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Dengue, chikungunya e zika

Depois do Aedes aegypti, o borrachudo

Data: 15/03/2016

Em tempo de campanhas de combate aos mosquitos vetores de inúmeras complicações para saúde humana - como o zika vírus - a população fica atenta à disseminação de informações sobre outras possibilidades de transmissores e às manifestações do ambiente em que vive. Durante as últimas semanas foi lançada uma dúvida entre os moradores do município de Pelotas: o aparecimento de focos de borrachudo na região. Como até poucos anos atrás este mosquito não era encontrado na Zona Sul, a Embrapa Clima Temperado em Pelotas intensificou a divulgação de alguns esclarecimentos e aponta recomendações sobre o inseto que, embora pequeno, incomoda muita gente.

O pesquisador Dori Edson Nava, responsável pelo Laboratório de Entomologia da Unidade de pesquisas local, comenta que nos últimos verões a população da zona rural de Pelotas e região tem se deparado com um novo mosquito. Além de atacar as pessoas e alguns animais, este inseto, conhecido popularmente como borrachudo, tem despertado curiosidade. “Muitos se perguntam o porquê dele ter chegado até a nossa região?”. Na crença popular, algumas pessoas creditam que foi introduzido para o controle da lagarta-da-soja; outros dizem que se trata da vespinha, liberada nos paióis de armazenamento de fumo, para o controle do besouro do fumo, ou até mesmo que são os parasitoides que estão sendo liberados na zona rural para o controle da mosca-das-frutas nos pomares de pessegueiro. Mas nenhuma destas opções é considerada verdadeira.

“É difícil dizer com certeza como estes insetos chegaram até aqui”, argumenta o pesquisador. O que se sabe é que na natureza tudo é dinâmico e as mudanças ocorrem muitas vezes sem a devida percepção e ao longo de muitos anos. Embora o “borrachudo” possa ter se adaptado a estas mudanças ao longo do tempo, também é possível que algum outro fator relacionado às atividades humanas possam ter favorecido o seu desenvolvimento e sua reprodução em nossa região.

“Pode-se pensar nas mudanças climáticas, principalmente na temperatura e no regime de chuvas, ou ainda, na destruição das matas e na poluição dos rios, que recebem dejetos humanos, restos de fezes de animais e resíduos de inseticidas, que acabam matando os possíveis predadores naturais do mosquito”, enumera Dori, sobre algumas possíveis causas.

De carona

O engenheiro agrônomo do escritório da Emater em Morro Redondo, Evaldo Voss, também confirma o aparecimento do mosquito naquela cidade e, segundo ele, neste verão a proliferação foi ainda mais intensa. Casado com a proprietária de uma farmácia na cidade, Voss diz que o estabelecimento nunca vendeu tanto repelente. “A picada desse bicho é ardida e muito incômoda. O produto ao menos dá uma espantada”.


O agrônomo, que em anos anteriores já atuou em cidades como Erechim, no Noroeste gaúcho, e no Paraná, onde a prevalência do inseto é bastante comum, suspeita que o aparecimento na Zona Sul esteja ligado à soja, mas nesse caso ao transporte do grão e não ao cultivo. Conforme Voss, não é raro ver a presença do mosquito junto ao alimento. Ele acredita que os insetos venham “de carona” nos carregamentos, já que grande parte da produção do grão no Estado escoa pelo porto rio-grandino.

Em todo o Brasil

Segundo o pesquisador da Embrapa Dori Edson Nava o borrachudo pertence à família Simuliidae da ordem Diptera, sendo cientificamente chamado de Simulium spp., que existem varias espécies e por isso é de difícil identificação. Estes mosquitos se caracterizam por apresentar pequeno tamanho (adultos medem de 1 a 4 mm). Têm uma ampla distribuição no Brasil. No Rio Grande do Sul é comum encontrá-los na região Norte, na Serra, e também, de alguns anos para cá, no Litoral Norte do Estado. Suas picadas, além de causar um desconforto e alergias nas pessoas também podem transmitir doenças, mas estas são restritas à região Norte do Brasil, mais especificamente, ao estado de Roraima e a países da África.

Outro problema causado por este mosquito é o fato de atacarem animais que possuem partes do corpo não protegido, como aves e alguns mamíferos. As responsáveis pelas picadas são as fêmeas, pois necessitam se alimentar de sangue para se reproduzirem. Ao realizarem a picada, as pessoas normalmente não sentem o ataque. Entretanto, alguns minutos após, ocorre desconforto no local, sendo a coceira o sintoma mais comum.

Desenvolvimento do borrachudo passa por 4 estágios durante sua vida:

1- As fêmeas, após realizarem as picadas, procuram locais com água corrente e colocam os ovos em pedras, restos de vegetais e mesmo o lixo que é jogado nos rios, como latas, garrafas e plástico, entre outros.
2 -Após, entre quatro e cinco dias, eclodem as larvas que se alimentam de restos orgânicos presentes na água.
3 -Cerca de 19 a 22 dias depois estas larvas formam um casulo e permanecem dentro dele, durante um estágio denominado de pupa.
4 - E, cerca de cinco a sete dias, emergem os adultos e passam a dar continuidade ao ciclo biológico. Aproximadamente ao completar um mês de vida os adultos se alimentam, acasalam e reproduzem. Assim, durante o verão, em média um mês, o inseto completa os estágios imaturos e, a cada dois meses, finaliza o ciclo biológico (ovo-adulto).

Como evitar as picadas do mosquito

- Proteja as residências utilizando telas nas portas e janelas;
- Use repelente na pele para se proteger das picadas;
- Projeta o seu corpo com o uso de calças e camisas de manga comprida. Normalmente as picadas se localizam nas mãos, nos pés e na cabeça.

Doenças e risco de transmissão

O mosquito pode transmitir um nematoide parasita, conhecido como Onchocerca volvulus que é responsável por causar a doença chamada de Oncocercose, conhecida também como “cegueira dos rios” ou “mal do garimpeiro”. Felizmente não temos esta doença no Sul do Brasil. A maior parte dos casos (99%) ocorrem na África. No Brasil ela foi detectada em 1967 e ocorre na região Norte na fronteira com a Venezuela.

Fonte: Diário Popular

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