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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias Gerais

Biofármacos causam rombo de R$ 2 bi nas contas

Data: 22/08/2016

Os chamados biomedicamentos, remédios feitos a partir de células modificadas, provocam atualmente um rombo de quase R$ 2 bilhões na balança comercial do setor farmacêutico do país, mas só agora o Brasil começa a se mexer para produzir esses produtos. Segundo especialistas, o Brasil está atrasado 30 anos num mercado que já movimenta US$ 160 bilhões por ano no mundo, cresce 12% ao ano e é a vanguarda da indústria farmacêutica.

— As primeiras plantas para produzir estes medicamentos começam a surgir por aqui, mas o Brasil está atualmente onde Estados Unidos e Europa estavam na década de 80 em relação aos biofármacos. É um atraso de mais de 30 anos — diz Leda Castilho, professora de engenharia química do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio (Coppe-UFRJ).

Um estudo do Grupo FarmaBrasil, que reúne as maiores farmacêuticas do país, mostra que em 2015 o déficit total da balança comercial de medicamentos foi de US$ 5,2 bilhões, com os biofármacos representando US$ 2 bilhões.
— O governo sabe que a produção local precisa começar logo para não perder o bonde — diz uma fonte do setor que vem discutindo o assunto no Ministério da Saúde.

SEM CENTRO DE PESQUISA


Produzidos a partir de sofisticados processos de modificação de células vivas e considerados mais precisos no tratamento de doenças como câncer, artrite e psoríase, o país é obrigado a importar praticamente todos os biofármacos que utiliza e distribui através do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso faz aumentar o rombo da balança comercial do setor farmacêutico do país.

— O Brasil está aprendendo a tecnologia dos biofármacos, construindo fábricas e formando gente. Mas aqui os padrões de exigência da Anvisa são muito elevados, e o tempo para os estudos clínicos é maior — diz Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo FarmaBrasil, integrado por grandes laboratórios, que têm como objetivo fomentar o avanço tecnológico desse segmento.

Segundo especialistas, o país não investiu em pesquisa para criar e desenvolver medicamentos biofármacos no país. Isso explica o estágio de atraso em que o país está em relação a países como Coreia do Sul, Índia, Cuba, Argentina e México, na produção dos chamados remédios do futuro.

— Não temos um centro específico de pesquisa e desenvolvimento de biofármacos. Atualmente, existem as chamadas Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs), desenvolvidas pelo governo, em que participam laboratórios públicos e as empresas, com objetivo de produzir os medicamentos e fornecer ao SUS. Mas, nas PDPs, copiamos tecnologia já existente. O país não se organizou para a a inovação — diz Antonio Britto, presidente da Interfarma, que reúne os laboratórios de pesquisa.

Remédios já concentram metade dos gastos, diz Coppe

Quase metade (51%) dos gastos do Ministério da Saúde é feito com biofármacos, embora eles representem apenas 4% das unidades adquiridas, o que mostra o alto valor desses medicamentos. Os dados foram compilados pela professora Leda Castilho, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal (Coppe-UFRJ).

Por exemplo, para oferecer tratamento a 700 pessoas em todo o país que sofrem da doença de Gaucher, que é a deficiência no processamento de gordura, o governo tem que gastar US$ 200 milhões por ano com a importação desses biofármacos.

— Uma dose de um biofármaco chega a custar R$ 8 mil e um tratamento pode sair por R$ 200 mil a R$ 300 mil — observa Leda Castilho, lembrando que de 10 mil produtos em pesquisa e desenvolvimento no mundo, nos últimos anos, 40% são biofármacos.

O Ministério da Saúde não respondeu ao pedido de entrevista para comentar os gastos. Todas as fábricas de biofármacos em construção contam com recursos do BNDES, através de programa destinado ao setor criado em 2004.  Já há operações contratadas que somam R$ 3,5 bilhões em 118 projetos. A Bionovis, joint venture entre Biolab e Eurofarma, está construindo fábrica em São Paulo, assim como a Orygen (de Aché, EMS, Hypermarcas e União Química). O laboratório Cristália, também de São Paulo, e com duas fábricas, já produz um princípio ativo desenvolvido no país, que cura queimaduras e feridas.

Fonte: O Globo

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