08/05/2009 - Gestão é o foco da VI Conferência Nacional de Educação Farmacêutica

“As organizações que aprendem” foi o tema da palestra ministrada pelo engenheiro mecânico e certificador de laboratórios e hemocentros, César Fonseca Lima, em 6 de maio, primeiro dia da VI Conferência Nacional de Educação Farmacêutica, evento realizado, em Brasília, pela Associação Brasileira de Ensino Farmacêutico e Bioquímico (Abenfarbio), com o apoio do Conselho Federal de Farmácia (CFF), através de sua Comissão de Ensino (Comensino). Fonseca esclareceu que o que faz diferença para o mercado de trabalho, em relação a qualquer profissional, não é somente conhecimento, preparo técnico e agilidade.

“O mercado exige atitude e aprendizagem comportamental. Acredito que o grande problema dos profissionais que se perdem, no mercado, não é o saber ou o saber-fazer. É o querer fazer. Isso se chama atitude”, disse César Fonseca Lima. Ele lembrou que o grande desafio da educação é formar indivíduos que pensem globalmente e atuem, localmente. “O profissional líder precisa ter habilidade para conhecer o que acontece, no mundo, e ter bom senso para aplicar tal conhecimento, em seu local de atuação”, completou.

José Carlos Tavares Carvalho, Reitor da Universidade Federal do Amapá (AP); Paulo Roberto Miele, Diretor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas das Faculdades Oswaldo Cruz (SP); e Marcelo Ferreira Lourenço, Reitor do Centro Universitário de Votuporanga (SP), compuseram a mesa-redonda “Gestão Institucional”. E no início da tarde, Paulo Eduardo Mayorga Borges, Diretor da Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (RS), ministrou a palestra “Incubadoras de empresas, gestão, inovação e ação”.

INTEGRAÇÃO - O segundo dia da VI Conferência Nacional de Educação Farmacêutica teve início com a palestra “Gestão da Política Educacional na Área da Saúde”, ministrada por Ana Estela Haddad, Diretora de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde. Haddad destacou a importância da Comissão Interministerial de Gestão da Educação na Saúde, formada por representantes dos Ministérios da Saúde e da Educação, e dos Conselhos Nacionais de Secretários Estaduais e Municipais de Saúde. Criada, em 2007, a Comissão contribui na definição de diretrizes para a formação de profissionais, capazes de entender e trabalhar na promoção da saúde, no diagnóstico e tratamento oportuno e na reabilitação. “E o farmacêutico está inserido nestes processos”, disse.

A Diretora de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde lembrou, ainda, que a criação dos Núcleos de Apóio à Saúde da Família (NASF) fez aumentar a participação do farmacêutico nos programas de atenção básica de saúde pública. “Acredito que sejam mais de 300 NASFs implantados, em todo o País, e essa reordenação do modelo de atenção, no SUS, necessita de total apoio dos coordenadores de curso, no sentido de orientar a formação do profissional de saúde. A participação do farmacêutico nos programas de atenção básica ainda é tímida, mas tende a crescer”, disse.

Ainda pela manhã, Rinaldo Aguilar, professor da Faculdade de Medicina de Marília (SP), ministrou a palestra “Como implementar métodos ativos de ensino-aprendizagem em educação na área de saúde”. Aguilar apresentou uma visão de planejamento da matriz curricular, fez uma análise crítica das “doenças” curriculares e orientou a organização de planos de aprendizagem e acompanhamento docente e discente.

Para falar sobre “Gestão em Sala de Aula”, Soraida Sozzi Miguel, da Faculdade das Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora (MG), usou o exemplo de um programa integrador, que prepara pessoas para trabalhar em equipe, e leva em consideração a gestão de conduta e a gestão de consenso. “Para que os profissionais de saúde possam cumprir o seu papel social, é preciso mudar o conceito de gestão educacional. É preciso integrar, o tempo todo, a teoria com a prática e levar o profissional atuante e bem preparado para a sala de aula. Isso é metodologia ativa”, explicou.

O “Sistema de Avaliação na Educação Superior” foi tema da palestra de Robert Evan Verhine, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), no terceiro dia da Conferência. Para Verhine, os programas de avaliação implantados, no Brasil, têm como finalidade única oferecer informações para a tomada de decisões, sejam do Estado, da instituição ou dos próprios alunos. “Apenas os instrumentos de avaliação precisam ser mais objetivos, sem deixar de avaliar aspectos humanos. A objetividade é necessária, até mesmo para facilitar o processo de avaliação, pois temos, no Brasil, mais de 20 mil cursos de graduação”, disse.

A importância da prática profissional foi o foco da palestra “Residência Multiprofissional expectativas-realidade”, ministrada por Jeane Michel, Coordenadora Geral de Residências de Saúde do Ensino Superior (MEC). “A Residência é o instrumento de mudança que deve levar aprendizado prático ao conhecimento teórico e conhecimento científico à prática profissional. O dilema do ensino de saúde só será resolvido, quando essa mudança for aplicada. E, ainda mais, é preciso que o profissional acredite na consolidação do SUS e nunca se esqueça de que saúde se faz com gente”, lembrou.

BALANÇO POSITIVO - O evento contou, ainda, com palestras sobre tecnologia da informação e gestão em serviços de saúde, além de cinco fóruns e cinco oficinas. A VI Conferência Nacional de Educação Farmacêutica termina, amanhã, sábado (09.05.09), mas já tem um balanço positivo, segundo Magali Demoner Bermond, Presidente da Comissão de Ensino do CFF e Conselheira Federal de Farmácia pelo Espírito Santo. “O evento foi um sucesso, pela qualidade da programação, dos palestrantes e, claro, do público. Coordenadores, professores e estudantes participaram e interagiram nas palestras, oficinas e fóruns. Acredito que todos puderam aproveitar, da melhor forma, este momento de troca de idéias sobre a educação farmacêutica, no Brasil”, concluiu.

Carlos Cecy, Presidente da Abenfarbio, também, faz uma avaliação positiva do evento. “Diferente da Conferência de 2008, neste ano, nós, da Abenfarbio e Comissão de Ensino do CFF, tivemos condições de oferecer mais atividades e, além das palestras e mesas-redondas, realizamos fóruns e oficinas que enriqueceram o evento. Sem contar que fomos muito felizes na escolha dos palestrantes, muito deles, pensadores e executivos da educação, fizeram questão de repassar ao público dados específicos da Farmácia”, finalizou.

O evento, realizado pela Abenfarbio, teve o apoio do CFF; da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), da Federação Interestadual de Farmacêuticos (Feifar), do Sindicato dos Laboratórios de Análises e Bancos de Sangue do Estado de Goiás (Sindilabs), da Confederação Nacional das Profissões Liberais (CNPL) e Conselhos Regionais de Farmácia do Estado de São Paulo e do Distrito Federal.
 

Fonte: CFF
Autor: Veruska Narikawa

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Fotográfo: Fotos: Yosikazu Maeda

Ana Estela Haddad, Diretora de Gestão da Educação na Saúde do Ministério da Saúde


Soraida Sozzi Miguel, da Faculdade das Ciências Médicas e da Saúde de Juiz de Fora (MG)


Robert Evan Verhine, da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA)


Exposição de trabalhos científicos