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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

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Droga anti-HIV também ataca vírus da hepatite

Data: 25/07/2014

De 4 a 8 milhões de pessoas no mundo são infectadas por dois vírus letais, o da hepatite C (VHC) e o da Aids (HIV). Ambos os patógenos utilizam as mesmas rotas de transmissão para invadir o organismo humano — o sangue — e ainda compartilham as maiores incidências geográficas. Não é raro. portanto, que a combinação dos dois seja freqüente e represente uma das maiores preocupações dos infectologistas. Isso porque o tratamento tradicional para combater o HIV parece elevar a quantidade de VHC no paciente coinfectado. No entanto. pesquisadores da Universidade de Cincinnati. nos Estados Unidos, podem ter encontrado a saída do dilema que divide a comunidade cientifica: usar ou não antirretrovirais para tratar esse grupo? Segundo esses cientistas, a resposta é sim.

A pesquisa liderada por Kenneth Sherman. autor-sênior do estudo, indica que o tratamento antirretroviral contra HIV em pacientes infectados também pelo VHC tem efeito contrário do imaginado: não só combate o primeiro vírus, como reduz a replicação do segundo. Os resultados foram publicados ontem na revista Science Translational Medicine. Investigações sobre o assunto ganharam força no início da década de 2000 e a maior parte deles apoiava a suposição de que é impossível controlar simultaneamente os dois micro organismos sem gerar prejuízos ao corpo coinfectado.

"Na época, especulamos que o fenômeno poderia ter base em alterações nas respostas imunes inatas e específicas associadas à supressão do HIV". diz Sherman. Ele decidiu investigar mais a fundo a reação do organismo de 17 pacientes coinfectados submetidos a terapia recente com antirretrovirais. Os voluntários foram submetidos a avaliações periódicas de sangue para que fosse possível monitorar as mais sutis mudanças na resposta imune e na carga viral. Um subgrupo de pacientes registrou aumento inicial dos níveis de um marcador de lesão hepática. o ALT. nas primeiras 16 semanas de tratamento. No entanto, ao longo de um período de 18 meses, as cargas virais de VHC foram reduzidas a níveis desejados para um paciente infectado apenas com hepatite C.

Ainda não há uma explicação para o resultado inesperado, mas muitas teorias. Pode ser, por exemplo, que a supressão completa do HIV com antirretrovirais gere uma regulação defeituosa dos genes que são estimulados com interferons — componentes críticos do sistema da proteção imune mata. isto é. aquela que não age contra um patógeno especifico. Essa falha na regulação promove uma explosão de replicações do VHC. elevando a carga viral da hepatite. "No entanto, a reconstituição imune melhora os processos de defesa que `limpam` as células infectadas do fígado. Com o tempo, a replicação do VHC é controlada e reduzida". explica Sherman.

Até a descoberta dessa mecânica do corpo, segundo ele. qualquer sinal de aumento do ALT era considerado um alerta para que a medicação fosse suspensa. Nesse caso. muitos especialistas param de prescrever os antirretrovirais ou alteram o esquema dos medicamentos acreditando evitar o aumento da lesão hepática relacionada às drogas. "Mas nossos dados mostram que um mecanismo diferente é responsável pela explosão na replicação do VHC e que a medicação não deve ser interrompida. O uso de antirretrovirais a longo prazo reduz os níveis dos vírus e diminui as lesões, tornando o tratamento da doença mais fácil."

OUTROS AVANÇOS

Essa não é a única novidade sobre a coinfecção de HIV e hepatite anunciada nos últimos dias. Duas universidades também norte-americanas divulgaram resultados promissores nesse sentido. Pesquisadores do Hospital Geraldo de Massachusetts detectaram que a única droga com aprovação do governo dos EUA para reduzir os depósitos de gordura abdominal em soro positivos sob terapia antirretroviral pode também diminuir a incidência de doenças hepáticas. Já cientistas da Universidade lohns Hopkins mostraram que um conjunto de medicamentos pode não apenas tratar, mas também curar a hepatite C em coinfectados. O novo remédio combina as drogas sofosbuvir e ribavirin e aguarda aprovação para ser comercializado.

Sharon Lewin, um dos copresidentes da 20º Conferência Internacional Aids 2014. realizada desde domingo na Austrália, comemora os resultados. "Estou muito contente que. nesta semana, vamos ouvir falar de alguns avanços verdadeiramente inovadores nos tratamentos de hepatite C e tuberculose, duas coinfecções mais significativas em pessoas com HIV. Como cientista, continuo apaixonada pela busca de uma vacina e cura", disse.

Fonte: Estado de Minas

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