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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Dengue, chikungunya e zika

Restrições para grávidas

Data: 09/03/2016

Após reunião extraordinária, a OMS recomendou que grávidas não viajem para áreas afetadas pelo zika. A entidade já admite o risco de contágio sexual e indícios mais fortes de relação da doença com microcefalia e distúrbios neurológicos. O alerta de emergência internacional foi mantido. A Organização Mundial da Saúde (OMS) manteve ontem o alerta internacional sobre microcefalia e síndrome de Guillain-Barré, emitido pela primeira vez no mês passado, mas não incluiu o avanço da zika, que já afeta 52 países, como emergência. A decisão foi tomada durante a segunda reunião do Comitê de Emergência da entidade, que terminou ontem em Genebra com uma recomendação para as grávidas: elas não devem viajar para áreas com surtos de zika. Até então, não havia restrições para as gestantes — a única sugestão era que elas conversassem com seus médicos antes de irem para locais afetados. Agora, todo cuidado é pouco, diz a OMS, que também orientou as grávidas a fazerem apenas sexo seguro se seus parceiros vivem em regiões com zika ou tenham viajado para lá. Segundo a entidade, a transmissão sexual é mais comum do que se imaginava.

— Desde 1 º de fevereiro, muitas pesquisas fortaleceram a associação entre zika e microcefalia. As mulheres estão muito preocupadas, e podemos entender isso — disse Margaret Chan, diretora- geral da OMS, que foi cautelosa ao responder, durante entrevista na Suíça, se as mulheres brasileiras deveriam evitar a gravidez. — O que posso dizer é que as mulheres grávidas devem se proteger do mosquito Aedes aegypti e ser informadas sobre todas as possibilidades para evitar o contágio pelo vírus zika.

GESTANTE DESISTE DE VIR AO RIO

Antes mesmo de saber que a OMS ia recomendar que gestantes não fossem para áreas com surtos de zika, a carioca Paula Bahiana, que mora há quatro anos em Los Angeles, onde tem uma empresa de pet sitter, já tinha desistido de vir ao Brasil. Grávida de 12 semanas, ela perdeu um bebê na última gestação e não quer se arriscar.

— Planejava ir ao Brasil este ano, mas depois que soube da gravidez, em janeiro, e comecei a escutar notícias sobre zika, desisti. Até agora, me parece que não se sabe o suficiente sobre o zika. Escutei histórias de que haveria risco de microcefalia até mesmo anos depois de se contrair o vírus. As consequências são tão graves que não pretendo ir ao Brasil tão cedo. Precisava resolver vários problemas, mas dei uma procuração para minha irmã. Não vou nem mesmo quando o surto passar. Já tive dengue duas vezes e sei que esse mosquito não vai embora, só fica pior. Antes, transmitia só dengue, agora também passa zika e chicungunha — diz Paula.

Segundo o infectologista Alberto Chebabo, a recomendação da OMS para as gestantes foi baseada também num estudo da Fiocruz e da Universidade da Califórnia, divulgado no último sábado, que mostrou novas evidências de que o zika causa anomalias graves nos fetos. A pesquisa revelou que 29% das grávidas infectadas pelo zika, que foram acompanhadas pelos cientistas, tiveram crianças com defeitos congênitos. As mulheres eram todas saudáveis e sem nenhum outro fator de risco, mas seus bebês apresentaram anormalidades como restrição no crescimento intrauterino e alterações no sistema nervoso central. — Essa pesquisa também mostrou problemas nos fetos de mulheres infectadas com zika em períodos mais tardios da gestação — diz Chebabo.

O Ministério da Saúde divulgou nota em que diverge da orientação da OMS no que diz respeito a viagens de mulheres grávidas. Enquanto a entidade internacional diz que gestantes devem ser aconselhadas a não viajar para áreas de contínuos surtos de vírus zika, a pasta sugere apenas que essas mulheres usem repelentes e roupas compridas, permanecendo com portas e janelas fechadas ou com telas. O ministério informou que segue orientação da própria OMS, reafirmada ontem, de que “não deve haver restrições gerais sobre viagens ou comércio” com regiões onde haja transmissão do vírus.

Durante o encontro de ontem, cientistas e representantes de Brasil, Cabo Verde, Colômbia, França e Estados Unidos apresentaram dados novos sobre o vírus zika, mas não chegaram a um consenso sobre a decisão de incluílo no alerta de emergência internacional. Apesar de Margaret Chan afirmar que existe uma “provável relação” entre zika e microcefalia, ela destacou que novas pesquisas ainda precisam ser feitas. De acordo com o diretor do comitê David Heymann, ainda não há comprovação científica dessa associação. Um dia antes, o chefe do Departamento de Surtos da OMS, Bruce Aylward, havia dito que “as evidências se acumulam”.

Depois de seis horas de reunião, os cientistas recomendaram também que estudos sobre a relação entre zika e distúrbios neurológicos sejam intensificados, acrescentando que é preciso dar atenção máxima às pesquisas de sequenciamento genético do vírus e aos diferentes efeitos clínicos provocados pelo micro-organismo.

CONTROLE DE AEROPORTOS

A OMS recomendou ainda que seja feito controle de mosquitos nos aeroportos e que países afetados considerem a dedetização de aeronaves. No Rio, que sediará as Olimpíadas de 2016, a Coordenação de Vigilância Ambiental da Secretaria municipal de Saúde informou que as áreas de portos, aeroportos e rodoviárias são consideradas estratégicas e seus entornos recebem vistorias semanais dos agentes de vigilância. Segundo o órgão, a cada visita a imóveis próximos a portos e aeroportos, os agentes tratam os depósitos de água e eliminam possíveis focos do Aedes aegypti, além de tomar as medidas necessárias para evitar o surgimento de criadouros do mosquito, como a colocação de larvicida.

Fonte: O Globo

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