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Notícias Gerais

Rio, capital da hipertensão

Data: 06/11/2013

Quase um quarto dos brasileiros é hipertenso. No Rio de Janeiro, chegamos a um terço, a maior média do Brasil. Isto se deve, em parte, ao excesso do consumo de sal, principalmente nos alimentos industrializados. É por isso que o Ministério da Saúde e a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia) assinaram ontem um acordo para diminuir o sódio de uma série de produtos. Mas a Associação de Consumidores (Proteste) considerou as metas tímidas.

A hipertensão passou de 22,5% da população, em 2006, para 24,3% em 2012, segundo dados da pesquisa Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), divulgada ontem no mesmo evento. O índice está um pouco acima da média das Américas são 23% de hipertensos, segundo dados de 2008 da Organização Mundial de Saúde (OMS).

O novo acordo prevê a redução do teor de sal em até 68% de laticínios, embutidos e refeições prontas nos próximos quatro anos. Este é o quarto acordo assinado desde 2011. Os três anteriores estipulam a diminuição de sódio em 22 tipos de produtos. A atual meta é retirar 28 mil toneladas de sódio até 2020.

— Já conseguimos retirar mais de 11 mil toneladas de sódio dos alimentos industrializados no país — afirmou o ministro Alexandre PadiIha, que ainda comemorou a redução do número internações por agravamento da hipertensão em 25% nos últimos dois anos.

META É CONSIDERADA BAIXA

Apesar disto, a Proteste considerou os valores acertados muito próximos dos já encontrados no mercado. "Não se espera em médio prazo um resultado impactante na saúde pública, o que deveria ser o objetivo deste acordo" criticou em nota. Para a associação, mesmo os produtos já dentro das metas têm altos níveis de sódio.

— O Brasil é um dos países que mais vai sofrer com o aumento das doenças cardiovasculares, por causa da urbanização, do aumento do se-dentarismo, da obesidade e do consumo de industrializados. A poluição, o estresse e o envelhecimento da população também vão dar força à explosão dessas doenças — acrescenta o diretor clínico do Pró-Cardíaco e professor de cardiologia da UFF, Evandro Tinoco. ^

Tinoco lembra que a taxa de hipertensão está relacionada a quatro principais fatores: obesidade, sedentarismo, estresse e excesso de sal. Mesmo com as metas já estabelecidas pelo governo, a redução da hipertensão, segundo ele, só começará a aparecer a longo prazo. E se associada a outras medidas, como incentivo à atividade física e a diminuição da poluição.

Hoje, o caminho é inverso. O brasileiro consome mais do dobro do aceitável de sal. São 12g por dia, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto que o recomendado pela OMS é de 5g.

MAIORIA É SEDENTÁRIA

O Rio de Janeiro tem o pior índice de todas as capitais: 29,7% da população tem hipertensão. Um estudo anterior da Vigitel, divulgado em agosto, já mostrava que 66% são sedentários na cidade que esbanja a fama de ser uma academia ao ar livre, com cenários convidando à prática esportiva. Para Tinoco, isto reflete uma série de fatores sociais:

— Durante muito tempo, o Rio foi uma região com uma urbanização acelerada, com espaços urbanos de tensão, ou seja, com violência, poluição, trânsito, pobreza e falta de acesso à atenção básica de saúde. Para se recuperar disto, são necessárias décadas de melhoria em saúde, se-
gurança e economia.

Segundo o Vigitel, quanto menor a escolaridade, maior a incidência da hipertensão: 37,8% entre aqueles com até oito anos de estudo, contra 14,2% entre os que têm 12 anos ou mais de estudo. Além disso, ela atinge mais as mulheres (26,9%) do que os homens (21,3%). Os mais velhos também são o alvo da doença: 59,2% dos idosos com mais de 65 anos são hipertensos, índice que cai para 3,8% entre 18 e 24 anos.

Mesmo assim, um estudo da UFF mostra que tem crescido a prevalência de pré-hipertensão (entre 120/80 mm Hg e 140/90 mm Hg) e hipertensão (acima de 140/90 mm Hg) entre crianças e adolescentes nos últimos 20 anos.

— É natural que a pressão aumente com a idade. Se notamos jovens hipertensos, além da questão genética, isto está geralmente relacionado ao estilo de vida — comenta Isa Bragança, cardiologista e membro da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.

O exercício aeróbico diminui a pressão. Mas só quando ele é regular, de pelo menos quatro vezes por semana. A atividade de força (musculação), ao contrário, pode agravar o problema. De qualquer maneira, é preciso controlar a pressão antes de iniciar qualquer prática.

— Se a pessoa tiver pressão alta, mas controlada por medicamento, alimentação e aval do médico, ela pode e deve fazer exercício físico, principalmente aeróbico. Mas se os níveis estão oscilando, é preciso tratar isto antes — aconselha a especialista.

A hipertensão pode, levar à insuficiência renal e cardíaca e ao acidente vascular cerebral (AVC), principal causa de morte entre os brasileiros e responsável por 100 mil óbitos só em 2011.

De acordo com a OMS, um em cada três adultos tem hipertensão no mundo, e ela está relacionada a 7,5 milhões de mortes só em 2004 (13% do total).

Estima-se que o consumo de 5g diárias de sal significaria a queda de 6% a 14% na mortalidade por derrame e de 4% a 9% na mortalidade por enfarte.

Fonte: O Globo
Autor: Flávia Milhorance

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