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Alzheimer é subnotificado em todo o mundo

Data: 07/03/2014

É consenso na classe médica que vencer o Alzheimer é um dos maiores desafios da atualidade.

E pode ser ainda maior do que se imaginava.

Esta é a conclusão de um novo estudo realizado nos Estados Unidos, segundo o qual a doença estaria entre as principais causas de morte, junto com câncer e problemas cardíacos.

O trabalho foi publicado no jornal médico da Academia Americana de Neurologia.

O resultado da pesquisa vem “corrigir” informações do Centro para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês).

Segundo o CDC, o Alzheimer é o sexto na lista das principais causas de mortes no país. O topo do ranking é ocupado por danos cardíacos, seguido de câncer.

Estes números são baseados no que é relatado nas declarações de óbito.

“O Alzheimer e outras demências são sub-relatados nesse tipo de documento e nos registros médicos.

Essas declarações muitas vezes mostram a causa imediata da morte, como pneumonia, em vez de listar a demência como uma causa subjacente.

A tentativa de identificar uma única causa muitas vezes não contribui para o entendimento da realidade do processo que leva ao óbito”, concluiu Bryan D. James, do Centro Médico da Universidade Rush, de Chicago, um dos pesquisadores responsáveis pelo trabalho.

MUITOS FICAM SEM DIAGNÓSTICO

Segundo o cientista, as mortes por Alzheimer excedem em muito os números reportados pelo CDC.

Em 2010, segundo o estudo, 503.400 pessoas acima de 75 anos perderam a vida por causa da doença nos EUA.

Este total é mais de seis vezes superior aos 83.494 casos relatados pelo órgão com base nos atestados de óbito.

Na avaliação da neurocientista dinamarquesa Gitte Moos Knudsen, que faz parte do quadro de diretores da Fundação Europeia para Pesquisa do Cérebro Grete Lundbeck — instituição criada pela Fundação Lundbeck para estimular a pesquisa em neurociências —, muitos idosos que sofrem com sintomas de demência não recebem o diagnóstico correto da doença.

— Talvez isso aconteça pois o problema é frequente na idade avançada, de modo que é quase considerado um curso natural da vida, ou porque as pessoas pensam que o Alzheimer não pode ser tratado — observa. — Ambas percepções estão erradas.

Essa é uma doença cerebral que requer diagnóstico correto e que pode, sim, ser tratada, embora atualmente apenas amenizando sintomas.

Segundo a pesquisadora, atestados de óbito são indicadores fracos da doença e os médicos deveriam ser mais conscientes sobre a causa básica das mortes, e não a causa imediata.

Gitte também defende que o preconceito, especialmente por parte de familiares, também é algo que pode influenciar no relato distorcido sobre as mortes de parentes relacionadas ao Alzheimer:

— Isso é muito comum.

Apresentar sintomas de demência ainda é considerado por pacientes e familiares como uma condição estigmatizada.

Fonte: O Globo
Autor: Frederico Goulart

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