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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

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Frutas vermelhas para o cérebro

Data: 21/07/2014

As falhas de memória e o declínio gradual de outras habilidades cognitivas associados ao envelhecimento estão no alto da lista de prioridades de institutos de pesquisa em saúde. Por isso, países como os Estados Unidos e o Canadá estão investigando novas abordagens para preservar o cérebro desse desgaste. Uma das estratégias mais eficientes pode ser adicionar porções de frutas vermelhas à mesa, de modo que passem a fazer parte da rotina alimentar. Grandes estudos sobre os efeitos dessa escolha estão em andamento pelo mundo. E se os primeiros trabalhos preocupavam-se em comprovar os benefícios das amoras, dos morangos e de outras frutas vermelhas ou arroxeadas (como o açaí e a jabuticaba), os que estão sendo executados agora procuram compreender os mecanismos moleculares pelos quais elas conseguem defender o cérebro. Uma das linhas de pesquisa mais recentes e promissoras busca desvendar a ação das antocianinas, substâncias pertencentes à família dos flavonoides. Eles são alguns dos compostos encontrados nessas frutinhas, com ação no combate ao processo de inflamação crônica que prejudica as funções cognitivas e acelera o envelhecimento do corpo todo. “As antocianinas atravessam a barreira hematoencefálica e, desse modo, penetram até o núcleo das células. Ali modificam a atividade de genes que regulam a produção de enzimas anti-inflamatórias, entre outros”, explica Franco Lajolo, diretor do Núcleo de Apoio à Pesquisa de Alimentos e Nutrição da Universidade de São Paulo (USP) e o pesquisador principal do Food Research Center, projeto da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo voltado à inovação. A barreira mencionada por Lajolo é uma membrana que restringe a passagem de substâncias da corrente sanguínea para as estruturas cerebrais, o que garante a função metabólica normal do órgão.

Recentemente, estudos sobre o papel das berries (nome dado ao conjunto das frutinhas vermelhas mundo afora) capturaram a atenção dos especialistas. Um deles está em andamento na Harvard Medical School, em parceria com o BrighamWomen’s Hospital, duas instituições americanas. A equipe avaliou dados obtidos por um levantamento iniciado em 1976 sobre a saúde e o estilo de vida de 121,7 mil enfermeiras com idade entre 30 e 55 anos. Entre 1995 e 2001, a função cognitiva de 16.010 dessas mulheres, selecionadas por, àquela altura, terem idade superior a 70 anos, foi medida a cada dois anos. O grupo concluiu que as participantes que consumiam uma a duas porções de morangos e mirtilos por semana tinham taxa mais lenta de decréscimo da memória. E que as que comiam mais do que isso apresentavam menor declínio. “Ricas em flavonoides, especialmente antocianinas, as berries melhoram a cognição em estudos experimentais”, afirma a epidemiologista Elizabeth Devore, que lidera pesquisas nesse campo nas duas instituições americanas e organiza um seminário para 2015 sobre essas frutas.

No Canadá, John Weber, da Memorial School of Pharmacy, investiga o potencial de amoras e mirtilos para preservar da morte as células neuronais de pessoas que sofreram traumatismo. De acordo com Weber, o cérebro contém compostos antioxidantes para combater os radicais livres, mas a produção dessas substâncias nocivas aumenta após lesões cranioencefálicas ou acidente vascular cerebral e pode levar a danos rapidamente. Sua esperança é que o consumo de quantidades adequadas de flavonoides funcione como uma espécie de escudo protetor das células cerebrais. “Em laboratório, vimos que o dano celular foi drasticamente reduzido ao ministrarmos extratos de várias frutas vermelhas”, diz.

Os flavonoides têm ação em todas as células do corpo. Está previsto para o início de 2015, por exemplo, um estudo de pesquisadores canadenses e da USP para avaliar o impacto dos flavonoides na produção de insulina, o hormônio que conduz a glicose do sangue para dentro das células. “Temos projetos para investigar esses compostos nas cascatas de sinalização do pâncreas”, diz Lajolo. O pâncreas é o órgão onde estão as células que produzem a insulina. Resta ainda o desafio de definir a quantidade necessária à mesa todos os dias para preservar o cérebro. Estudos sugerem que pequenas quantidades já produzem efeitos. Lajolo, porém, é cauteloso. “Sugiro comer, diariamente, cinco porções de vegetais e frutas variadas para o maior aproveitamento de substâncias protetoras”, diz o cientista.

Fonte: IstoÉ

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