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Experiências exitosas de farmacêuticos no SUS

Notícias Gerais

Doce e perigoso

Data: 10/01/2014

A Organização Mundial de Saúde (OMS) vem alertando sobre a epidemia de obesidade há anos.

Os números, no entanto, não param de crescer. Estudos recentes apontam que ela quadruplicou entre 1980 e 2008 em países emergentes e, no mundo, já atinge meio bilhão de pessoas. Sociedades médicas americanas, britânicas e canadenses resolveram agir e lançaram ontem a “Action on Sugar”, uma campanha para a redução de até 30% no açúcar adicionado em produtos industrializados e que pode reverter esse quadro.

No Brasil, o Ministério da Saúde iniciou negociações com a indústria em meados de 2013, mas ainda não há consenso.

Comidas prontas, cereais matinais e, principalmente, bebidas adoçadas artificialmente estão na mira da campanha.

A ideia é a mesma da medida adotada pelo Brasil com a redução de 20 mil toneladas de sódio das prateleiras dos supermercados até 2020.

Na ocasião, estava em jogo o controle dos casos de hipertensão no país que, de acordo com o Ministério da Saúde, atingia 20% da população em 2011.

O alvo, agora, é tão ambicioso quanto.

Segundo pesquisa da Universidade de Brasília (UnB), no mesmo ano, 15,8% dos brasileiros foram considerados obesos, gerando um custo de R$ 488 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A obesidade também está associada com a hipertensão e, de acordo com Julio Peclat, presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular do Rio, altas taxas de açúcar no sangue podem causar problemas nos rins, nos olhos, no coração e no cérebro, sem falar no diabetes.

A pesquisa da UnB aponta que, em 2011, dentre os males derivados da obesidade, os que mais geraram gastos ao SUS foram aqueles relacionados às doenças do coração.

AÇÚCAR É QUESTÃO CULTURAL NO BRASIL

Se no mundo o consumo exagerado de açúcar vem preocupando, no Brasil, dados da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), referente aos anos de 2008 e 2009, apontaram que o assunto é urgente: 61,3% da população consumiam bem mais que o máximo recomendado pela OMS — são 50g diários, o equivalente a dez colheres de chá, para uma dieta baseada em 2 mil Kcal.

— O problema é a substituição da água por líquidos adoçados, e esse aumento está diretamente ligado com a curva de obesidade — afirma a endocrinologista Isabela Bussade. — Isso sem falar do café.

O brasileiro adoça tudo, é uma questão cultural. E quanto mais você expõe suas papilas gustativas ao açúcar, maior vai ser o desejo de comer doce.

A indústria de alimentos e bebidas identificou rapidamente a propensão brasileira e pode estar piorando o problema ao adicionar mais açúcar aos produtos.

Não é nada cientificamente comprovado, mas a nutricionista e pesquisadora do Centro de Competência de Alimentação e Saúde da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste) Manuela Dias diz que nem a indústria nega o fato.

— Nunca fizemos testes, mas, por exemplo, cereais infantis que na Europa possuem versões sem açúcar não chegam aqui — conta.

— O que ouvimos da indústria é que os brasileiros estão acostumados assim.

Não há no Brasil exigência de que as empresas informem no rótulo a quantidade de açúcar adicionado. Em teste com 95 produtos industrializados, a associação relata que 76% tinham alto teor de açúcar — tomando como base a tabela da Agência Regulatória do Reino Unido, que considera alimentos com alto teor de açúcar aqueles com taxa acima de 12,5%.

— Achocolatados têm até 80% de açúcar na sua composição, e crianças ainda adicionam mais — alerta Manuela. l

Fonte: O Globo
Autor: Maria Clara Serra

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