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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

Dia do Farmacêutico é comemorado em Manaus

Data: 03/04/2009

O Presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Jaldo de Souza Santos, participou, no dia 27 de março, da solenidade em comemoração ao Dia do Farmacêutico promovida pelo Conselho Regional de Farmácia dos Estados do Amazonas e Roraima (CRF/AM-RR). O evento, realizado no Ducilas Festas e Convenções, em Manaus, contou com a participação de farmacêuticos da região e da diretoria do CRF/AM-RR.

O Presidente do CFF destacou, em pronunciamento que fez na solenidade comemorativa, o crescimento da profissão farmacêutica e lembrou que é necessário que o profissional busque a capacitação para se adequar a todas as possibilidades que se abrem no mercado de trabalho. “O farmacêutico pode exercer mais de 70 atividades diferentes, todas reconhecidas pelo Conselho Federal de Farmácia. Isso demonstra o quanto a Farmácia tem crescido e se especializado”, disse o dirigente. Durante o evento, foram homenageados com o Diploma do Mérito Farmacêutico os farmacêuticos da primeira e segunda turmas, formados, em 1970 e 1971, pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM).

NOTÁVEL CONQUISTA – Durante o ato, o Presidente do CFF, Jaldo de Souza Santos, conheceu a farmacêutica recém-formada, Danielle Soprano Pereira (o nome indígena é Adana Kambeba), primeira índia da etnia Kambeba/Omágua a se tornar farmacêutica-bioquímica. A paixão da índia pela Farmácia apresentava seus primeiros sinais, ainda na infância, quando Adana juntava argila e folhas para fazer suas “curas”. Agora, já farmacêutica, Danielle Soprano (ou Adana Kambeba) conta um pouco da sua história ao site do CFF.
 

CFF: Qual a história da etnia Kambeba/Omágua?
Adana Kambeba:
O nosso povo pertence ao tronco Tupi e fala duas línguas: kambeba ou tupi amazônico. Eu falo o Tupi amazônico. Nós fomos um dos primeiros povos que teve contato com o europeu na região amazônica (Peru/Brasil). Éramos conhecidos somente por Omágua, que quer dizer "Povo das águas". Posteriormente, passamos a ser conhecidos como Kambeba, devido ao hábito que nossos antepassados, que habitavam a região do Estado do Amazonas, de comprimirem a cabeça das crianças com tala de junco e algodão para que as mesmas, ao crescerem, tivessem seus crânios deformados. Kambeba vem do Tupí (Akanga: Cabeça; Pewa: Chata). O nosso povo foi forçado a se espalhar como maneira de sobrevivência e resistência. Hoje, pode ser encontrado, no Peru e nos municípios do Amazonas, como São Paulo de Olivença, Amaturá, Tefé e em outras localidades como em Manaus, que é a terra onde nasci.

CFF: Como foi a sua formação até chegar à Universidade?
Adana Kambeba:
Estudei até o ginásio na rede pública, e nos meus primeiros anos de alfabetização frequentei uma humilde escolinha de madeira que atendia às crianças daquela localidade (zona rural). Essa escola surgiu de um projeto elaborado por uma professora chamada Mara Conceição Borges de Souza que, sensibilizada pela questão educacional das crianças, lutou para que fosse implantada uma pequena escola para atender às crianças carentes.

Depois disso, precisei estudar em outra escola que pudesse atender às necessidades de ensino. Então, andava vários quilômetros para ir e voltar. Quando chovia, havia um igarapé que transbordava, e eu tinha de atravessá-lo com muita dificuldade. Não é possível descrever tudo o que passei, mas o importante é que, por meio da luta de meus pais, aliada ao meu esforço, consegui estudar e até superar preconceitos em relação à minha origem étnica.

Como a casa dos meus pais era muito longe, precisei sair de casa para morar ao lado da Faculdade e enfrentar as dificuldades inerentes de quem mora sozinha. Pela manhã e à tarde, trabalhava para pagar o aluguel e a Faculdade e, à noite, estudava. Com o tempo, consegui uma bolsa de estudos, o que me gerou certo alívio financeiro. Sem esquecer que tive o apoio de pessoas amigas, durante minha caminhada.

CFF: Por que escolheu a Farmácia?
Adana Kambeba:
Eu amo Farmácia. Desde criança, tive um contato muito intenso com a natureza. Isso, de certa forma, me propiciou viver harmoniosamente com a mesma e ser tratada de enfermidades pela farmácia natural. Quando criança, com seis anos, fazia experiências com folhas, argila e água e utilizava para cura (na minha imaginação de criança) de animais e plantas que se encontravam debilitadas. Parece que isso era inerente à minha pessoa, muito antes de ter consciência ou noção sobre Farmácia. Talvez, por descender de uma linhagem de curandeiros e xamãs. Por esses motivos, acho que escolhi Farmácia de coração e de herança étnica.

CFF: Que caminhos pretende seguir?
Adana Kambeba:
Em parte, me sinto realizada, por ter concluído o curso de Farmácia Bioquímica, mas não posso dizer que me sinto totalmente realizada, ainda, pois me formei recentemente (Fevereiro/2009) e estou dando os primeiros passos para conquistas maiores na minha profissão. Para as lideranças indígenas, sou motivo de orgulho, por ser a primeira da minha etnia (Kambeba) a me formar em Farmácia Bioquímica.

Como farmacêutica, pretendo seguir caminhos que me possibilitem a ajudar o meu povo e outras etnias, atuando na saúde indígena como farmacêutica e também por meio de pesquisas, como a que pretendo fazer sobre a medicina tradicional do meu povo Kambeba/Omágua, expressa pela sabedoria dos pajés, aliada ao conhecimento acadêmico-científico farmacêutico.

Fonte: CFF
Autor: Veruska Narikawa

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