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O verdadeiro custo da poluição do ar

Data: 16/08/2016

A poluição do ar rouba anos à vida das pessoas. Ela provoca substancial dor e sofrimento entre adultos e crianças. E prejudica a produção alimentar, num momento em que temos de alimentar mais pessoas do que nunca. Essa não é apenas uma questão econômica; é uma questão moral.

A poluição do ar pode ser produzida tanto ao ar livre como dentro de casa. Para as famílias mais pobres, a poluição dentro de casa, resultado de cozinhar usando carvão ou esterco, é geralmente o problema mais sério. À medida que as economias se desenvolvem e começam a se eletrificar, motorizar e urbanizar, a poluição do ar fora de casa torna-se o maior problema.

Existem tecnologias capazes de melhorar consideravelmente a qualidade do ar. Mas os políticos, míopes, tendem a se concentrar nos custos das ações em vez de considerar os custos de manter os braços cruzados. Agora que o crescimento econômico e o aumento da demanda de energia deverá fomentar um aumento incessante das emissões de poluentes atmosféricos e as velozmente crescentes concentrações de matéria particulada (PM) e de ozônio nas próximas décadas, essa abordagem é insustentável.

Um novo relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) estima que as consequências econômicas da poluição do ar a céu aberto causará entre 6 e 9 milhões de mortes prematuras por ano até 2060, em comparação com três milhões em 2010. Isso é equivalente à morte de uma pessoa a cada 4 a 5 segundos. Cumulativamente, mais de 200 milhões de pessoas morrerão prematuramente nos próximos 45 anos como resultado da poluição do ar.

Também haverá mais doenças relacionadas com a poluição. Novos casos de bronquite em crianças de 6 a 12 anos deverão subir dos 12 milhões, hoje, para 36 milhões por ano até 2060. Para os adultos, prevemos dez milhões de novos casos por ano até 2060, acima dos 3,5 milhões hoje. As crianças também estão sendo cada vez mais afetadas por asma. Tudo isso vai se traduzir em mais internamentos hospitalares, com crescimento previsto para 11 milhões em 2060, dos 3,6 milhões em 2010.

Esses problemas de saúde serão concentrados em áreas densamente povoadas, com altas concentrações de PM, especialmente em cidades na China e na Índia. Per capita, a mortalidade também deverá atingir níveis elevados na Europa Oriental, na região do Cáucaso e em outras regiões da Ásia, como Coreia do Sul, onde populações mais idosas são extremamente vulneráveis à poluição do ar.

O impacto da poluição do ar é frequentemente discutido em termos de dólares. Em 2060, 3,75 bilhões de dias de trabalho por ano poderão ser perdidos devido aos efeitos adversos do ar poluído para a saúde - o que os economistas chamam de "desutilidade de doenças". O impacto direto dessa poluição no mercado em termos de menor produtividade do trabalhador, maior despesa com a saúde e produtividade inferior das culturas agrícolas, poderá exceder, por volta do ano 2060, 1% do PIB, ou US$ 2,6 trilhões, anualmente.

Por enormes que sejam, porém, os valores em dólares não refletem os verdadeiros custos da poluição do ar. As mortes prematuras por inalação de pequenas partículas e gases tóxicos, e a dor e sofrimento decorrente de doenças respiratórias e cardiovasculares, não têm um preço de mercado. O mesmo vale para a experiência da inalação constante de ar fétido, ou de obrigar seu filho a usar uma máscara apenas para brincar fora de casa. Esses ônus pesam muito mais sobre as pessoas do que qualquer preço poderia representar.

Apesar disso, a verdade é que as autoridades governamentais tendem a reagir mais a números concretos do que a experiências abstratas. Por isso, a OCDE analisou uma infinidade de estudos econômicos sobre a poluição do ar para quantificar o que a saúde das pessoas vale para elas próprias.

Em média, as pessoas estariam dispostas a pagar cerca de US$ 30 para reduzir o risco anual de morrer prematuramente à taxa de uma em 100 mil. Usando técnicas bem estabelecidas, esses números sobre estarem "dispostos a pagar" foram convertidos em um valor total de mortes prematuras causadas por poluição do ar exterior, conforme ilustrado, por exemplo, no relatório Avaliação de Riscos de Mortalidade Políticas Ambientais, de Saúde e Transportes, da OCDE.

Segundo esses números, o custo mundial das mortes prematuras causadas por poluição do ar exterior deverá alcançar impressionantes US$ 18 a US$ 25 trilhões por ano em 2060. Pode-se argumentar que isso não é o dinheiro "real", pois os custos não estão relacionados com quaisquer transações de mercado. Mas refletem o valor que as pessoas atribuem a suas vidas reais - e o valor que elas atrbuiriam a políticas que ajudassem a retardar morte muito reais.

É hora de os governos pararem de discutir sobre os custos dos esforços para limitar a poluição do ar e começarem a preocupar-se com os custos muito maiores decorrentes de tolerar a poluição. As vidas de seus cidadãos estão nas mãos desses governos.

 

Fonte: Valor Econômico
Autor: Simon Upton

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