Menu Principal

fecha o menu
Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

ARTIGO - Farmacêutico, a fonte límpida de informações

Data: 09/11/2009

A cidade é pequena, pacata. Não tem mais que 10 mil habitantes. A calma da ruazinha central é quebrada apenas pelo entra-e-sai de pessoas na única farmácia do lugar. Estão, ali, para se orientar com o farmacêutico sobre o uso correto do medicamento e sobre cuidados gerais em saúde. E, também, para muito mais.

Em geral, aquela farmácia está sempre cheia. O centro das atenções é o farmacêutico. Ele é a autoridade da cidadezinha. Estudantes do ensino fundamental o cercam para aprender com ele Química e Biologia, visando às provas do dia seguinte. Outro grupo de estudantes aguarda a sua vez para igualmente ter com ele uma aula improvisada. O assunto é Matemática.

O farmacêutico para, com o objetivo de atender a um cliente. Diz-lhe que o antibiótico à base de tetraciclina não deve ser tomado com leite. Explica-lhe que o cálcio contido no leite interage com o medicamento, dificultando a sua absorção pelo trato gastrintestinal. Aproveita para citar que outros medicamentos também interagem com alimentos. De repente, chega uma paciente e solicita uma conversa mais reservada com o farmacêutico. Acanhada, ela pede um antibiótico. Não porta receita médica.

O farmacêutico, com sua psicologia, faz uma anamnese (entrevista com o objetivo de levantar informações sobre o estado do paciente) e presume que a mulher tenha uma candidíase vaginal, doença causada por um fungo. Então, adverte que ela não pode tomar antibiótico sem receita médica e diz que esse tipo de medicamento só age diante de bactérias, não surtindo efeitos sobre o causador de sua doença (um fungo). Ela confessa que já vinha tomando antibióticos e que, realmente, não sentira nenhuma melhora. O farmacêutico aconselha-a a ir à cidade mais próxima, onde há recurso médico, para fazer uma consulta.

Dentro da farmácia, vão chegando os senhores da cidade, como sempre fazem, àquela hora. São de várias idades e classes sociais. Sentam-se nos longos bancos. Esperam que o farmacêutico tenha um instante de folga para iniciar a prosa boa, já que esta não teria sentido, sem a sua participação. A conversa gira em torno das chuvas, que estão tardando-se, comprometendo a lavoura.

Em seguida, a conversa avança para a política, passando pelas questões econômicas e sociais. Todos falam, olhando atentamente para o farmacêutico. Para cada assunto, ele tem uma explicação, porque é um dos poucos do lugar que recebe jornais e revistas, além de ter uma habitual leitura técnica e científica sobre diferentes assuntos.

O farmacêutico, sempre disponível e solícito, aproveita cada oportunidade para, de forma didática, chamar a atenção para como se prevenir contra doenças e para a necessidade de mudanças nos hábitos de vida em favor da manutenção da saúde. Ao hipertenso, orienta sobre a forma correta de tomar os vários medicamentos prescritos pelo médico, ressaltando o perigo da interação medicamentosa. Aconselha-o a fazer caminhadas diárias, a diminuir a ingestão de sal e gordura. Faz ainda aconselhamentos ao diabético.

Tempo depois, a conversa envereda para outros temas. Os festejos da padroeira, o novo padre que chegara à cidade, as reformas do clube e o futebol vão entrando na roda de discussões. A essas alturas, há pessoas também do lado de fora da farmácia, sentadas em bancos à sombra de uma árvore. Entabulam longas conversas sobre diferentes temas, mas, volta e meia, dirigem-se ao farmacêutico para conferir o correto sentido dos assuntos.

Lá dentro, o farmacêutico recebe um senhor da área rural. Está triste, cabisbaixo por um infortúnio qualquer. Ele não quer medicamentos. Apenas busca uma palavra amiga, um conforto espiritual que aplaque a dor que o corrói por dentro. E tem do farmacêutico as palavras exatas de que precisa.
Caros leitores, as cenas citadas passaram-se, nos anos 30 do Século XX, quando, nos interiores mais distantes do Brasil, o farmacêutico era o único profissional da saúde. Mais que isso, ele era o pólo irradiador de informações, o conselheiro das famílias, o mediador nas contendas; o sanitarista permanentemente de prontidão para investigar problemas de saúde, no Município; o palestrante sobre assuntos de saúde, nas escolas e no salão paroquial, o escutador.

As cenas não são apenas uma pálida lembrança do passado. O farmacêutico eternamente será pleno desses atributos. É de sua índole. Ele é verdadeiramente o educador em saúde, e o alcance social de suas ações é incalculável. E, como está sempre disponível, em sua farmácia ou na farmácia onde atua, e como é um profissional excepcionalmente qualificado, técnica e cientificamente, ele precisa ser ainda mais procurado pela sociedade. Jamais um paciente necessitará de marcar horário, ou fazer ficha para ser atendido pelo farmacêutico. É só chegar e terá a orientação de que precisa.

Dono de amplos conhecimentos científicos adquiridos, na Universidade, o farmacêutico tem diversificado as suas atividades. Hoje, são 76, e todas elas regulamentadas pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF). As atividades desenvolvem-se nas áreas da farmácia clínica, da indústria, das análises clínicas e toxicológicas, da citopatologia, da radiofarmácia, do alimento, da terapia nutricional etc.

Ressalto que o farmacêutico está no front dos conhecimentos biotecnológicos, genéticos. A genética está expandindo as fronteiras da atividade farmacêutica a um mundo novo e muito mais promissor, onde a cura de doenças consideradas incuráveis passou a ser algo factível.

É, neste ambiente científico revolucionário, onde estão surgindo novas gerações de medicamentos, denominados de farmacogenômicos. Eles já chegaram ao mercado, trazendo esperanças à humanidade. As terapias celulares são outros focos do farmacêutico que, diga-se de passagem, tem sobre os ombros o peso de um grande desafio social e sanitário. Mas o farmacêutico não rompeu o cordão umbilical que o liga à sua atividade mãe, que é a assistência farmacêutica prestada, na farmácia. Dentro desse estabelecimento (de saúde, enfatize-se), ele é a autoridade máxima.

Caro leitor, experimente conversar com o farmacêutico. As cenas que descrevi podem, sob certos aspectos, não se repetir necessariamente, mas o profissional - hoje, muito mais qualificado, mais dotado de conhecimentos científicos - é, em sua essência, o mesmo farmacêutico pleno de desejo de servir. Fale com o farmacêutico. O prazer será todo dele.
 

Fonte: DM
Autor: Jaldo de Souza Santos, Presidente do Conselho Federal de Farmácia, E-mail:presidencia@cff.org.br

Fotos Relacionadas

TV CFF















Newsletter

Cadastre-se em nossa newsletter para receber notícias direto no seu e-mail



Copyright © 2008 Conselho Federal de Farmácia - CFF. Todos os direitos reservados.

SHIS QI 15 Lote L - Lago Sul / Brasília - DF - Brasil - CEP: 71635-615

Localização

Fone: (61) 3878-8700