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Remédio criado em 1916 reverte sintomas autistas em camundongos

Data: 18/06/2014

Uma única dose de um remédio quase centenário reduziu os sintomas do autismo em camundongos adultos. Pesquisadores da Universidade da Califórnia em San Diego, nos EUA, testaram um medicamento chamado suramina, sintetizado em 1916 e conhecido por tratar a doença do sono africana. Isso porque notaram um semelhante comportamento celular entre eles. Os resultados foram publicados ontem na revista científica “Translational Psychiatry”.


Segundo os pesquisadores, a semelhança entre o autismo e outras enfermidades que produzem resposta imune é a chave da reversão do distúrbio.
Quando há ameaças às células — como vírus, bactérias ou substâncias químicas poluentes, por exemplo —, elas reagem defensivamente, endurecendo suas membranas e diminuindo a comunicação entre si. Isso é conhecido como resposta de perigo celular, reação geralmente temporária.


Um dos principais fatores que contribuem para o autismo é essa mesma falha de comunicação entre as células, que ocorre devido a uma resposta imune que limita a transferência de adenosina trifosfato (ATP) e de compostos derivados.


— As células se comportam como países numa guerra.


Quando a ameaça começa, elas endurecem as fronteiras. Mas, sem uma constante comunicação do lado de fora, as células começam a funcionar de maneira diferente. No caso dos neurônios, eles fazem menos ou mais conexões.


Uma forma de entender o autismo é que, quando as células param de se comunicar, as crianças param de falar — explicou o autor principal do estudo, Robert Naviaux, professor de Medicina pela universidade.


A suramina, por sua vez, foi capaz de interromper a resposta de perigo celular e, com isso, reverter os sintomas autistas.


Segundo Naviaux, ainda é cedo para comemorar uma cura para o distúrbio. Testes em humanos ainda estão longe de ocorrer. Primeiro, é preciso ter certeza da segurança da droga para esse tipo de uso.


Por outro lado, ele celebrou o fato de uma única dose ter sido capaz de reverter os sintomas. Isso significa que não seria necessário o uso crônico do remédio.


— Obviamente que corrigir as diferenças de uso em camundongos e humanos é um longo processo, mas pensamos que essa abordagem é uma nova e fresca maneira de pensar sobre o desafio do autismo — defendeu.

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