20/08/2008 - Organizações farmacêuticas ratificam a Declaração das Américas

 

As organizações farmacêuticas das Américas estão exortando os governos dos seus países a garantirem às sociedades a participação do farmacêutico em setores de maior impacto para a saúde, a exemplo das farmácias comunitária e hospitalar. A estratégia faz parte do documento intitulado "Declaração das Américas Sobre a Profissão Farmacêutica e Seu Impacto nos Sistemas de Saúde", produzido pela Fepafar (Federação Farmacêutica das Américas) e que tem como signatárias as mais representativas organizações farmacêuticas das Américas do Sul, Central e do Norte.
 
"O documento manifesta toda a preocupação das entidades com a saúde, na região, e reivindica junto às autoridades a inserção dos serviços farmacêuticos nos sistemas de saúde, por entender que eles são decisivos para o desenvolvimento dos mesmos e o conseqüente bem-estar das populações", explica o Diretor-Tesoureiro do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Edson Chigueru Taki.
 
Ele participou da reunião do Conselho Diretivo da Fepafar, em Tegucigalpa (Honduras), no dia oito de agosto de 2008, quando foi ratificada a "Declaração das Américas". O documento começou a ser elaborado, em novembro de 2007, por ocasião da penúltima reunião do Conselho Diretivo da Fepafar. À época, Edson Taki ocupava o cargo de Vice-presidente do CFF, e tomou parte na produção do texto.
 
A "Declaração" é um documento objetivo e incisivo na defesa da participação dos farmacêuticos nos sistemas de saúde. Começa, salientando que a profissão farmacêutica deve evoluir, tomando por base as transformações importantes em áreas, como a industrialização dos medicamentos e insumos farmacêuticos, a necessidade de prestação de novos serviços e as adequações normativas correspondentes.
 
Lembra a preocupação dos farmacêuticos das Américas, desde a década passada, com a necessidade de sensibilizar os governos para que incrementem os níveis e padronização da saúde das populações, propondo a sua participação ativa nos sistemas de saúde, em toda a cadeia que vai do medicamento ao paciente, o que compreende a investigação e o desenvolvimento, produção, garantia de qualidade, distribuição (armazenagem e transporte), correta dispensação para o uso racional e adequado dos medicamentos, contemplando a sua seleção, até o surgimento dos seus resultados no paciente.
 
RECONHECIMENTO - "O papel dos farmacêuticos nos sistemas de saúde, como promotor do uso racional dos medicamentos e da saúde em geral, mediante as Boas Práticas de Farmácia e Atenção Farmacêutica, tem sido oficialmente reconhecido oficialmente e fomentado pela Organização Mundial da Saúde (Resolução WHA 47.12, de 1994, e os informes das Consultas da OMS sobre o Rol do Farmacêutico nos Sistemas de Saúde, realizadas, em Nova Deli, Tóquio, Vancouver e Haia, em 1988, 1993, 1997 e 1998, respectivamente) e, também, pela Federação Farmacêutica Internacional - FIP ("Declaração de Tóquio", de 1993, sobre padronização da qualidade dos serviços farmacêuticos - Normas FIP, das Boas Práticas de Farmácia e versão revisada pela FIP e OMS, em 1997).
 
Em suas considerações, o documento observa que o aumento das expectativas e da melhora da qualidade de vida da população em geral, devido ao avanço das ciências da saúde, em particular a médica e a farmacêutica, incrementaram a demanda de serviços de saúde e o consumo de medicamentos cujos custos determinam um importante aumento de gastos. O fato requer, prioritária e oportunamente, a adoção de estratégias farmacoeconômicas institucionais e nacionais, levando-se em conta os critérios profissionais farmacêuticos.
 
As populações, diz o documento, envelhecem, sistemática e paulatinamente, o que as levam a depender de um consumo sustentado de medicamentos que lhes permita fazer a prevenção e o controle de doenças crônicas e degenerativas, para quem obtenham uma melhor qualidade de vida. Esses contextos requerem a participação do farmacêutico.
 
A "Declaração das Américas" insiste na necessidade de se racionalizar o uso dos medicamentos, fato que implica em uma melhor utilização dos recursos econômicos destinados à saúde. Mas a condição para isso é a participação do farmacêutico nas equipes de saúde, com o objetivo de proporcionar apoio com informação farmacoterapêutica, além de oferecer uma adequada orientação sobre o uso correto dos medicamentos, benefício da saúde da população.
 
"O profissional farmacêutico, reconhecido internacionalmente como o especialista em medicamentos, deve orientar, sempre, os seus conhecimentos com vistas a satisfazer as necessidades de saúde dos pacientes, dentro de um marco de ética profissional", reforça o documento. E acrescenta que o volume de informação gerada atualmente sobre os medicamentos demanda um farmacêutico "atualizado e competente" que possa reverter a informação em serviço do paciente e da atenção farmacêutica.
 
Na "Declaração", as entidades farmacêuticas mais representativas de cada País comprometem-se a gerar suportes necessários que garantam a capacitação profissional, a elaboração de guias e modelos para a educação e atuação profissional, entre outras ações.
 
OS SIGNATÁRIOS - Assinam o documento os Presidentes da Fepafar (Federação Pan-americana de Farmácia), José Manuel Cárdenas Gutiérrez; da FFCC (Federação Farmacêutica Centro-americana e do Caribe), Telva Nuñez de Córdoba; da Fefas (Federação Farmacêutica Sul-americana), Eduardo Sávio; da Academia Ibero-americana de Farmácia, Alberto Ramos Cormenzana; da OFIL (Organização de Farmacêuticos Ibero Latino-americanos), Joaquin Ochoa Valle. São também signatários os Presidentes da FIP (Federação Internacional de Farmácia), Kamal Midha; do FFA (Foro Farmacêutico das Américas), Aquiles Arancibia; e do Conselho Geral de Colégios Oficiais de Farmacêuticos de Espanha, Pedro Capilla Martinez.
Fonte: CFF
Autor: Aloísio Brandão