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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

A vez da gestão e qualidade da formação farmacêutica

Data: 04/05/2009

Gestão e qualidade da formação farmacêutica. Este é o núcleo temático da VI CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FARMACÊUTICA, que será realizada, de 6 a 9 de maio de 2009, no auditório do Hotel Nacional, em Brasília. O evento é uma realização da Associação Brasileira de Ensino Farmacêutico e Bioquímico (Abenfarbio), com o apoio do Conselho Federal de Farmácia (CFF), através de sua Comissão de Ensino (Comensino). Apoio, também, da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC) e da Federação Interestadual de Farmacêuticos (Feifar).

Com a VI Conferência, a Abenfarbio e o CFF buscarão trazer para as discussões um dos pontos nevrálgicos relacionados ao ensino de Farmácia, que é a questão da qualidade da formação farmacêutica. Os dois órgãos entendem que, aí, repousa um grande feixe de problemas, e afirmam que a solução esteja, entre outros fatores, na boa gestão institucional e acadêmica. Para a Abenfarbio e o CFF, é preciso que os cursos de Farmácia aperfeiçoem o gerenciamento do ensino que oferecem, sob pena os avanços conquistados pelo setor, por meio das Diretrizes Curriculares instituídas, em 2002, mergulharem em um retrocesso.

“Nós iremos discutir os processos avaliativos da qualidade e das metodologias inovadores de ensino. É preciso entender que, hoje, o professor é um facilitador e não mais um transmissor de matérias. Como é possível a ele ser um facilitador? É por meio de metodologias inovadoras cujo objetivo é a busca da qualidade na transmissão do conhecimento. É isso que abordaremos na VI Conferência”, declara o Professor Carlos Cecy (Paraná), Presidente da Abenfarbio.

PLANEJAMENTO - A questão da gestão, entendem os integrantes da Abenfarbio e da Comensino, pressupõe a elaboração de um planejamento realizado pelas instituições de ensino, levando-se em conta as orientações pedagógicas e as políticas públicas criadas pelo Ministério da Saúde, com vistas a atender à demanda do setor de saúde.

“O planejamento no ensino vem substituir o modelo clássico e centralizador pelo modelo gestão por resultados”, explica a Professora Zilamar Costa Fernandes, integrante da Comensino. Zilamar alerta para o fato de que administrar sem planejamento é o mesmo que “promover a desorientação”.
 

REORIENTAÇÃO - O Vice-Presidente da Abenfarbio, Professor Geraldo Alécio de Oliveira, fala de reorganização no setor: “Hoje, está havendo uma reorientação do ensino universitário, no mundo inteiro, inclusive de Farmácia”. Ele continua: “No mundo moderno, ocorrem, a cada dez anos, mudanças estrutural, tecnológica, de hábitos, costumes e social. É algo cíclico. Isso exige farmacêuticos abertos a todas essas mudanças, o que só ocorre, por meio de uma formação adequada. Por conseguinte, os novos modelos de educação preveem uma formação dinâmica, de trabalho em equipe e em integração para, no caso do Brasil, atender à demanda social concentrada no SUS (Sistema Único de Saúde)”.

De sorte que a VI CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FARMACÊUTICA pretende remexer o terreno irregular da gestão e da qualidade da formação farmacêutica, com vistas a consolidar as conquistas que se iniciaram na I Conferência, realizada, em Brasília, em 2000.

HISTÓRIA - A Presidente da Comissão de Ensino do CFF, Professora Magali Demoner Bermond, Conselheira Federal de Farmácia pelo Espírito Santo, evoca a história recente do ensino farmacêutico brasileiro para justificar a necessidade de se buscar gestão e qualidade da formação farmacêutica. E aproveita para inserir o Conselho Federal de Farmácia no contexto das transformações que sacudiram o ensino farmacêutico.

Magali Demoner lembra que as mudanças que derivaram na criação das Diretrizes Curriculares têm origem em recomendações da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em 1992, para o ensino, no mundo inteiro. A entidade propunha que as instituições de ensino elaborassem projetos pedagógicos, de forma coletiva (com a participação da sociedade, do mercado empregador, dos sistemas de saúde, dos professores, alunos e outros participantes), para traduzir as necessidades de todos.

Em 1996, o Estado brasileiro deu uma resposta às propostas da Unesco, editando a Lei 9394, que acaba com os currículos mínimos e instituía, em seu lugar, as Diretrizes Gerais. Seis anos depois, foram elaboradas – e publicadas pelo Ministério da Educação - as Diretrizes Curriculares Nacionais para o curso de Farmácia, consideradas por estudiosos do setor como uma revolução pedagógica.

Os trabalhos que levaram à proposta das Diretrizes foram produzidos nas primeiras edições da CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FARMACÊUTICA (Veja nesta matéria a cronologia e os temas de cada Conferência). As discussões sobre as mudanças e a elaboração da proposta tiveram como fórum a Conferência.

“A participação do CFF foi fundamental na elaboração da proposta das Diretrizes Curriculares, pois o órgão criou o espaço para o debate entre todos envolvidos com o ensino”, lembra a Professora Magali Demoner. Segundo ela, o Conselho Federal não teve responsabilidade apenas na deflagração do processo de debates, mas, também, no acompanhamento do ensino, após a implementação do novo modelo.

Mesmo não tendo obrigação legal, mas apenas um amparo na Lei 3820/60, que cria os Conselhos Federal e Regionais de Farmácia, o CFF, a partir de 1996, passou a incorporar a responsabilidade de zelar pelo ensino, com vistas a que os farmacêuticos tivessem uma formação com qualidade para, assim, prestar bons serviços à sociedade. Quem lembra é a própria Magali Demoner.

ATRASO - A Conferência e outros eventos paralelos (o Encontro de Coordenadores de Cursos de Farmácia e o Fórum Farmacêutico) fizeram parte de uma política do CFF, criada pelo seu Presidente, Jaldo de Souza Santos. “O ensino de Farmácia trazia um profundo atraso em relação ao seu próprio tempo. Era um atraso de naturezas pedagógica, de conteúdo e de prática que não poderia mais continuar. Todos os envolvidos com o setor gritavam por mudanças, mas não dispunham do veículo para o debate. E nós o criamos, que foi a CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FARMACÊUTICA. Agora, todo o nosso esforço é no sentido de fazer o novo modelo de ensino ser consolidado”, enfatiza Souza Santos. Ele acrescenta que o CFF tem feito de tudo para disponibilizar as condições para que as Universidades discutam o ensino farmacêutico, entendam a filosofia das Diretrizes e se adaptem às mesmas.

DESAFIOS E MODELO - Nesse sentido, o Conselho Federal de Farmácia produziu um apurado estudo, publicado em livro, denominado “Os Desafios da Educação Farmacêutica, no Brasil”. Nele, o órgão expõe os pontos que dificultam a adequação dos cursos de Farmácia ao que preconizam as Diretrizes Curriculares. Segundo o estudo, os pontos mais críticos são a heterogeneidade e as discrepâncias presentes na construção dos currículos. Alguns currículos sequer contemplam áreas, como Alimentos, Análises Clínicas e Toxicológicas, além dos conteúdos das áreas de humanas e sociais.

O estudo revela, ainda, a falta de infra-estrutura que garanta um bom ambiente de aprendizagem nos cursos, a exemplo da carência de bibliotecas, de farmácias-escola, de hospitais-escola, de laboratórios-escola e de outros equipamentos recomendados pelas Diretrizes como peças fundamentais para o bom aprendizado.

Outro estudo do CFF, também convertido em livro, leva o título de “Modelo Referencial de Ensino para uma Formação Farmacêutica com Qualidade”. Neste trabalho, o Conselho Federal oferece aos leitores um modelo a ser seguido pelas instituições de ensino. A publicação é sortida de estratégias para garantir a adesão das instituições de ensino às mudanças.

Na publicação “Modelos Referencial...”, o CFF apresenta como fundamental para as instituições adequarem-se às exigências preconizadas pelas Diretrizes a produção de um rigoroso planejamento de curso, definindo inclusive os conteúdos para as três áreas (Medicamentos, Alimentos e Análises Clínicas e Toxicológicas) e estabelecendo a infra-estrutura laboratorial mínima para o desenvolvimento do ensino a ser oferecido.

ABENFARBIO - A Associação Brasileira de Ensino Farmacêutico e Bioquímico (Abenfarbio) é composta pelos farmacêuticos professores Carlos Cecy, Presidente (Paraná); Geraldo Alécio de Oliveira, Vice-presidente (São Paulo); Eula Maria de Melo Barcelos Costa, Secretária-Geral (Goiás); Ilza Martha de Souza, Primeira Secretaria (Mato Grosso); Hemerson Bertassoni Alves, Tesoureiro (Paraná); e Paulo Roberto Haidamus de Oliveira Bastos, Primeiro Tesoureiro (Mato Grosso do Sul).

COMENSINO - Já a Comissão de Ensino (Comensino) do CFF reúne os seguintes integrantes, todos farmacêuticos e professores: Magali Demoner Bermond (Espírito Santo), Presidente; Ely Eduardo Saranz Camargo (São Paulo), Carlos Cecy (Paraná), Nilsen Carvalho Fernandes de Oliveira Filho (Rio Grande do Norte) e Zilamar Costa Fernandes (Rio Grande do Sul).


Cronologia da Conferência

I CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FARMACÊUTICA. Foi realizada, em Brasília (todas as edições aconteceram, na Capital Federal), de primeiro a quatro de agosto de 2000, e teve o seguinte tema: “Atualizar o Ensino Farmacêutico em Atendimento às Necessidades de Saúde Individual e Coletiva”. O evento abrigou, em sua vasta programação, outros temas que estavam na lista de prioridades do setor, como “A elaboração de um projeto pedagógico para a melhoria da qualidade do ensino” e a “Acreditação e validação dos cursos de Farmácia, no Brasil”.

II CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FARMACÊUTICA. Realizada, em outubro de 2001. Teve como tema central a “Avaliação Institucional e Capacitação Profissional”.

III CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FARMACÊUTICA. Em Brasília, em dezembro de 2002. A sua programação girou em torno do tema “A Educação Farmacêutica e suas Transformações”.

IV CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FARMACÊUTICA. Realizou-se, em Brasília, em outubro 2004, e o tema foi “Paradigmas da Nova Educação Farmacêutica”.

V CONFERÊNCIA NACIONAL DE EDUCAÇÃO FARMACÊUTICA. Realizou-se, em abril de 2008, em Brasília, tendo por tema “A Formação Farmacêutica em Tempos de Mudanças”.

Fonte: CFF
Autor: Pelo jornalista Aloísio Brandão, Assessor de imprensa do Conselho Federal de Farmácia (CFF).

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