12/01/2009 - Curso do CFF deverá ascender à categoria de pós-graduação

Assistência Farmacêutica na Farmácia Comunitária. É assim que passará a se chamar o curso de capacitação profissional destinado a farmacêuticos que atuam em farmácias comunitárias, promovido pelo Conselho Federal de Farmácia, e que levava o nome de “O Exercício Profissional Diante dos Desafios da Farmácia Comunitária”. O curso não apenas mudará de nome, mas de natureza. Ele deverá ascender à categoria de pós-graduação lato senso e será oferecido, presencialmente e, também, sob a forma de ensino à distância. Uma reunião, marcada para janeiro de 2009, entre diretores do CFF, a Coordenação do curso e professores definirá o futuro do mesmo.

Se transformado em pós-graduação, o curso passará a ter 360 horas, em vez das atuais 156 horas. Ele, hoje, possui 13 módulos, cada um com 12 horas, e é considerado “revolucionário” em seu propósito de qualificar, na prática, os farmacêuticos comunitários e despertar neles o sentido social. Este ano, o curso passou por um processo de expansão, sendo ministrado, também, aos profissionais que atuam nos estabelecimentos do Programa Farmácia Popular do Brasil e nas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde.

O Coordenador do curso, farmacêutico e professor Radif Domingos, declara que o mesmo vem operando uma reviravolta no contexto da farmácia comunitária brasileira, à medida em que desperta nos profissionais a consciência de que devem oferecer serviços de saúde à população na área da atenção básica, além de orientar os pacientes sobre o uso correto dos medicamentos.

RESULTADOS - Radif Domingos citou o caso de Brasília, onde farmacêuticos que realizaram o curso organizaram-se numa associação cujo fim é aprofundar os estudos sobre atenção farmacêutica em doenças crônicas e degenerativas e aplicar os conhecimentos, nas farmácias.

O grupo de profissionais brasilienses foi mais longe: adquiriu um grande auditório, onde, aos sábados à tarde, ministra para a população palestras sobre os cuidados com o diabetes e a hipertensão. O auditório tem estado lotado e as palestras têm atraído cada vez mais pessoas.

Já em Goiânia, os farmacêuticos da rede pública decidiram que irão especializar-se em áreas específicas, como diabetes, asma, inflamações, hipertensão, com o objetivo de assistirem os pacientes portadores dessas doenças. Em Recife, um grupo de farmacêuticos que realizaram o curso está planejando abrir uma rede de farmácias comunitárias, sendo cada estabelecimento especializado em atenção farmacêutica em uma das doenças citadas.

Ainda na capital pernambucana, outro grupo de farmacêuticos, despertado pelo curso para a Farmácia Clínica, a qual é o núcleo do programa do CFF, procurou um grande hospital público para participar de suas reuniões clínicas. O resultado disso foi que a complexa especialização que conseguiram os levou a se tornar referências, inclusive no próprio hospital, onde são procurados para ajudar no acompanhamento farmacoterapêutico dos pacientes. Outro grupo resolveu aprofundar, na Universidade do Chile, referência internacional em Farmácia Clínica, os conhecimentos que adquiriu no curso.

PROGRAMA – O CFF teve que fazer adaptações no programa do curso, incluindo o módulo “Uso Racional de Medicamentos”, para atender à crescente demanda de farmacêuticos comunitários. O módulo “Antimicrobianos”, também, foi somado ao programa, para atender às exigências técnicas, científicas e sociais das populações e que são uma das propostas centrais do curso.

Os demais módulos são: "Introdução à Farmácia Clínica", "Aconselhamento ao Paciente/ Farmacovigilância e Farmácia Notificadora", "Informação para o Uso Racional de Medicamentos", "Atenção Farmacêutica", "Cuidados Farmacêuticos em Problemas Respiratórios", "Cuidados Farmacêuticos em Processos Inflamatórios", "Cuidados Farmacêuticos em Endocrinologia e Metabolismo", "Farmacocinética Clínica / Interpretação de Exames Laboratoriais", "Interações Medicamentosas: Medicamento-medicamento; Medicamento-alimento e Interferência dos Medicamentos nas Análises Clínicas", "Cuidados Farmacêuticos em Problemas Digestórios", "Reações Adversas a Medicamentos", "Representante da Unidade de Farmacovigilância/Anvisa", "O papel do Farmacêutico na Promoção da Saúde", "Aspectos Éticos do Aconselhamento ao Paciente" e "Relações Interpessoais e Inter-profissionais no Aconselhamento Farmacêutico". O CFF, a partir de 2008, firmou parcerias com o Ministério da Saúde e com a OPAS (Organização Pan-americana de Saúde)/OMS.

Com um programa tão rico em conhecimentos científicos e em prática profissional, o curso do Conselho Federal de Farmácia vem cumprindo o planejamento e atingindo o sentido que o CFF lhe conferiu, de promover uma mudança nos serviços farmacêuticos prestados, nas farmácias comunitárias.

Uma das mais expressivas mudanças é o surgimento de uma consciência social nos farmacêuticos, o que lhes desperta a necessidade de servir às suas comunidades, através da assistência farmacêutica prestada, nas farmácias comunitárias.

DESAFIOS - O profissional multiplamente qualificado, segundo Radif Domingos, consegue enfrentar os desafios que surgem, nas farmácias comunitárias, com desenvoltura e segurança. E o curso do CFF, por sua vez, cumpre uma de suas missões, que é a de promover o resgate do papel social do farmacêutico e o sentido de saúde dos estabelecimentos.

OS PROFESSORES – O curso do Cebrim/CFF reúne professores gabaritados. São eles os farmacêuticos Lindemberg Costa (BA), Ricardo Sá (CE), Carlos Vidotti, Emília Vitória da Silva, Rogério Hoefler, Micheline Meiners, Janete Naves, Luciano da Conceição e Murilo Freitas Dias (DF), Jorge Terrão (ES), Dione Marçal e Luís Carlos Cunha (GO), Josélia Quintão Frade (MG), Arnaldo Zubioli, Roberto Bazotte e Walderez Penteado (PR), Tarcísio Palhano e Ivonete Batista (RN), Divaldo Lyra Júnior (SE) e Fernando Del Fiol (SP).
 

Fonte: CFF
Autor: Aloísio Brandão

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Fotográfo: Foto: Yosikazu Maeda

Farmacêutico e professor Radif Domingos, Coordenador do curso do CFF