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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

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Vítimas do próprio ofício

Data: 27/08/2014

A maior epidemia de ebola da História, que já atingiu ao menos 2.615 pessoas e matou 1.427, está aplicando um duro golpe aos que estão à frente dos esforços para conter o vírus. Médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde já somam 240 infectados e 120 mortos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), números classificados como “sem precedentes”.

De acordo com a agência da ONU, nos três países mais atingidos (Libéria, Serra Leoa e Guiné), há apenas um ou dois médicos para tratar cada 100 mil pessoas, concentrados em áreas urbanas, e a situação tende a piorar com o aumento das mortes.

O informe divulgado pela OMS revela que o ebola tem tirado a vida de médicos experientes, dedicados e até daqueles considerados heróis nacionais. “Vários fatores ajudam a explicar a alta proporção de pessoal médico infectado.

Esses fatores incluem a falta de equipamento de proteção pessoal ou seu uso indevido, pouquíssimos profissionais de saúde para (lidar com) um surto tão grande, e a compaixão que faz com que a equipe médica trabalhe em salas de isolamento muito mais horas do que o recomendado como seguro”, afirma o texto.

A própria OMS anunciou ontem o fechamento de um laboratório do próprio órgão, em Serra Leoa (onde agora só resta um), por conta da infecção de um profissional de saúde.

— Trata-se de uma medida temporária para avaliar os cuidados com a nossa equipe — afirmou o porta-voz da instituição Christy Feig, sem detalhar, no entanto, quando o laboratório será reaberto.

FALTAM LUVAS, MÁSCARAS E ÁGUA

O informe da OMS diz que, diferentemente de epidemias anteriores, o ebola agora também atinge capitais, além de áreas rurais. O que aumenta as chances de equipes hospitalares terem contato com casos não diagnosticados. E alguns sintomas da doença são comuns a outras enfermidades corriqueiras na região, como malária e febre tifoide. Isso faz com que alguns médicos e enfermeiros pensem não ser necessário se precaver. Sobretudo, faltam equipamentos.

— Nos centros de saúde na maioria desses lugares, faltam equipamentos básicos, como luvas, máscaras e óculos — conta Rachel Soeiro, dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), que voltou da Guiné em julho, acrescentando que é comum pacientes ainda não diagnosticados serem atendidos por profissionais de saúde sem proteção alguma. — Aqui no Brasil, por exemplo, para fazer um parto, o médico vai estar com proteção completa; isso não necessariamente acontece lá. Faltam luvas, máscaras e principalmente óculos.

Além disso, diz Rachel, condições básicas de higiene muitas vezes não são respeitadas, por conta da falta total de infraestrutura básica nesses países.
Com isso, até lavar a mão é complicado.

— As pessoas andam dez, vinte quilômetros para pegar água — conta. — Não há água suficiente para lavar as mãos, nem fazer a higienização do hospital.

O virologista da UFRJ Fernando Portela Câmara concorda com a colega: — Desde a primeira epidemia de ebola, em 1976, no então Zaire, as unidades médicas são as difusoras da doença — constata Cãmara. — E isso ocorre por conta da precariedade dos recursos básicos, como luvas e máscaras, e também de um simples sistema de desinfecção. É a doença da miséria, da sujeira.

MÉDICO MORRE MESMO COM TRATAMENTO

A OMS destaca que infecções e mortes de profissionais da saúde têm forte impacto. Além de atingir os principais responsáveis pelo controle do surto, elas podem significar a disseminação do pânico entre funcionários de hospitais e até o fechamento de unidades, levando à negligência no atendimento de outras doenças e procedimentos de rotina, como partos.

Na segunda-feira, o ministro da Informação da Libéria, Lewis Brown, informou que um dos três médicos africanos infectados com o ebola e tratados com a droga experimental ZMapp morreu em Monróvia.

O país, que é o mais afetado pela doença, recebeu três doses do medicamento em 13 de agosto e tinha declarado que os três médicos (além do liberiano Abraham Borbor, que faleceu, Zukunis Ireland e Aroh Cosmos) estavam reagindo bem à medicação, despertando otimismo em relação à terapia experimental.

Em Londres, o enfermeiro britânico William Pooley, de 29 anos, que contraiu ebola em Serra Leoa e voltou para a Inglaterra, manifestou desejo de retornar à África para continuar o trabalho voluntário de contenção da epidemia. Ele disse a amigos próximos que espera se recuperar do vírus dentro de 15 dias.

Pooley teria assumido o compromisso com seu ex-chefe em um telefonema enquanto estava deitado numa maca dentro de um avião da Força Aérea britânica que o levava para o Reino Unido.

Em entrevista ao jornal inglês “The Sun”, o diretor do hospital em que Pooley trabalhava em Serra Leoa, Gabriel Madiye, disse que o enfermeiro estava confiante em sua recuperação.

Ontem, a atuação da OMS na contenção do ebola foi criticada pelo professor belga Peter Piot, corresponsável pela descoberta do vírus em 1976. O cientista lamentou a “extraordinária lentidão” da OMS para responder à situação e disse que podemos chamar o surto de “tempestade perfeita”. E afirmou que a epidemia na África Ocidental deve se acelerar.

— Nunca havia acontecido uma epidemia de tal magnitude. Há seis meses assistimos ao que se poderia chamar de “tempestade perfeita”, porque estão reunidas todas as condições para que ela se acelere — descreveu.

Ainda de acordo com o especialista, o surto de ebola, “explode em países onde os serviços de saúde não funcionam, devastados por décadas de guerra civil. Além disso, a população desconfia radicalmente das autoridades”. — É necessário restabelecer a confiança. Em uma epidemia como a do ebola, não é possível fazer nada sem confiança — acrescentou.

Anteontem, o coordenador da ONU na luta contra o ebola, David Nabarro, alertou que o combate à epidemia é uma “guerra” que não está vencida de antemão e que pode durar seis meses: — A OMS despertou apenas em julho, apesar de o alerta ter sido feito no início de março e de a epidemia ter começado em dezembro de 2013. Agora assume a liderança, mas é muito tarde.

Fonte: O Globo

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