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Desvendado mecanismo celular da demência

Data: 13/01/2016

O Alzheimer é uma das doenças com maior incidência na população idosa. A cura para o tipo mais comum de demência ainda não existe, mas pesquisadores têm se dedicado a descobrir como ela é desencadeada no cérebro. Segundo eles, essa é a melhor saída no sentido de um tratamento eficaz. Com esse objetivo, pesquisadores da Inglaterra realizaram experimentos em ratos e observaram elementos cerebrais distintos ligados à memória e à localização nas cobaias com demência. Os investigadores do estudo, publicado hoje na revista internacional Journal of Neuroscience, acreditam que os achados podem ser semelhantes ao que ocorre no corpo humano, o que pode ajudar no desenvolvimento de novas terapias para enfermidades neurodegenerativas.

A ideia da pesquisa surgiu a partir dos resultados de um estudo anterior apontando a existência de células no cérebro ligadas à localização espacial (leia Para saber mais). “Em 2014, o Prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia foi dado a John O’Keefe, Edvard Moser e May-Britt Moser. Juntos, eles têm descrito o sistema de navegação do cérebro — composto pelas células de lugar e células de grade. No entanto, não havia um entendimento real de como esses sistemas são interrompidos na demência, que é o que nos propusemos a descobrir”, contou ao Correio Jon Brown, pesquisador da Universidade de Medicina de Exeter, no Reino Unido.

No primeiro experimento, os cientistas analisaram o córtex entorrinal de ratos, onde estão as células de grade. Essa região é associada a funções como a formação de memória e a navegação. Os pesquisadores descobriram que células de grade têm padrões diferentes: ficam mais concentradas na parte superior do córtex entorrinal. Para eles, esse gradiente de cima para baixo, com diferentes escalas, contribui para o senso de direção.

Depois, a equipe comparou a atividade no córtex entorrinal de roedores saudáveis com o de cobaias que tinham demência e descobriu que as escalas distintas não estavam presentes nos animais do segundo grupo, o que poderia provocar falhas na navegação natural desses bichos. “Essa é uma descoberta animadora, porque é a primeira vez que a atividade das células da grade é associada ao aparecimento da doença”, destacou Brown.

Em humanos

Na segunda etapa da investigação, foram analisadas as células de lugar, localizadas no hipocampo — estrutura ligada à aprendizagem e à memória. Os cientistas observaram que, nos ratos com a doença neurodegenerativa, essa região sofria perturbações ligadas à sinapse (a comunicação entre os neurônios) e às funções celulares, o que prejudicaria a memória. Os dois achados, sustenta a equipe, poderiam ser observados em humanos devido à semelhança entre os dois organismos.

“Há bastante evidências as quais sugerem que a fisiologia básica de navegação espacial é similar em humanos e roedores, embora haja uma probabilidade de haver algumas diferenças também. Curiosamente, um outro grupo publicou um estudo em pacientes com um risco genético de contrair a doença de Alzheimer e encontrou alterações em funções das células de grade. Isso sugere que estamos no caminho certo com os estudos em roedores”, destaca Brown.

Vanessa Muller, neurologista e diretora médica da VTM Neurodiagnóstico (RJ), avalia que o estudo britânico mostra dados conhecidos quanto às células de grade e às células de lugar, mas destaca que os pontos até então desconhecidos poderão fazer diferença em pesquisas futuras. “Embora saibamos que existem esses modelos de células, não se tinha a percepção da concentração. Nesse estudo, vemos que as células de grade estão mais presentes na parte superior da região entorrinal. Com essas informações, as chances de surgirem novas opções terapêuticas são maiores”, explica.

Cláudia Barata Ribeiro, neurologista, fisiatra e presidente regional da Associação Brasileira de Medicina Física (ABBR-DF), também acredita que detalhes mostrados no estudo britânico poderão ajudar no desenvolvimento de intervenções mais eficazes. “É importante saber que, no córtex entorrinal, temos uma camada mais densa dessas células e onde ela está, já que isso pode influenciar em problemas de localização, um dos sintomas do Alzheimer”, diz.

Ribeiro conta que, anos atrás, em estudos com Parkinson, foi visto que faltava dopamina em uma região específica do cérebro, o que interferiria na doença. “Agora, temos novos dados sobre essas camadas distintas. Isso pode ser mais um passo em direção a novos tratamentos”, complementa.

Necessidade de mais estudos

A incidência do Alzheimer tende a aumentar devido ao envelhecimento da população. Um dos maiores levantamentos já feitos sobre a enfermidade — conduzido pelo centro de pesquisa londrino Alzheimer’s Disease International (ADI) — mostra que ela atinge 35,6 milhões de pessoas no planeta, e a previsão é de que esse número chegue a 65,7 milhões em 2030 e a 115,4 milhões em 2050.

“Trata-se de uma preocupação no mundo inteiro porque, com a longevidade, existe um aumento no número de casos de doenças que provocam a demência, sendo o Alzheimer o mais frequente desse problema. Por isso, é importante que surjam mais pesquisas como essa”, destaca Cláudia Barata Ribeiro, presidente regional da Associação Brasileira de Medicina Física (ABBR-DF).

Os autores do estudo britânico divulgado hoje no Journal of Neuroscience também defendem mais dedicação científica ao tema. “A demência é um dos maiores desafios da saúde do nosso tempo e ainda temos muito a aprender sobre as suas causas, bem como sobre como nosso cérebro funciona. Essa pesquisa faz progressos em ambas as áreas. É um pequeno passo ao longo da estrada para novos diagnósticos, tratamentos e terapias”, destaca Jon Brown, pesquisador da Universidade de Medicina de Exeter.

O trabalho dos pesquisadores terá continuidade. “Usando esses e outros modelos de ratos com demência, pretendemos investigar alguns dos mecanismos celulares e a sináptica detalhada que fazem com que ocorra essas perturbações aos sistemas de navegação do cérebro”, adianta. (VS)

 

"Ainda temos muito a aprender sobre as suas causas (da demência), bem como sobre como nosso cérebro funciona. É um pequeno passo ao longo a estrada para novos diagnósticos, tratamentos
e terapias”.

Fonte: Correio Braziliense

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