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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

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Farmacêuticos perdem um dos seus expoentes

Data: 11/05/2016

Os farmacêuticos brasileiros perderam um dos maiores expoentes da história da profissão, no Brasil. Na segunda-feira (09.05.16), morreu, em Belo Horizonte (MG), vítima de um AVC (acidente vascular cerebral), o professor Aluísio Pimenta, aos 93 anos. O seu corpo foi velado, na Academia Mineira de Letras e sepultado, no Cemitério Parque da Colina, na capital mineira. Pimenta ocupou cargos de relevo no Governo brasileiro, dirigiu importantes instituições internacionais, mas foi, antes de tudo, o farmacêutico comprometido com a defesa da assistência farmacêutica e da qualificação dos profissionais.

Farmacêutico graduado, em 1945, pela Faculdade de Odontologia e Farmácia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), Aluísio Pimenta fez um pós-doutoramento, na Itália. Durante o governo militar, o AI-5 o levou a um exílio que durou 17 anos. Nesse período, ele já estava fora do Brasil, atuando como professor da Universidade de Londres e da Universidade Internacional do Japão. Alto funcionário do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o farmacêutico mineiro morou, em países das Américas, da Europa, China e Japão, onde participou da elaboração de projetos de educação, ciência e tecnologia, como a criação de universidades, naqueles países. Pimenta voltou ao Brasil pelas mãos de Tancredo Neves que reconhecia nele o homem de grande estatura intelectual e um hábil gestor.

O Dr. Aluísio Pimenta era uma verdadeira entidade. Farmacêutico por formação e amor à profissão, humanista por natureza, educador por consciência social, esse mineiro de Peçanha, como se todos os atributos citados fossem pouco, era, ainda, um intelectual de primeira grandeza e ocupou um espaço expressivo na História contemporânea do Brasil. Talvez, o mais correto a se dizer sobre ele é que era um homem que não via fronteiras.

ALUÍSIO PLURAL - Para se ter uma ideia da capacidade que Aluísio Pimenta teve de ser muitos em uma só pessoa, vale lembrar que, como farmacêutico, participou ativamente, no Istituto Superiore di Sanitá, em Roma, das pesquisas sobre a fitoquímica e a farmacologia do curare, o veneno usado pelos indígenas sul-americanos nas flechas para caça e que contribuíram para a conquista do Prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina, em 1957, pelo professor Daniel Bovet (1907 – 1992). Orientador de Aluísio Pimenta, o suíço naturalizado italiano Bovet era farmacêutico e pesquisou o uso de derivados do curare no relaxamento muscular, durante intervenções cirúrgicas.

Era, ainda, um homem das letras e da cultura em geral. Tinha trânsito livre entre artistas e intelectuais e foi Ministro da Cultura no Governo Sarney. Foi o mais jovem reitor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), período em que promoveu a interiorização do ensino superior, no Estado. Coube a ele, a incumbência de consolidar a criação da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), da qual também foi Reitor. “Não há alternativa para se construir um Brasil moderno e forte que não seja a educação”, disse o então professor de Química Orgânica e Bioquímica, na Faculdade de Farmácia da UFMG, Aluísio Pimenta.

A criação dos conselhos Federal e regionais de Farmácia passa por Dr. Aluísio Pimenta. Ele estava na linha de frente do grupo de farmacêuticos que, no final dos anos 50, buscou o Presidente Juscelino Kubitscheck. JK encontrava-se de férias, em Petrópolis (RJ). Pimenta e colegas foram pedir ao Presidente da República apoio para a criação da Ordem dos Farmacêuticos. Juscelino Kubitscheck preferiu encaminhar ao Congresso um Projeto de Lei criando, não a Ordem, mas os conselhos de Farmácia. No dia cinco de julho de 1961, foi empossada a primeira diretoria do CFF, formada por Jayme Torres (Presidente), Aluísio Pimenta (Vice-Presidente), Júlio Sauerbronn de Toledo (Secretário-Geral) e José Warton Fleury (Tesoureiro).

Em 2000, numa das duas entrevistas que concedeu à revista PHARMACIA BRASILEIRA, do CFF, Dr. Aluísio Pimenta disse que muitas autoridades não sabem formular um projeto de fôlego para o setor de saúde, porque não conseguem entender a grandeza da assistência farmacêutica e não a incluem nos projetos que desenvolvem. E concluiu a entrevista com uma frase lapidar: “Essas autoridades não sabem que, muitas vezes, o paciente está precisando muito mais de assistência do farmacêutico e menos de medicamento”. O presidente do Conselho Federal de Farmácia, Walter Jorge João, lamentou a perda do farmacêutico e disse que a profissão haverá, sempre, de orgulhar-se dele. “Os farmacêuticos precisam mirar no exemplo do Dr. Aluísio Pimenta. Ele era um homem de competências técnica e científica, pleno de humanismo e possuidor de estaturas moral e intelectual”, conclui Dr. Walter Jorge.

Pelo jornalista Aloísio Brandão, assessor de imprensa do CFF.

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