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Amizade genética

Data: 28/07/2014

Até hoje se acreditava que as pessoas se tornavam amigas exclusivamente por fatores ligados à personalidade, aos gostos pessoais e por situações vivenciadas em conjunto. A ciência nunca havia aventado a possibilidade de que fatores genéticos pudessem influenciar, de alguma forma, a maneira com que nos relacionamos com pessoas com as quais não temos ligações familiares. E, muito menos, a maneira como escolhemos quem serve para estabelecer conosco uma relação de amizade profunda e duradoura. Mas uma pesquisa realizada por cientistas da Universidade da Califórnia e da Universidade de Yale vai na contramão do senso comum e afirma que, sim, a carga genética pode ter uma forte influência nas relações entre pessoas sem ligação familiar.

O estudo, conduzido pelo professor de genética e política social da Universidade da Califórnia James Fowler e pelo professor de biologia evolucionária da Faculdade de Medicina de Yale Nicholas Christakis, chegou à conclusão de que pessoas que têm relações de amizade tendem a ter uma carga genética mais semelhante entre si do que com aquelas pessoas da mesma comunidade que não são suas amigas. Segundo os dois cientistas, a pesquisa apontou que por alguma razão evolucionária tendemos a nos tornar amigos daquelas pessoas que são mais parecidas conosco, geneticamente falando. “Pelo nosso estudo percebemos que aquelas pessoas que são amigas de longa data têm uma carga genética tão semelhante quanto primos de quarto grau”, afirmou Fowler.

Os dois cientistas chegaram a essa conclusão após estudar cerca de 1,5 milhão de marcadores genéticos – sequências de DNA específicas que determinam as diferenças entre pessoas – de cerca de duas mil pessoas. Fowler e Christakis se aproveitaram dos dados coletados pelo Projeto Framingham, um estudo sobre doenças cardíacas que vem ocorrendo sem interrupções desde 1948. A pesquisa é considerada uma das mais aprofundadas sobre problemas vasculares no mundo e coletou informações de mais de seis mil pessoas da pequena cidade de Framingham, no Estado americano de Massachusetts. Além das informações médicas comuns, como pressão arterial ou hemogramas, o Projeto Framingham obteve dados genéticos de boa parte dessas pessoas e fez um profundo estudo sobre o comportamento delas. Dessa forma, os cientistas tinham em mãos dados dos genes dos pesquisados, assim como de sua vida social.

Bastou aos cientistas, então, cruzar os dados. “Nós começamos a perceber que aqueles que eram amigos chegavam a ter 1% do genoma estudado semelhante”, diz Fowler. “Parece pouco, mas em genética isso é um número impressionante”, diz ele. Os pesquisadores constataram que os amigos tinham a tendência de terem genes ligados ao olfato mais semelhantes entre si. E, ao mesmo tempo, terem genes ligados à imunidade mais diferentes. “Evolutivamente isso se explicaria como uma proteção ao grupo. Ou seja, se alguém contrai uma doença, não significa que ela vai dizimar a todos.”

Apesar dos resultados promissores, o estudo de Fowler e Christakis não pode ser simplesmente generalizado. “Os dados recolhidos são muito interessantes, mas é preciso lembrar que a população estudada por eles é muito homogênea”, diz o geneticista brasileiro Ciro Martinhago. Quase todos os moradores da pequena Framingham são descendentes de europeus e há pouca miscigenação entre eles. “Mas sem dúvida é uma janela que se abre para futuros estudos nessa linha”, diz Martinhago.

Fonte: IstoÉ

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