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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Dengue, chikungunya e zika

Zika e dengue podem ter interação perigosa

Data: 15/07/2016

Quando se encontram, os vírus da dengue e da zika interagem de maneira perigosa,mostra novo estudo da revista “Science” que fez testes in vitro e em roedores. Os resultados apontam que quem já teve zika pode ter uma infecção de dengue pior que o esperado.

Trata-se do efeito conhecido como potencialização dependente de anticorpos (anti body-dependentnhancement, ou ADE): anticorpos, em vez de neutralizar e promover a aniquilação de um vírus, acabam se ligando a ele de uma forma “frouxa”, permitindo que ele se reproduza sem dificuldades no interior de células do organismo.

Esse fenômeno biológico vem sendo estudado jáhá algum tempo e é uma das explicações mais plausíveis para o aparecimento das febres hemorrágicas em uma segunda (ou terceira ou quarta)infecção pelo vírus da dengue.

Quatro é o número limite de infecções por um motivo: só há quatro subtipos do vírus da dengue (DENV1 a DENV4).Geralmente, há uma predominância de um em cada epidemia, o que não impede que os demais também circulem na mesma época.

A esse notório quarteto de vírus, juntou-se o vírus da zika (ou ZIKV)—até pouco tempo atrás restrito à África e à Ásia. Só há um subtipo dele e ainda não se sabe exatamente como ele entra nessa ciranda dos flavivírus relevantes para a saúde pública. Para entender melhor essa interação, pesquisadores de diversos países estudaram 119 tipos de anticorpo de quatro doadores infectados pelo vírus da zika —dois deles haviam pegado dengue também.

Boa parte dos anticorpos (41) atacou uma proteína não estrutural (chamada NS1) que é produzida por células infectadas pelo vírus da zika enquanto ele tenta driblar o sistema imune. A NS1 funciona como “bomba de fumaça”, enganando o organismo enquanto o vírus se multiplica.

Anticorpos contra essa proteína podem ser úteis em testes diagnósticos que diferenciem dengue de zika. O organismo também produziu anticorpos contra a proteína E, que forma a cápsula de proteína que envolve o vírus.

Em testes in vitro, os cientistas viram que o plasma (fração do sangue onde estão os anticorpos) de pacientes que já foram infectados pelo DENV3 ou pelo ZIKV potencializou a ação do DENV1. Esse seria um indício de que uma infecção prévia poderia significar um risco de uma doença mais severa.

Estudos anteriores já haviam feito testes semelhantes e alertado para essa possibilidade. Desta vez, no entanto, os pesquisadores deram um passo a mais no quesito complexidade ao fazer testes em roedores.

Anticorpos de alto poder de neutralização (particularmente eficazes em se ligar aos vírus), tanto anti zika quanto antidengue, acabaram piorando a doença causada pelo DENV2 nos bichos —que morreram após cinco dias.

VACINA

A caracterização do efeito de potencialização dependente de anticorpos (ADE) representa mais um obstáculo para os fabricantes de vacinas contra dengue e zika.

Ao deixar um “buraco” na imunidade contra a zika,uma vacina contra os quatro vírus da dengue poderia deixar os imunizados mais predispostos a casos graves de zika, ligada a casos de microcefalia e outras más-formações em bebês, além da síndrome paralisante de Guillain-Barré.

Para Jorge Kalil, professor titular da USP e diretor do Instituto Butantan,o risco dessa potencialização existe, mas isso não invalida a busca da vacina contra a dengue, que está em fase final de estudos no órgão.“Dengue mata muito mais que zika”, diz.

Ele faz a ressalva de que ainda não há estudos que comprovem que esse efeito em humanos. “O raciocínio é lógico, mas, em biologia, tudo tem que ser demonstrado.” Segundo Kalil, a vacina contra a dengue poderia minimizar o risco de uma pessoa, já infectada com o zika, morrer por causa de uma infecção por dengue.

A menor gravidade da infecção por zika justificaria, segundo Kalil,imunizar imediatamente a população contra a dengue assim que houver vacina disponível. “Temos que pensar no nível da saúde pública para saber quem tem risco de ter dengue e quem se beneficiaria mais dessa vacina”, afirma Kalil.

O professor diz ainda que o desenvolvimento das vacinas no país está atrasado por causa da redução de verbas federais. “É muita burocracia para se obter o dinheiro em uma situação de emergência, e sem dinheiro a gente não consegue fazer nada.” A Sanofi Pasteur, empresa que está produzindo a primeira vacina contra a dengue aprovada no país, diz estar preparada para prosseguir com as análises da possível potencialização dos efeitos dos vírus em estudos que serão feitos após a venda da vacina, baseados em relatos.

Estudo indica fim de epidemia em 3 anos

Um estudo publicado na edição da revista “Science” desta quinta (14) diz que a epidemia de zika pode estar a caminho do fim e acabar de vez em três anos.

Os resultados se baseiam nos dados até o momento obtidos de transmissibilidade e de ciclo da doença —o período de infecção dura cerca de 11 dias e pode não apresentar nenhum sinal ou sintoma.

O fato de muita gente pegar a doença, que pode ser transmitida também por via sexual e transfusão sanguínea, além da picada de mosquitos aedes, pode favorecer o aparecimento do fenômeno “imunidade de rebanho”.

Na Polinésia Francesa, por exemplo, que teve um surto do vírus entre 2013 e 2014, estima-se que 66% da população tenha sido infectada.

Com boa parte das pessoas apresentando anticorpos anti zika (e é possível que qualquer brasileiro tenha tido a doença), essa imunidade de rebanho funcionaria como um escudo, dificultando que mesmo pessoas que nunca tiveram o vírus o adquiram.

Este argumento é o mesmo explorado por algumas pessoas de movimentos anti vacina, comuns nos EUA mas que também existem no Brasil. O problema é que,além de sempre haver algum risco de contágio,quando muitas pessoas confiam apenas na imunidade do rebanho, abrindo mão da própria proteção, as infecções podem encontrar caminhos e se restabelecerem.

O esperado é que a próxima grande epidemia do vírus da zika ocorra em dez anos, por causa da nova geração de pessoas que vai nascer eque ainda não estarão imunizadas contra o vírus.

Para reverter esse cenário, uma possibilidade é o uso de vacinas anti zika, ainda em desenvolvimento. Com a pressão resultante do surgimento de casos de microcefalia e outra más-formações em fetos de mães que tiveram zika, é bastante provável que nos próximos anos —ou seja, antes da provável próxima grande epidemia—as vacinas já estejam disponíveis.

Por outro lado, os autores do trabalho desta cama imprevisibilidade do surto—mesmo tratando-se de um vírus conhecido há 70 anos.

Um destes fatores de imprevisibilidade pode ser o fenômeno El Niño, que bagunça o clima no mundo,aumentando,por exemplo,a temperatura e a quantidade de chuvas na porção sul da América do Sul.

“A escalada do vírus da zika após longo período como uma doença de aparente pequena importância mostra quão pouco nós realmente entendemos sobre a distribuição global de flavivírus família de vírus que abrange os vírus da zika e da dengue e outras doenças transmitidas por vetores”, escrevem os autores.

As chances de permanência (endemia) da zika dependem também da capacidade de o vírus sobreviver em animais que não o homem —estudos brasileiros em macacos mostraram que esse ciclo silvestre é factível no país. Mesmo com a dificuldade de prever pandemias, os autores dizem que é possível melhorar a velocidade para detectar doenças e dar uma resposta a elas.

Fonte: Folha de S.Paulo
Autor: Gabriel Alves

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