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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias do CFF

O papel social do farmacêutico

Data: 19/03/2009

Artigo

Jaldo de Souza Santos,
Presidente do Conselho Federal de Farmácia.
E-mail presidência@cff.org.br


Uma das mais antigas atividades do ser humano é a de buscar, principalmente entre as plantas, a cura de doenças. Partindo daí, milhares de anos depois, o homem chegou à profissão farmacêutica, hoje, umas das profissões mais promissoras e que, no Brasil, é exercida em 71 diferentes áreas, todas elas regulamentadas pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF). Desde o seu embrião, a profissão é identificada pelo relevante papel social dos farmacêuticos e pela sua extrema generosidade.

Os farmacêuticos que atuam, nas farmácias e drogarias, são os últimos profissionais da saúde a manter contato com os pacientes. Os seus serviços são um muro de proteção à sociedade contra os problemas advindos do uso dos medicamentos. Qualquer medicamento, por mais inofensivo que aparenta ser, pode desencadear gravíssimas reações indesejáveis. Problemas são inerentes a esses produtos. O que barra, ou diminui os riscos advindos do seu uso é a orientação farmacêutica.

O número de problemas relacionados a medicamentos é crescente. Pesquisa da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), órgão do Ministério da Saúde, revela que, em 2006, quase 33 mil pessoas foram intoxicadas por esses produtos. Entre as causas, estão o uso acidental, os erros na administração, os efeitos adversos, as interações entre medicamentos e a automedicação. A pesquisa mostra, ainda, que apenas 25% das pessoas que adquiriram medicamentos foram orientadas sobre o seu uso.

Isto é muito grave. Além dos prejuízos à saúde dos pacientes, esses problemas minam os cofres dos sistemas público e privado de saúde, representando prejuízos astronômicos para um País carente de recursos para a saúde. Os hospitais gastam fábulas para tratar pacientes vítimas de problemas decorrentes do uso de fármacos e muitas delas precisam ser internadas.

Nas emergências, 40% dos pacientes são atendidos em decorrência do mesmo problema. Dados do Ceatox (Centro de Assistência Toxicológica de São Paulo) revelam que, naquela capital, de dez casos de intoxicações, quatro têm origem no uso de medicamentos. E é bom pensar que muitas doenças e internações hospitalares originárias do uso ou da descontinuidade do tratamento medicamentoso poderiam ser evitadas, se o paciente recebesse a orientação do farmacêutico.

Além de orientar o paciente sobre o uso correto dos medicamentos, os farmacêuticos, ainda, verificam a sua pressão arterial e aferem, na farmácia, as suas taxas de glicose e de gordura no sangue (colesterol etc.). E mais: prestam aconselhamentos aos portadores de doenças, como diabetes, hipertensão arterial e outras. Isso, no plano da atenção primária. De forma que o Brasil – o País onde o acesso à saúde é difícil - não pode desperdiçar a oportunidade de se beneficiar dos serviços altamente qualificados dos farmacêuticos. Esses serviços são prestados sem burocracia, sem fila e sem agendamento.

Os serviços farmacêuticos, de dez anos para cá, estão se diversificando e ganhando em qualidade técnico-científica e em humanidade. Isto é resultado da ebulição que sacode a profissão. Deste processo, está nascendo um novo farmacêutico. E quem é ele? É um profissional da saúde obcecado pelo conhecimento científico e consciente de suas responsabilidades sociais; é alguém que luta para que a sociedade tenha acesso, de forma universal, aos medicamentos e aos seus próprios serviços, por entender a importância dos mesmos para o bem-estar das pessoas.

O novo farmacêutico é, enfim, o profissional integrado às realidades sanitária e social do Brasil, com todas as contradições de um País que possui o maior sistema de saúde pública do mundo – o SUS (Sistema Único de Saúde) – e que busca torná-lo algo justo e moderno. SUS que, diga-se de passagem, acordou para a necessidade de incluir em seus programas de atenção básica os serviços farmacêuticos, a exemplo do PSF (Programa Saúde da Família).

O eixo das transformações que vêm ocorrendo no seio da profissão é, de um lado, a mudança do modelo de ensino dos cursos de Farmácia, que deixou de ser tecnicista para se voltar a uma formação mais humanística, social, generalista, mas sem perder o seu veio técnico-científico, obviamente. As mudanças eram necessárias. Afinal, o paciente usuário do medicamento é, antes de tudo, um ser social, que nasce, vive, aprende, transfere conhecimentos, reproduz-se e morre. Para compreendê-lo e prestar-lhe bons serviços, é preciso ser um farmacêutico dotado, também, de conhecimentos filosóficos, sociológicos, ontológicos e outros, além de apurada visão social.

Do outro lado, está a implementação da filosofia da Farmácia Clínica, que trouxe à cena a atenção farmacêutica como um novo paradigma para a profissão. A atenção farmacêutica prevê que os serviços profissionais devem estar focados no paciente e não necessariamente no medicamento. Por isso, os novos serviços avançam para a prevenção de doenças no campo da atenção básica.

O Brasil aguarda muito do farmacêutico e reserva-lhe um papel histórico. Por ser um sanitarista por excelência, com especial conhecimento sobre os medicamentos e sobre a terapêutica medicamentosa, pesa sobre ele a responsabilidade de ajudar a reverter as estimativas sombrias relacionadas à saúde, no País. Cabe-lhe a responsabilidade de proteger a sociedade dos efeitos indesejáveis dos medicamentos que, quando usados sem a sua orientação, podem transformar-se em um tóxico letal. Ou simplesmente não atingir o efeito desejável. Ao servir, o farmacêutico cumpre o seu papel social.


 

Fonte: CFF

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