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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

Arboviroses: os novos desafios para os farmacêuticos

Data: 06/12/2016

ENTREVISTA

Pelo jornalista Aloísio Brandão, assessor de imprensa do CFF.

A tríplice epidemia causada pelas arboviroses e em expansão, no Brasil, é um fenômeno de grande impacto social e sanitário que cobra dos farmacêuticos e demais profissionais da saúde atitudes e conhecimentos urgentes sobre as doenças e sua correlação com fatores, como o saneamento básico, a interação entre infecções concomitantes e sequenciais, o espectro de manifestações clínicas e das malformações fetais atribuíveis à infecção pelo Zika vírus, as dificuldades diagnósticas, entre outros. O avanço das viroses está relacionado com as profundas modificações do ambiente por ações do homem, com o crescimento urbano desordenado, com o intercâmbio internacional estabelecido pelo processo de globalização, com as mudanças climáticas, entre outros fatores.

O clamor popular, fruto do medo e da insegurança diante do assombro causado pelas arboviroses, é por ações precisas e rápidas das autoridades e por respostas preventivas e terapêuticas dos profissionais da saúde. Dada a velocidade com que se disseminam e o modo como vêm surpreendendo o meio científico, com tantos novos sintomas e outras facetas, a Dengue, a Zika e a Chikungunya transformaram-se em grandes desafios para os farmacêuticos. Os profissionais são cobrados a buscar, na mesma velocidade, informações (muitas sequer existem, ainda) para se qualificar para prestar serviços aos pacientes.

Na busca por oferecer aos farmacêuticos mais conhecimentos técnicos e científicos sobre essas doenças, o Conselho Federal de Farmácia aproximou-se da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses (SBD-A) - www.sbd-a.org. Firmaram uma frutífera parceria que vem qualificando os profissionais no tratamento das três viroses. Importante fonte de informações sobre tudo o que diz respeito a esses vírus e às infecções que eles causam, a SBD-A está inteiramente à disposição dos farmacêuticos, demais profissionais da saúde e população, para lhes oferecer conhecimentos. O CFF conclama os farmacêuticos a se associarem à SBD-A. A filiação e a mensalidade são gratuitas.

FARMACÊUTICOS CONTRA A DENGUE, ZIKA E CHIKUNGUNYA – Os farmacêuticos brasileiros, ressalte-se, já haviam se lançado em atividades de combate às arboviroses, em todo o País. Uma forte campanha, nesse sentido, foi lançada pelos conselhos Federal e regionais de Farmácia, em parceria com a Enefar (Executiva Nacional de Estudantes de Farmácia), Anfarmag (Associação Nacional de Farmacêuticos Magistrais), SBFFC (Sociedade Brasileira de Farmacêuticos e Farmácias Comunitárias), Sbrafh (Sociedade Brasileira de Farmácia Hospitalar e Serviços de Saúde) e o Profar (Programa de Suporte ao Cuidado Farmacêutico na Atenção à Saúde).

A campanha, que leva o nome de Farmacêuticos em ação: todos contra o Aedes aegypti, foi lançada, no dia 19 de março de 2016, e tem grande impacto social e sanitário. Os profissionais tomaram as ruas das capitais e cidades do interior, mostrando a sua capacidade de organização e o seu compromisso com a saúde da população. De complexa elaboração, a campanha, além de ações nas ruas, envolve a distribuição de folders para farmacêuticos e população, a criação de um link (http://campanhacff.wixsite.com/farmaceuticoemacao) com informações sobre as arboviroses, entre outras ações.

As ações lideradas pelo CFF repercutiram de tal maneira e foram consideradas tão positivas, que atravessaram as fronteiras do Brasil e foram acolhidas, em vários países da América Latina, por intermediação de organizações profissionais internacionais. O FFA (Fórum Farmacêutico das Américas) e a FIP (Federação Farmacêutica Internacional) levaram a campanha dos farmacêuticos brasileiros contra as arboviroses para a Argentina, o Equador, a Costa Rica, Panamá, Paraguai e Uruguai. E mais: as instituições internacionais traduziram e distribuíram, nesses países, o folder que o Conselho Federal de Farmácia produziu para distribuição entre farmacêuticos e a população do Brasil.

ENTREVISTA - A assessoria de imprensa do CFF entrevistou o presidente da SBD-A, o médico Artur Timerman, sobre as arboviroses. Dr. Artur é mestre em Infectologia pela Faculdade Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e atua como chefe do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, de São Paulo. VEJA A ENTREVISTA.

www.cff.org.br - Dr. Artur Timerman, o que motivou a criação da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses (SBD-A)? E a que e a quem ela se destina?
DR. ARTUR TIMERMAN - As arboviroses representam enorme problema de saúde pública, convergindo vários aspectos que devem ser abordados por grupos profissionais. Ressaltamos os seguintes aspectos relacionados às arboviroses: saneamento básico, atendimento primário em saúde, entomologia, planejamento urbano, manifestações clínicas, tratamento e prevenção. Essa multiplicidade de fatores nos levou à criação da SBD/A, com o intuito de congregar profissionais de diferentes áreas, visando a uma abordagem mais completa de todos esses diferentes aspectos correlacionados às arboviroses.

www.cff.org.br - Quem pode participar da Sociedade? E o que o interessado deve fazer para associar-se?
DR. ARTUR TIMERMAN - Qualquer profissional, quer seja ou não da área de saúde e que tenha interesse em estudar e se envolver na abordagem holística das arboviroses, pode participar da SBD-A. Para se associar, basta preencher formulário encontrado no site www.sbd-a.org.

www.cff.org.br - A SBD-A cobra pelo ato de filiação e pela mensalidade? Como a sociedade mantém-se?
DR. ARTUR TIMERMAN - A SBD/A não cobra atualmente qualquer valor pela filiação e tampouco há cobranças de mensalidade. Atualmente, estamos nos mantendo, elaborando projetos em conjunto com algumas indústrias da área da saúde. Há planos para o futuro de cobrança de uma anuidade.

www.cff.org.br - A tríplice epidemia causada pelas arboviroses exige um esforço conjunto dos profissionais da saúde, das autoridades e da sociedade, com vistas ao seu combate. Essas graves doenças virais estão em expansão. Diante desse quadro preocupante, que mensagem o senhor tem a dar aos farmacêuticos?
DR. ARTUR TIMERMAN - O Brasil vive uma situação peculiar na Medicina. A ocorrência de três epidemias simultâneas transmitidas por um mesmo vetor é inédita na história da Medicina. Estamos vivenciando uma época em que as interações entre tais infecções, tanto ocorrendo simultaneamente ou em sequência, correlacionam-se às consequências, ainda, desconhecidas. Essas interações devem ser objeto de estudos e a SBD/A tem por obrigação implementar o conhecimento acerca dessa situação inédita.

www.cff.org.br - As arboviroses estão fora de controle?
DR. ARTUR TIMERMAN - O vetor comum a essas três arboviroses veio para ficar. O modelo de urbanização em vigência, em nossas metrópoles, serve, de forma perfeita, à persistência do vetor em nosso meio. Enquanto permanecer esse modelo de urbanização, o combate ao mosquito será apenas paliativo. Isto é, se caracterizará tão somente como uma política de redução de danos. Da forma atual, teremos que conviver indefinidamente com a presença do mosquito, com suas consequências tão deletérias.

www.cff.org.br - Que desafios o avanço das arboviroses está impondo aos profissionais da saúde?
DR. ARTUR TIMERMAN - A grosso modo, podemos mencionar que elas impõem aos profissionais da saúde que conheçam a correlação das doenças com o saneamento básico, a interação entre infecções concomitantes e sequenciais, o espectro de manifestações clínicas, o espectro das malformações fetais atribuíveis à infecção pelo Zika vírus; as dificuldades diagnósticas: quadros clínicos que se assemelham e carência de recursos diagnósticos, através de sorologias e provas genéticas. As arboviroses impõem aos profissionais da saúde que conheçam, ainda, o fluxograma de atendimento, a priorização do atendimento, em épocas epidêmica; o desperdício de recursos escassos em forma de prevenção desprovida de maior utilidade.

www.cff.org.br - O que os profissionais da saúde precisam saber, para não errarem no diagnóstico e no tratamento das arboviroses?
DR. ARTUR TIMERMAN – Precisam ter conhecimento quanto à impossibilidade de se estabelecer diagnóstico, com certeza, sem que haja disponibilização de testes que permitam tal diagnóstico. Ter, ainda, conhecimento dos cofatores correlacionados à possibilidade de evolução para formas mais graves das doenças.

www.cff.org.br - A vacina contra a dengue, tudo faz crer, não demorará a ser disponibilizada à população. O senhor acredita que o esforço empregado em sua produção facilitará o desenvolvimento da pesquisa e da produção de vacinas contra a Zika e a Chikungunya?
DR. ARTUR TIMERMAN – A vacina contra a dengue, atualmente disponível, tem seu emprego restrito por uma série de questionamentos que devem, ainda, ser elucidados. Todo o campo da vacinologia, enfatize-se, requer a execução de estudos de grande porte e prolongados. A disponibilização de vacinas contra a Zika e a Chikungunya é esperada para, pelo menos, daqui a cinco anos.

www.cff.org.br - A cada dia, a Dengue, a Zika e a Chikungunya apresentam novos sintomas. Essas arboviroses, ainda, reservam outras más surpresas?
DR. ARTUR TIMERMAN – São temas em desenvolvimento. Requerem acompanhamento cuidadoso, para que possamos detectar, com presteza, manifestações clínicas inesperadas.

www.cff.org.br - Fale sobre o impacto do desequilíbrio ambiental sobre a expansão das arboviroses.
DR. ARTUR TIMERMAN – Como já anteriormente mencionado, o modelo de urbanização vigente, em nossas metrópoles, foi absolutamente perfeitos... Para os mosquitos.

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