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Estudo com cães indica que droga pode prolongar vida

Data: 13/06/2016

Há quase um ano, desde que foi incluída num estudo da droga rapamicina, que comprovadamente prolonga a vida de ratos de laboratório, a cadela Bela, pertencente a Lynn Gemmell, é observada por donos de cachorros no parque que frequenta.

Gemmell tenta ignorar aqueles que insistem em dizer que Bela, 8, voltou a ser um filhote — “Olha só como ela está rápida para pegar a bola!” É possível que Bela, uma mestiça de collie e pastor, tenha recebido um placebo.

O estudo representa uma nova fronteira na busca pela comprovação de uma proposta de melhora da saúde humana: em vez de desenvolver tratamentos para cada doença associada ao envelhecimento, seria melhor nos concentrarmos nos aspectos biológicos subjacentes do envelhecimento.

As doenças que mais matam nos países desenvolvidos — doença cardíaca, AVC, Alzheimer, diabete, câncer — têm diferentes causas, mas a idade é um importante fator de risco para todas. Significa que mesmo avanços relevantes nessas áreas representam apenas quatro ou cinco anos adicionais de vida, dizem especialistas.

Uma droga que retardasse o envelhecimento poderia adiar o surgimento de diversas doenças ao mesmo tempo. Algumas drogas parecem prolongar a vida saudável de ratos, sendo a rapamicina a mais eficaz delas.

Num estudo feito em 2014 pelo laboratório Novartis, a droga pareceu reforçar o sistema imunológico em doentes humanos mais velhos. Os resultados em cães idosos sugerem que a rapamicina também os beneficia, segundo o pesquisador Matt Kaeberlein, da Universidade de Washington, especialista em biologia do envelhecimento que conduz o estudo.

Muitos de nós acreditamos que o envelhecimento é o resultado do desgaste do organismo. Mas, segundo especialistas, a melhor prova de que a expectativa de vida não é uma característica “de fábrica” é que diferentes organismos vivos envelhecem em ritmos significativamente distintos.

“Se olhar o que a natureza selecionou e permitiu, isso sugere que seria possível acionar as diversas alavancas que alteram as coisas”, disse o biólogo Gary Ruvkun, da Escola de Medicina de Harvard.

Essa aspiração ganhou força nas décadas de 1990 e 2000, quando os cientistas se debruçaram sobre os complexos caminhos celulares que regulam o ciclo de vida de muitas espécies. Ao remover genes que produzem certas proteínas, ou acrescentando genes que geram outras, pesquisadores prolongaram significativamente a vida de organismos simples, como leveduras de brotamento, vermes e moscas.

Como os genes não podem ser manipulados tão facilmente em seres humanos, foi significativo que Kaeberlein e alguns colegas tenham demonstrado, em 2006, que a rapamicina suprimia uma proteína crucial na levedura, resultando em maior longevidade sem a remoção de nenhum gene. Os estudiosos da biologia do envelhecimento dizem que a área é erroneamente associada a cremes antienvelhecimento, hormônios e outras “fontes da juventude”. Esforços para prolongar a vida muitas vezes são considerados egoístas ou fúteis.

“Parece bastante egocêntrico que, enquanto ainda temos malária e tuberculose, os ricos financiem coisas para que possam viver mais tempo”, disse Bill Gates em uma entrevista em 2015.

O teste com cães tem suas raízes numa série de estudos com ratos, o primeiro dos quais publicado em 2009. Produzida a partir de uma bactéria do solo, a rapamicina prolonga em cerca de 25% o ciclo de vida de leveduras, moscas e vermes, segundo os testes.

Os pesquisadores que a testaram em ratos enfrentaram dificuldades para criar uma fórmula facilmente administrável. Por isso, os ratos já tinham 20 meses de idade — equivalentes a 60 anos humanos — quando o teste começou. O fato de ratos mais longevos terem vivido cerca de 12% a mais que animais no grupo de controle indica que a droga poderia ser administrada em idades avançadas sem perder a eficácia.

“Fazendo uma extrapolação para pessoas, provavelmente estamos falando de décadas, com a expectativa de que esses anos sejam vividos com saúde relativamente boa”, disse Kaeberlein.

Ainda assim, medicamentos que funcionam em ratos muitas vezes fracassam em humanos.

Kaeberlein afirmou que não foram observados efeitos secundários significativos nos cães, mesmo com o uso da mais elevada das três doses. Em comparação com o grupo de controle, o coração dos cães que recebiam a droga bombeava o sangue de forma mais eficiente no final do estudo.

Haveria riscos num teste com humanos, mas Kaeberlein acha que valeria a pena.

“Devemos estar dispostos a tolerar algum nível de risco se o retorno for de 20% a 30% de aumento na longevidade saudável”, disse ele. “Se não fizermos nada, sabemos qual será o resultado. Você irá ficar doente e morrer.”

Fonte: Folha de S.Paulo

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