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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

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Artigo

Data: 31/07/2009

Confesso. Foi uma sessão diferente de outorga de títulos de cidadania de todas as outras que já presenciei, e não são poucas. A solenidade realizada no plenário da Câmara Municipal, na última sexta-feira, 24/07, bem dirigida pelo presidente da Casa, vereador Auelione Alves da Silva, não foi chata, como normalmente acontece. Confesso que não vi o tempo passar, e quando terminou a sessão, para minha íntima surpresa, até lamentei seu término.

Entre os dez títulos entregues, todos com os seus currículos explicitados e justificados publicamente da razão da entrega de cada um deles, dois deles chamaram a atenção pela particularidade histórica embutida na existência de cada um. Sendo eles: Paul Mack e Jaldo de Souza Santos.

O discurso emocionado, sincero, distante do habitual demagogismo político do prefeito iporaense José Antônio da Silva Sobrinho, que eu tive o prazer de conhecê-lo em sua primeira administração, período de 1983 a 1989, pelas mãos do querido amigo poeta Pio Vargas, trouxe a dócil exceção de que Iporá é uma cidade diferente da maioria constelar dos municípios que orbitam o solo de Goiás. O discurso de improviso (como eu gosto) do José Antônio foi a prova mais contundente de que Iporá cultua, preserva e se orgulha dos partícipes de sua história.

Nos idos de 1940, a família Souza Santos foi importantíssima, ao lado de outras famílias, afinal ninguém constrói nada sozinho, para a transformação da antiga Itajubá, na atual Iporá, referência de município quando se visualiza hoje essa região. O menino Jaldo integrou a segunda leva dos Souza Santos a chegar em Itajubá, onde já residiam seu pai, Álvaro, sua irmã Olga, casada com Israel Amorim, primeiro prefeito eleito de Iporá, seus irmãos Elpídio, primeiro presidente da Câmara de Iporá, João de Souza Santos, primeiro contador formado a trabalhar em Iporá, que ainda entre seus haveria de ter o Zé da Farmácia, primeiro farmacêutico formado a trabalhar em Iporá, ainda Milca e Aldenora, primeiras normalistas formadas a trabalharem em Iporá. É enorme a história positiva dessa família para os pioneiros momentos de materialização da cidade.

Jaldo desembarcou dos vagões da estrada de Ferro Goiás em Leopoldo de Bulhões, vindo de jardineira (antigo ônibus) até Goiânia, da capital até Paraúna também de jardineira, desta cidade até Itajubá, de cavalo, enquanto as bagagens da família eram conduzidas de carro de boi. Atualmente, Jaldo, presidente do Conselho Federal de Farmácia (reeleito pela sexta vez), é um dos maiores nomes da farmácia brasileira e, viajando por todos os cantos do Brasil e de todos continentes, em seus discursos, a sua cidade de Iporá tem espaço assegurado para ser lembrada.

Por sua vez, mister Paul Mack, no ano de 1969, liderando uma missão norte-americana intitulada de Programa Voluntários da Paz, chegou a Iporá, para proceder uma verdadeira revolução educacional na zona rural da cidade. Por coincidência, quando eram passados 20 anos da criação do primeiro grupo escolar de Iporá, denominado “Israel de Amorim”, erguido pelos esforços de Milca e Aldenora de Souza Santos.

Paul Mack, apoiado pelo então prefeito Joaquim Barros de Souza (1968 a 1970), e muito em particular, pelo seu secretário Paulo Leão (presente à solenidade, sentado ao lado do ex-deputado iporaense Divino Vargas, primo de Pio Vargas), ergueu nada menos do que cinco escolas rurais nas localidades de Santa Marta, Buriti, Santo Antônio, Cedro e Macaco.

O resultado da filantropia educacional de Paul Mack, ele mesmo pôde assistir ao vivo, quando dezenas de pessoas presentes à solenidade se identificaram como ex-alunos dessas escolas, todas elas bem resolvidas nas mais variadas atuações profissionais.

Detalhe de amor a Iporá foi dado na noite de entrega de títulos, quando Jaldo revelou que teve que convencer a médica de sua mulher, Neide, em Brasília, que estava com a sua cesariana marcada para 24 de julho (mesma data da solenidade), antecipando-a para o dia anterior (23.07), para que ele pudesse estar presente à terra que ele tanto gosta para receber seu título. De uma forma ou de outra, o sétimo filho de Jaldo e Neide, Guto Lemes dos Santos, já nasce sob a égide de Iporá, ela que também faz parte da minha vida cultural e de saudáveis amizades brotadas neste eito.

 

Ubirajara Galli é escritor, diretor do Instituto Cultural José Mendonça Teles, membro do Conselho de Cultura do município de Goiânia, do Conselho Editorial da Universidade Católica de Goiás, da União Brasileira de Escritores, Seção de Goiás, Academia Goiana de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Goiás
 

Fonte: Jornal Diário da Manhã
Autor: Ubirajara Galli

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