30/05/2019 - Transformação Digital torna-se pauta estratégica do CFF

 Representantes de seis entidades relacionadas à transformação digital, às políticas de e-Saúde e regulação sanitária digital participaram nesta quarta-feira, dia 29 de maio, de reunião na sede do Conselho Federal de Farmácia (CFF). O objetivo foi discutir estratégias para a inserção da profissão farmacêutica nesses movimentos. Ao final do encontro, do qual participaram também os conselheiros federais de Farmácia, Luiz Claudio Mapurunga da Frota (CE) e Luiz Gustavo de Freitas Pires (PR), o presidente do CFF, Walter da Silva Jorge João, anunciou que será criado um Grupo de Trabalho para cuidar da pauta digital dentro do conselho.

Essa, segundo o presidente do CFF, será uma agenda estratégica para a gestão do CFF, em face de demandas como a regulamentação da prescrição, da dispensação e do prontuário eletrônicos. “Tivemos aqui no conselho algumas reuniões para discutir a transformação digital, mas não podemos e não devemos ser intempestivos. Para regulamentar, precisamos nos apropriar desse tema. Com a colaboração de vocês, certamente nos sentirmos muito confortáveis para apresentar uma proposta de resolução ao nosso plenário”, destacou.

Responsável por coordenar a reunião, junto com o farmacêutico Eugênio Rodrigo Zimmer Neves, que integra o Grupo Gestor da Pauta Estratégica Farmácia Digital no CFF, Josélia Frade observou que a categoria, em seu dia a dia, já tem demandado o conselho quanto à regulamentação. “Já temos colegas recebendo prescrição eletrônica, envolvidos em processos de robotização, na utilização de testes rápidos, na criação e desenvolvimento de testes, novos medicamentos e vacinas usando bioinformática e sintetizadoras de medicamentos de bancada. Então, é o momento de pensarmos quais são as nossas prioridades e definirmos um plano para os próximos dez anos”, comentou. “Sequer temos uma padronização de medicamentos que possa ser utilizada pelos diferentes sistemas existentes no país.”


Josélia avaliou que a reunião cumpriu os objetivos propostos, de oportunizar a integração do CFF com as diferentes instituições e entidades que atuam na área, que puderam apresentar o trabalho que vem desenvolvendo. “Também conseguimos identificar pontos de sinergia, mapear problemas que existem na sociedade e por meio da interação institucional que estamos criando, buscar solução para esses problemas”, destacou.


Outro resultado positivo foi a abertura das portas de várias das entidades tanto para participarem do processo de regulamentação da pauta digital no CFF quanto de participação dos farmacêuticos nas discussões e ações desenvolvidas dentro dessas instituições. Foi o caso do Ministério da Saúde, da Anvisa e da Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS).


“O Integrating Healthcare Enterprise – Brasil, que está envolvido na busca de soluções de interoperabilidade, se dispôs a intermediar a participação de diferentes atores envolvidos com esse tema, inclusive no cenário internacional, que possam auxiliar o conselho”, comenta Josélia Frade, que elogiou também a participação da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). “A participação será fundamental ao processo de regulamentação da prescrição eletrônica.”

Para Eugênio Neves, o fato de o CFF ter chamado as entidades para conversar sobre uma estratégia para a inserção da profissão farmacêutica no movimento de transformação social, digital é uma iniciativa inovadora para profissão. “Essa medida visa preservar a profissão, e fundamentalmente, contribuir para que ela se adapte aos novos tempos, com mais facilidade. Ao buscar uma aproximação com as entidades que estão transformando a realidade da saúde digital no Brasil, o conselho demonstra capacidade de liderança política e estratégica”, avaliou.

O conselheiro federal de Farmácia pelo estado do Ceará, Luiz Claudio Mapurunga da Frota, mostrou um panorama da profissão no país e ressaltou que já será um enorme avanço se, diante da extensão da pauta que envolve a Farmácia Digital, se o conselho conseguir regulamentar a prescrição eletrônica de medicamentos controlados. “Temos farmacêuticos com 1,5 mil notificações de receita, muitas delas, ilegíveis, para analisar e lançar no (SNGPC - Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados). Com a prescrição eletrônica, os colegas não estarão mais diante desse desafio diário e desumano dentro das farmácias, teremos uma dispensação mais segura, um controle mais eficaz e tempo para exercer a farmácias clínica, com pacientes mais bem atendidos”, comentou.

A gerente geral de Conhecimento, Inovação e Pesquisa (GGCIP), da Anvisa, Mônica da Luz Carvalho Soares, apresentou as diferentes iniciativas voltadas à transformação digital em curso dentro da Anvisa, e destacou que esse movimento da agência é impulsionado pelos próprios usuários de seus serviços. “A partir das necessidades dos usuários, estamos buscando meios de proporcionar ao usuário, o acesso à informação de forma mais rápida, segura e robusta, respeitando a legislação vigente”.

Segundo Monica Soares, a agência se insere ainda esse ano, na tecnologia da inteligência artificial, com a ativação de seu primeiro robô para interação com o cidadão. “Começaremos com as informações mais simples, já padronizadas pela agência.” A gerente elogiou a iniciativa do CFF. “É fundanental a discussão proposta, porque precisamos padronizar ações e informações entre os entes envolvidos. Além de evitar retrabalho, isso melhora a nossa eficiência.”

Luiz Gustavo Kiatake, presidente da SBIS, também elogiou a iniciativa, que segundo ele proporcionará ganhos para a profissão farmacêutica e para a saúde como um todo. “Vemos que a transformação digital vem acontecendo em vários setores. Temos bancos digitais, novos modelos de negócios disruptivos, como o transporte urbano, e temos as startups se consolidando. Então essa troca de experiência foi muito importante, porque já saímos daqui com tarefas definidas para colocarmos em prática. O CFF teve uma visão estratégica e muito importante.”

Eduardo Mugnai, coordenador da Comissão Especial de Estudos em Informática em Saúde, da ABNT, acredita que a reunião marcará o início de um trabalho próspero e que trará muitos frutos positivos. Um deles poderia ser até uma regulamentação internacional. “Por ser o órgão normalização no país, por meio de suas comissões e comitês, a ABNT poderá, a partir do conteúdo gerado pelo grupo, construir documentos e normas técnicas que possam ser transformadas em um padrão nacional e até internacional, visto que é o órgão representa o Brasil na ISO (International Organization for Standardization ou Organização Internacional para Padronização).”
Um documento produzido pelo CFF foi socializado com o grupo e todos os representantes estão apresentando suas contribuições. A proposta do CFF é realizar um grande evento sobre o tema, com participação de farmacêuticos que desenvolvem projetos na área, entre outras iniciativas. Uma delas, em médio prazo, é a realização de cursos para a inserção dos farmacêuticos nesse cenário. Algumas iniciativas já estão em curso e em breve novidades serão anunciadas.

Além das entidades já citadas, também participaram da reunião representantes do Ministério da Saúde, da Integrating Healthcare Enterprise – Brasil e do Hospital Sírio Libanês. Pelo CFF participaram, além de Josélia Frade, Eugênio Neves e o presidente do CFF, Glauber Santos Ribeiro e Israel de França Souza, respectivamente coordenador e funcionário do setor de Tecnologia da Informação do CFF, e Maria Isabel Lopes, assessora da Diretoria do CFF.

 

Fonte: Comunicação do CFF

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