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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias Gerais

Menos sódio na prateleira

Data: 13/05/2015

Marcas de bolos, salgadinhos, batata frita e biscoitos, itens que fazem a cabeça das crianças e adolescentes, diminuíram em até 10% a quantidade de sódio em suas composições, após acordo de 69 empresas da Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação com o Ministério da Saúde. Segundo dados do Plano Nacional de Redução de Sódio em Alimentos Processados, divulgados ontem, essa diminuição foi atingida por 95% das marcas. No entanto, ainda não surtiu efeito prático na vida dos brasileiros. Isso porque a porcentagem dos que sofrem de hipertensão, doença também relacionada ao consumo exagerado de sódio, variou de 24,1% (2013) para 24,8% (2014), de acordo com a pesquisa “Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico” (Vigitel, 2014).

— Possivelmente a diferença virá a longo prazo. Até porque o sódio é um dos fatores que deflagram a doença, mas há outros, como obesidade, colesterol alto, sedentarismo, estresse crônico, tabagismo e por aí vai — analisa o cardiologista Antonio Carlos Till, diretor médico do Vita Check-Up Center —E a hipertensão é um fator que deflagra o infarto, o derrame... Ao lado de outras doenças crônicas não transmissíveis, é responsável por 72% das mortes no país.

O Vigitel, em consulta telefônica com moradores das capitais, mostrou que a hipertensão atinge 26,8% das mulheres e 22,5% dos homens. Palmas é a que tem menor índice (15,2%). Porto Alegre (29%), Recife, Rio de Janeiro e Maceió (todas com 28%) são as maiores.

A doença, comum entre as pessoas com mais idade (59,9% para os de mais de 65 anos), também está relacionada à educação, com índice de 38% para quem estudou por zero a oito anos.

— Quem é novo não atenta para o problema. Mas, com o passar da idade, os rins já não dão conta de balancear a quantidade de sódio no sangue. E o brasileiro adora um tempero, um churrasco. É um perigo porque aumenta a pressão arterial, que é o gatilho para as doenças cardíacas — diz o cardiologista João Vicente da Silveira, do Hospital São Luiz.

CUIDADO COM “PEGADINHAS”

Para a nutricionista Elaine de Pádua, mestre em ciências da saúde pela Universidade Federal de São Paulo, a redução no consumo de sódio está ligada ao costume e à informação. Ela explica que o consumidor, até o mais atento, pode cair em “pegadinhas” da indústria alimentícia.

— Muitos produtos têm em seus rótulos informações nutricionais de uma determinada porção. Nem sempre correspondem ao pacote inteiro — pondera Elaine, para quem a iniciativa no combater ao excesso de sódio nos produtos processados é válida. — É importante porque reduz parte do sódio de produtos amplamente vendidos, e que também precisam de sódio para aumentar o tempo de prateleira. Mas a questão passa por uma reeducação alimentar. Biscoito à base de milho? Jamais deveria fazer parte do cardápio infantil.

Elaine se refere a um dos produtosalvo da segunda etapa do plano do Ministério de Saúde. Essa fase controlou produtos como batata frita, salgadinho de milho, bolo recheado, bolo sem recheio, rocambole, mistura para bolo aerado, mistura para bolo cremoso, maionese, biscoito salgado, biscoito doce e biscoito doce recheado.

Foram analisados 839 produtos. Segundo o monitoramento, feito em 2014, a meta foi alcançada por 83% dos bolos prontos com recheio, 89,7% dos salgadinhos de milho, 68% das batatas palha e frita, 77,8% dos biscoitos doces recheados e 16,23% da maionese.

Na primeira fase, os alimentos atacados foram massas instantâneas, pães de forma e bisnaguinhas. Na próxima etapa, cujo monitoramento já ocorreu mas os resultados ainda não foram tabulados, os alimentos foram margarinas, cereais matinais, caldos em cubo e temperos em geral. A última fase englobou hambúrgueres, embutidos e sopas.

Somando as duas fases iniciais, foram eliminadas das prateleiras dos supermercados 5.320 toneladas de sódio até 2012 e 7.452 toneladas até 2014. O objetivo é reduzir mais de 28 mil toneladas até 2020.

— O volume é vigoroso, mas não prescinde da necessidade, também, de diminuição de sal no preparo de cada refeição em casa — declarou o ministro da saúde, Arthur Chioro.

BRASIL ABUSA DO SAL

Entre as medidas, Elaine sugere, por exemplo, a substituição do sal por temperos naturais como alecrim e sálvia. E a troca do biscoito recheado dos lanches infantis por frutas. Afirmou ainda que é necessário aumentar o consumo diário de potássio (presente em frutas e verduras) para equilibrar o sódio no organismo e controlar a pressão arterial. Segundo ela, o ideal é 4.500mg/dia, e o brasileiro não chega a 30% disso.

— Para evitar “as pegadinhas”, o ministério poderia contratar organizações independentes que poderiam informar, por meio daquelas bandeirinhas presas às prateleiras, a quantidade nutricional dos alimentos nas porções exatas.

A questão é preocupante porque, segundo dados do Vigitel, 49% dos brasileiros acreditam que consomem a quantidade de sal adequada. Mas o consumo médio diário de quase 12 gramas de sal por pessoa é considerado alto. O recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é 5 gramas (equivalente a 2 gramas diários de sódio, medida de seis tampinhas de caneta Bic).

O ministério explicou que a redução do teor de sódio até 2020 teria impacto direto nos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS) e na saúde dos brasileiros, garantindo redução de 15% dos óbitos por acidente vascular cerebral (AVC) e 10% dos óbitos por infarto. Além disso, 1,5 milhão de pessoas ficariam livres de medicação, e haveria aumento de quatro anos na expectativa de vida dos hipertensos.

O aposentado Paulo César de Oliveira, de 62 anos, é hipertenso desde os 30. Sempre abusou do sal, mesmo depois do diagnóstico de falência renal.

— Só passei a me cuidar de cinco anos para cá. Infelizmente, agora, tenho de fazer hemodiálise quatro vezes por semana — lamenta.

Fonte: O Globo

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