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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias Gerais

DEFESA DA `MACONHA MEDICINAL` SÓ COMEÇOU

Data: 19/01/2015

Ao mesmo tempo em que comemoram a decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de retirar o canabidiol (CBD) da lista de substâncias proibidas no Brasil, pacientes que defendem o uso da maconha medicinal já se articulam para pressionar as autoridades a liberar outro derivado da planta com propriedades terapêuticas: o tetra hidro canabinol (THC).

A substância é responsável pelos efeitos alucinógenos da maconha, mas, associada ao CBD, também tem efeitos benéficos no alívio da dor e dos espasmos da esclerose múltipla e de outras doenças degenerativas do sistema nervoso. O canabidiol, isolado, é indicado para quadros epiléticos graves.

Já aprovado em outros países, o medicamento que associa as duas substâncias está sendo alvo de processos movidos por brasileiros que buscam na Justiça autorização para importar o produto, que tem menos efeitos psicotrópicos do que a planta fumada.

Com doença congênita na coluna, a estudante mineira Juliana Paolinelli Novaes, de 35 anos, foi a primeira a conseguir a autorização judicial para importar o remédio com THC, mas, até hoje, cinco meses após a decisão, não conseguiu ter acesso ao medicamento, por causa do preço. “A única importadora que aceitou trazer cobrava R$ 9.300 por três frascos, que não davam para um mês. Na Europa, o frasco custa R$ 695. Não tenho condições de pagar o que pedem”, afirma.

Mesmo sabendo das dificuldades, abancária Camila Gontijo, de 34 anos, pretende seguir o mesmo caminho de Juliana. Ela vai ingressar com ação pedindo autorização para importar o medicamento e exigir que o Estado pague pelo produto. Enquanto não obtém o medicamento, ela recorre ao cigarro de maconha para aliviar as dores e espasmos provocados por um problema degenerativo na coluna.

“Essa doença faz com que os discos da coluna comprimam os nervos. Já fiz três cirurgias, até que não aguentava mais e decidi testar o canabidiol e a maconha, há três meses. Melhorei muito”, diz ela. “Antes não conseguia trabalhar, dirigir. Agora estou tendo uma vida quase normal”, afirma.

Vitória

Além de torcer para que a liberação do canabidiol no Brasil amplie a discussão sobre outros derivados da maconha, pacientes esperam que a decisão da Anvisa facilite o processo de importação do CBD, que,embora tenha deixado a lista de substâncias proibidas, ainda precisa ser comprado fora do País. Não há autorização para comercialização do produto em território brasileiro.

“Em primeiro lugar, espero que a liberação pela Anvisa faça com que mais médicos prescrevam o CBD, porque é difícil encontrar algum que aceite”, diz a técnica de enfermagem Ayla Carla Martins Muniz, de 27 anos, mãe das gêmeas Gabriella e Manuella, de 2 anos, que sofrem da Síndrome de West, doença que provoca frequentes crises convulsivas.

“A Manuella já está tomando o CBD porque consegui autorização da Anvisa. Eram 60 crises por dia, ela não conseguia dormir. A Gabi estava com um quadro mais leve, mas os exames já estão mostrando alterações, então pretendo entrar com o CBD também”, conta Ayla.

Ela agora espera que a liberação do composto faça com que o Estado passe a ser obrigado a fornecer o medicamento de forma gratuita.

Fonte: O Estado de S.Paulo

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