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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias Gerais

Droga traz esperança contra Alzheimer

Data: 23/07/2015

Os casos de mal de Alzheimer vêm aumentando, puxados pelo envelhecimento populacional, mas as opções de terapias não têm avançado na mesma medida. Foram muitas as tentativas que falharam no meio do caminho, frustrando pacientes e médicos. Foi por isso que um novo medicamento capaz de retardar a doença foi anunciado ontem com destaque na Conferência Internacional da Associação de Alzheimer, em Washington. Cientistas divulgaram os resultados de testes em humanos com o uso do solanezumabe, da farmacêutica Eli Lilly, sugerindo que a substância pode diminuir o ritmo de declínio cognitivo em indivíduos com a doença em estágio inicial. Seria o primeiro do tipo para frear a forma mais comum de demência, problema que afeta 44 milhões de pessoas no mundo e que poderá atingir 135 milhões em 2050, segundo estimativas da organização Alzheimer’s Disease International. A apresentação repercutiu mundialmente, num misto de expectativa e cautela entre especialistas. Novos resultados ainda são esperados para o ano que vem.

ATAQUE A MOLÉCULAS ESPECÍFICAS

A droga é um anticorpo monoclonal — terapia com várias aplicações e que já vem sendo testada em outras pesquisas de Alzheimer, além de câncer e Aids. São proteínas produzidas em laboratório que combatem micro- organismos ou moléculas específicas do corpo. Têm se mostrado inovadoras, mas ainda apresentam efeitos colaterais fortes.

No caso do solanezumabe, atacam os peptídios beta- amiloides, toxinas que se acumulam e formam placas no cérebro, consideradas responsáveis pelo desenvolvimento da doença.

— As primeiras tentativas de terapia nessa linha tinham como alvo as placas senis. A inovação deste medicamento é exatamente o fato de ele atacar as neurotoxinas que causam a doença, antes de se formarem as placas — explicou o neurocientista Rogério Panizzutti, professor da UFRJ. — Ficamos na expectativa de que estes resultados se confirmem na próxima etapa do estudo, para que os pacientes tenham disponível uma terapia que diminua a progressão da doença de Alzheimer, o que não existe até o momento.

Além de mais de uma centena de estudos com drogas “antiamiloides” terem falhado na última década, José Ibiapina, professor da Universidade Federal do Ceará e membro titular da Academia Brasileira de Neurologia, lembra que até mesmo o solanezumabe quase também entrou na berlinda. Testado por 1,5 ano em pacientes com estágios leve e moderado de Alzheimer, o medicamento não foi eficaz quando comparado ao placebo num estudo divulgado em 2012. No entanto, em seguida, uma reanálise do mesmo estudo considerou apenas os casos leves e, assim, verificouse uma redução de 30% na velocidade de progressão da doença.

Os dados anunciados ontem são uma extensão desses outros estudos. Desta vez, todos os pacientes ( 1.322 pessoas) receberam o solanezumabe por mais dois anos, totalizando 3,5 anos de análise. Com isso, aqueles que originalmente tomavam placebo trocaram para a droga, mas com um “atraso” em relação ao grupo que já vinha usando o medicamento. Em nenhum momento, os pacientes souberam o que tomavam.

Os cientistas mostraram que ambos os grupos melhoraram nos testes cognitivos, mas o grupo “atrasado” não conseguiu alcançar o que já vinha tomando o remédio há mais tempo. Ambos evoluíram de maneira paralela. Isso, segundo eles, reforça que o medicamento tem uma ação efetiva.

“Os resultados corroboram o potencial benefício de começar o tratamento com o solanezumabe precocemente e sugerem que há um efeito mesmo em pacientes que receberam a droga tardiamente”, acrescentou um dos autores do estudo, Paul Aisen, da Universidade do Sul da Califórnia, em San Diego.

Apesar da expectativa, especialistas preferem aguardar os resultados de outro estudo com a droga, mais amplo e que vem ocorrendo paralelamente desde 2013. Nele, 2.100 pessoas com sintomas leves da doença e depósitos de amiloide no cérebro vêm sendo analisadas. Os resultados devem ser divulgados no final do ano que vem.

— O medicamento é promissor, mas devemos esperar os resultados finais deste estudo — comentou José Ibiapina. — E devemos ter cuidado nas interpretações dos resultados e nas reais indicações dentro de um grupo muito grande e heterogêneo de pacientes com esta doença.

Fonte: O Globo

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