiedade de doenças (quando o paciente não sente nenhum sintoma) e o transtorno de sintomas somáticos (quando sente alguma coisa e supervaloriza).

Fonte: Correio Braziliense
Autor: Valéria Mendes

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