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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias Gerais

Novo teste dita terapia mais eficaz e evita a volta do câncer

Data: 24/06/2014

Basta uma dor de garganta para que muitas pessoas recorram à automedicação e usem de forma inadequada os antibióticos, prejudicando a saúde e deixando as bactérias mais resistentes. Cientistas da Universidade de Marshall, nos Estados Unidos, descobriram que essa mesma regra também vale para os tratamentos contra o câncer, ou seja, terapias que a princípio apresentam bons resultados podem, no futuro, fazer a doença reaparecer – e mais grave.

Membro do grupo que estuda o assunto há quatro anos, o médico belo-horizontino Walter de Paula Freitas Neto ajudou a desenvolver um novo teste chamado “Chemo ID”, capaz de determinar, em menos de um mês, a melhor opção de tratamento para um paciente com câncer. Ao longo dos últimos três anos a tecnologia foi testada em 120 pacientes com tumores no cérebro, mama e pulmão. (veja o infográfico)

“Vimos que essa é uma doença individualizada na qual dois tumores idênticos não têm a mesma sensitividade a um tipo de tratamento. Esse teste é uma ferramenta que os médicos poderão utilizar para selecionar a quimioterapia mais eficaz e assim também evitar a volta do câncer”, explica o pesquisador.

Após uma dor muito forte, a bacharel em direito Juliana Martins, descobriu, aos 20 anos, que estava com um tumor no ovário. Hoje, aos 24, está com a doença superada, mas acredita que o teste pode evitar mortes prematuras em sua família.

“No meu caso, a identificação foi rápida e o resultado da biópsia saiu em 20 dias. Mas tanto meu pai (câncer no cérebro), quanto a minha mãe (tumor no intestino), só descobriram a doença quando a situação já era grave. Por isso, um exame específico que consiga diagnosticar e definir o tratamento ideal seria ótimo”, afirma Juliana.

Brasil. O Brasil será o único país na América Latina a usar o Chemo ID, devido a participação de Neto nos estudos. “Este teste será lançado simultaneamente nos Estados Unidos e em vários países do mundo, inclusive no Brasil e na África do Sul, porque eu estou envolvido no projeto. Eu particularmente quis trazer este teste para beneficiar o público brasileiro”, diz.

Neto esteve no país durante os últimos dias e contou que nos próximos seis meses os pesquisadores vão escolher os hospitais e os planos de saúde parceiros. Ainda não se tem uma previsão de implantação no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Nos Estados Unidos já temos códigos de seguro que podem ser usados para o custeio. Isso torna o pagamento híbrido, e esperamos o mesmo para o Brasil. Isto é benéfico não só para as companhias de seguro pela economia, como também para o paciente, que terá um tratamento mais eficaz e sem falhas”, disse o médico.

“O câncer é uma doença individualizada e com sensitividades diferentes. Esse teste é uma ferramenta que os médicos poderão utilizar para selecionar a quimioterapia mais eficaz e assim também evitar a volta do câncer.”

Walter Freitas Neto - Médico e pesquisador


Preço no país

Particular. O Chemo ID não deve ser oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS), e o paciente pagaria parte dos custos – entre US$ 4.000 (R$ 9.000) e US$ 5.000 (R$ 11 mil), segundo Walter Neto.

 

"Existem tecnologias mais modernas", diz

Entre as novidades que proporcionaram relevantes melhorias em termos de novos tratamentos para os pacientes com câncer nos últimos anos estão as terapias-alvo moleculares, que atacam diretamente as células de crescimento do tumor.

Na avaliação do oncologista André Márcio Murad, que já prescreve esse tipo de tratamento em cerca de 30% dos pacientes, o Chemo ID é classificado como “primitivo e obsoleto”.

“Essa tecnologia testa a resposta do tumor em relação aos tratamentos quimioterápicos, que nós usamos muito, mas já estamos em outra etapa. As drogas-alvo moleculares já são uma tecnologia mais avançada do que essa e já usada nos tumores de pulmão, mama e intestino. Dessa forma, conseguimos, por meio de exames, estabelecer qual a mutação, a proteína anômala, e administrar o remédio de forma específica para aquela mutação”, explica o chefe do serviço de oncologia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Apesar disso, Murad vê o novo teste como uma boa alternativa nos casos em que os mais de cem tipos de quimioterapias tradicionais são utilizados.

“O Chemo ID seria interessante para os tumores que atacam o sistema nervoso central, pois ainda não temos as drogas-alvo moleculares. Esse tipo de câncer costuma ser mais resistente à penetração dos quimioterápicos e temos dificuldade de combatê-los por meio de medicamentos”, diz. (LM)

 

 

 

 

Fonte: Jornal O Tempo - Belo Horizonte
Autor: Jornalista Luiza Matos

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