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O doce perigo dos adoçantes artificiais

Data: 11/07/2013

Revisão de estudos mostra que produtos favorecem obesidade e diabetes tipo 2.

Mais doces e com menos calorias que o açúcar, os adoçantes artificiais surgiram como a salvação das dietas.

Mas uma revisão de estudos publicada, ontem, na revista “Trends in Endocrinology & Metabolism”, mostra que, em excesso, estes produtos acabam por favorecer o aparecimento de obesidade, diabetes tipo 2 e síndrome metabólica (dois ou mais fatores que, juntos, aumentam o risco de doenças cardíacas e derrame) — mesmos problemas apontados no consumo de açúcar há anos.

“É comum que as pessoas pensem que os adoçantes artificiais são saudáveis, vão ajudar a perder peso ou evitar o ganho de peso”, escreve a autora do estudo, Susan Swithers, da Universidade de Purdue, nos Estados Unidos.

Em outubro de 2012, o “New England Journal of Medicine” publicou um grande estudo que associava o alto consumo de bebidas adoçadas artificialmente à obesidade: ao ingerir altas doses de refrigerantes diet, por exemplo, o cérebro entende a entrada de doce no organismo mas não há calorias para serem queimadas, o que a longo prazo faz com que o organismo ative o mecanismo de conservação de energia e o corpo ganhe peso.

— O adoçante não é ruim em pequenas doses, o ruim é achar que se pode tomar adoçante indiscriminadamente.

O problema está ligado à dose ingerida — diz a endocrinologista Isabela Bussade, professora de pós-graduação da PUC-Rio e integrante do grupo de pesquisa clínica do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia (Iede).

A médica aponta ainda outro ponto, o da interferência dos adoçantes (e outros industrializados como acidulantes e conservantes) no metabolismo periférico, atuando como disruptores endócrinos, mudando a maneira como as células processam informações hormonais.

Essa mudança de sinalização pode aumentar a obesidade não só pela ingestão calórica.

É como se uma pessoa comesse mil calorias de leitão assado, arroz e feijão e outra optasse pelas mesmas mil calorias em fast-food e esta segunda engordasse mais.

Tudo por causa da química industrializada que atrapalha o funcionamento normal da célula, segundo a endocrinologista.

A nutricionista Fernanda Caldeira, da multinacional de emagrecimento Pronokal, também defende que o adoçante deve ser usado em pequenas quantidades, e diz que quem faz dieta deve tentar abolir os refrigerantes e privilegiar alimentos adoçados naturalmente.

— A stévia é uma boa opção de adoçante, mas muitas vezes é misturada com ciclamato e sacarina para ficar mais barata — alerta.

— Assim como também é comum a sucralose vir misturada ao sorbitol, já citado em estudos como favorecedor da diabetes.

Fonte: O Globo
Autor: Viviane Nogueira

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