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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

O farmacêutico e o diabetes

Data: 05/03/2010

Um exército com 90 mil homens e mulheres deve entrar em combate, em breve, contra um alvo comum: o diabetes. Serão os farmacêuticos, que deverão participar de um programa de qualificação focada na prevenção e controle da doença, em especial aferição da taxa de glicose. Para tanto, eles serão qualificados, por meio de um programa nacional a ser criado através de uma parceria formalizada, no dia 4 de fevereiro de 2010, na sede da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os parceiros são o Conselho Federal de Farmácia, a Anvisa, a Federação Internacional de Diabetes (IDF) e a Associação de Diabetes Juvenil. Participarão desse esforço a Feifar (Federação Interestadual de Farmacêuticos) e a Fenafar (Federação Nacional de Farmacêuticos). O objetivo da parceria é promover a capacitação dos farmacêuticos que atuam, em farmácias e drogarias, farmácias públicas, postos de medicamentos e unidades volantes de todo o País.

O espírito do programa é a prevenção, levando-se em conta que existam, atualmente, no Brasil, 12 milhões de portadores de diabetes. Na última Campanha Nacional de Detecção de Diabetes, por exemplo, houve a participação de 22,1 milhões de pessoas com mais de 40 anos de idade, e foram constatados 346 mil novos casos da doença degenerativa. Mesmo assim, desconfia-se que metade das pessoas que possuem diabetes não têm conhecimento da doença.

De acordo com a International Diabetes Federation, há, atualmente, 250 milhões de portadores de diabetes, em todo o mundo. No entanto, considera-se que, se não houver medidas eficazes de combate e divulgação do que é e de como age a doença, até 2025, o número de diabéticos já terá chegado a 380 milhões ao redor do planeta.

Uma das maiores autoridades brasileiras em diabetes é o farmacêutico Roberto Bazotte. Ele é doutor em Ciências (Fisiologia Humana) pela Universidade de São Paulo e tem pós-doutorado pela Universidade do Texas (Houston-EUA). É Professor Titular de Farmacologia da Universidade Estadual de Maringá (PR). Segundo Bazotte, o farmacêutico ocupa um lugar estratégico na detecção, prevenção e tratamento do diabetes.

“Existe um número muito grande de doenças, e os médicos estão encastelados em especialidades. Um psiquiatra, por exemplo, trabalha rotineiramente com antidepressivos, ansiolíticos e alguns outros poucos fármacos. Ele não precisará se preocupar muito com os antibióticos, os antigripais. Mas, na farmácia comunitária, aparece do câncer ao resfriado, e ao farmacêutico é impossível conhecer todas as doenças e possibilidades de tratamento. A solução está em o farmacêutico da farmácia comunitária investir em doenças crônicas de alta prevalência na população e que geram o uso contínuo de medicamentos, como o diabetes, a hipertensão, a obesidade, as dislipidemias”, explica Roberto Bazotte.

Ele cita estudos feitos, nos EUA, que revelam que o paciente diabético frequenta a farmácia, de três a oito vezes mais do que o não diabético, deixando, por visita à farmácia, em torno de 39 dólares, contra 13 dólares de não diabéticos. “Existem ainda outros medicamentos que o paciente pode estar utilizando (por exemplo, os anti-hipertensivos), além do fato de levar outros produtos necessários. Isto, sem contar os produtos diet, light, agulhas e seringas descartáveis, tiras reagentes para glicosímetro etc. Enfim, o diabetes abre à farmácia comunitária a oportunidade de oferecer ao paciente diabético uma ampla gama de serviços e produtos complementares ao tratamento medicamentoso. Esta disponibilidade deve estar associada ao conhecimento”, ressalta o farmacêutico.

Pelos jornalistas Aloísio Brandão, Assessor de Imprensa do CFF, e Fernando Ladeira (Radioweb).

 

Fonte: CFF

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